Espiritualidade e Intelectualidade


No meio cristão, ainda muitos pensam que há uma dualidade incompatível entre o espírito e a mente. Imaginam, ainda que subjetivamente, que todo o investimento no espírito é bom, mas que o uso da mente é algo que corrompe a fé. Quantas vezes já ouvimos: "a letra mata". Ouvimos isso de pessoas que não entenderam o sentido e o contexto bíblico e que tentam justificar o afastamento do raciocínio, acreditando que assim poderão crescer mais espiritualmente. Então, tudo o que diz respeito à intelectualidade é negligenciado. Todavia, quando nos reportamos para a Palavra de Deus, podemos perceber que uma coisa não deve eximir a outra. Jesus falando sobre o resumo da Lei, indicou que devemos amar a Deus tanto com a nossa alma quanto com o nosso entendimento. Em outros termos, o uso do raciocínio também é exigido. Por que é assim? Porque Deus nos criou como seres capazes de usar a imaginação, o pensamento e a criatividade. Não somos como um computador que apenas recebe e repassa informações, sem de fato interpretar, analisar, considerar ou entender. O computador pode até estar correto em tudo o que nos informa, mas a inteligência não é dele mesmo, mas do homem que o formatou e projetou. Não somos máquinas. Não somos robôs. Somos seres criados à imagem e semelhança de Deus. Quem apenas reproduz informações sem pensar, está desprezando a capacidade e o dom que Deus lhe deu. O apóstolo Paulo escrevendo a Timóteo, desafiou-o: "Tem cuidado de ti mesmo e do teu ensino" (1 Timóteo 4.16). O cuidado era com a sua vida e com a doutrina do evangelho. Timóteo não deveria ser imprudente com sua maneira de viver nem com a razão de sua fé. Pois de outro modo seria uma presa fácil do engano, da mentira e das heresias. Portanto, cresçamos na fé e na graça de Cristo Jesus para que tenhamos uma vida segundo a vontade de Deus, mas também, tenhamos ousadia para fazermos uso do pensamento, da mente, aprendendo sempre a verdadeira doutrina do evangelho, pois só assim poderemos conhecer e praticar o culto racional (Romanos 12.1). Espiritualidade e intelectualidade podem perfeitamente caminhar de mãos dadas para a glória do Senhor.

Pr. Adriano Xavier Machado

Escolhido Sim! Capacitado Sim!

Dou início a esta reflexão com temor e misericórdia. Mas penso que seja necessária. Cada vez mais estou convencido de que para servir ao Senhor, não basta coração, é preciso estar preparado. Sei que muitas pessoas não gostam de ouvir esse discurso, principalmente aqueles que adoram repetir: "Deus não escolhe os capacitados, mas capacita os escolhidos". Sinceramente, esse pensamento é muito mal compreendido. Ser escolhido por Deus é uma coisa. Para ser escolhido não precisa ser capacitado, mas para fazer a obra do Senhor é preciso mesmo de capacitação. Os apóstolos tiveram três anos de preparação com o próprio Senhor Jesus e só então receberam o mandamento: "Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura" (Marcos 16.15). Assim, podemos perceber que não basta ser escolhido, é preciso ser capacitado.

Infelizmente, muitos que desejam servir ao Senhor, acabam fazendo estragos nas igrejas e às vezes até em comunidades inteiras. A Igreja de Jerusalém, segundo o livro de Atos, caía na graça do povo (Atos 2.47). A ação do Espírito Santo era tão poderosa, o compromisso com a doutrina dos apóstolos era tão intensa e a comunhão tão evidente que, toda a comunidade não cristã ficava maravilhada, impactada. Mas alguns ministérios nos dias de hoje, por onde passam, não deixam um bom testemunho do evangelho de Cristo.Em vez de graça, o rastro é de desgraça. Não digo que haja má fé em muitos desses obreiros e ministérios. Em muitos casos é falta de um devido preparo para o serviço do Senhor. O pior é que depois vem as perseguições, os problemas, as críticas e situações contrárias, e o diabo é quem leva a culpa.

Ah, Jesus tenha misericórdia do Seu povo. Ilumine o nosso entendimento com a Sua Palavra. Dai-nos verdadeiro discernimento espiritual. Capacita-nos com o Espírito Santo para fazermos a Sua obra segundo a Sua vontade. Livra-nos de toda preguiça mental. Que possamos ter sabedoria dos altos céus. Que possamos compreender que maldito é aquele que faz a obra do Senhor relaxadamente (Jeremias 48.10). Que possamos fazer a obra com amor e compromisso. Em nome de Jesus, amém. Escolhido sim, mas, também capacitado.

Pr. Adriano Xavier Machado

Comunhão: o melhor método de crescimento da Igreja

Comunhão. Estar em comum acordo. Não significa ter as mesmas ideias, as mesmas opiniões ou formular os mesmos conceitos. Mas é a capacidade de chegar a um resultado que seja proveitoso para todos, como Corpo do Senhor Jesus Cristo, considerando que temos um só Senhor, uma só fé e um só batismo (Efésios 4.5). Matthew Henry já dizia: "O homem é feito para a sociedade, e os cristãos, para a comunhão dos santos". Mas, para isso é preciso humildade, é preciso saber ceder, é preciso saber abrir mão, é preciso saber construir com cada tijolo de pensamento que é oferecido, e que em nada prejudica o objetivo do Reino. Em uma construção cada tijolo assentado é importante, assim é cada membro do Corpo com suas sugestões e considerações. Ninguém pode ser descartado, ninguém pode ser desvalorizado, ninguém pode ser esquecido. Um pensador já dizia que "em todo homem há algo que eu posso aprender com ele, e nisso sou seu discípulo". É verdade, sempre podemos aprender algo com alguém. Ninguém é um poço totalmente vazio, sem nada a oferecer, sem nada a contribuir. Uma querida ovelha escreveu em seu blog uma importante mensagem sobre intolerância quando esteve destacando que quando falta disposição para "ouvir e aceitar opiniões opostas, quando não há flexibilidade quanto ao gosto ou vontade do outro, a comunhão e a unidade correm um sério risco" *. Assim sendo, o progresso de um projeto, de um trabalho, depende do empenho e da colaboração de todos, mesmo havendo diferenças. "Ora, há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo. E há diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo. E há diversidade de operações, mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos". (1 Coríntios 12.4-6). Apesar da diversidade de dons, de ministérios e de operações, o Senhor é o mesmo. E isso já basta para vivermos em comunhão. Comunhão é o segredo. Comunhão é a resposta para o sucesso da obra do Senhor. "E, perseverando unânimes todos os dias no templo, e partindo o pão em casa, comiam juntos com alegria e singeleza de coração, louvando a Deus, e caindo na graça de todo o povo. E todos os dias acrescentava o Senhor à igreja aqueles que se haviam de salvar" (Atos 2.46,47). Portanto, que não percamos a oportunidade de estarmos juntos, de mãos dadas, cooperando, incentivando e amando em Cristo Jesus. Que o Espírito Santo nos ajude a viver a autêntica comunhão cristã. 


Pr. Adriano Xavier Machado


http://ivan-aralde.blogspot.com.br/2012/05/intolerancia.html

Humildade: a graciosidade do amor

O amor tem muitas cores, muitas facetas e, consequentemente, muita beleza para ser apreciada. Mas, nada se compara com a graciosidade de sua humildade. Por isso que o apóstolo Paulo assegura que o amor não é soberbo (1 Coríntios 13.4). Aliás, não há nada que cega, prejudica e corrompe tanto, quanto o pecado do orgulho. Como resumiu Agostinho de Hipona, "o orgulho é a fonte de todas as fraquezas, porque é a fonte de todos os vícios".

Se o orgulho é a fonte de todas as fraquezas e vícios, não precisamos ter dúvidas de que a humildade é a fonte de todas as virtudes e bênçãos do Alto. "A recompensa da humildade e do temor do Senhor são a riqueza, a honra e a vida" (Provérbios 22.4). "O temor do Senhor ensina a sabedoria, e a humildade antecede a honra" (Provérbios 15.33). É com humildade que desfrutamos das maravilhas do Senhor.

Mas é também com humildade que conseguimos viver melhor os nossos relacionamentos interpessoais. Não há comunhão, amizade, namoro ou casamento bem-sucedidos sem essa graciosidade do amor. Sem humildade só enxergamos defeito na vida das pessoas, pois nos sentimos melhores e superiores aos outros, o que não tem nada a ver com o exemplo bíblico. Como o apóstolo Paulo orientou: "Nada façam por ambição egoísta ou por vaidade, mas humildemente considerem os outros superiores a si mesmos" (Filipenses 2.3). 

Portanto, se queremos de fato viver o verdadeiro amor cristão, não podemos caminhar na trilha da arrogância. Em tudo dependemos da graça de Deus. Nada conseguimos ser ou fazer por nós mesmos. No seu orgulho, Nabucodonosor disse: "Acaso não é esta a grande Babilônia que eu construí como capital do meu reino, com o meu enorme poder e para a glória da minha majestade?". Deus o repreendeu por isso. Nabucodonosor  perdeu o seu trono e foi expulso do seu palácio. Passou a viver como um louco em meio aos animais. Mas depois de humilhado, aprendeu e reconheceu: "Agora eu, Nabucodonosor, louvo, exalto e glorifico o Rei dos céus, porque tudo o que ele faz é certo, e todos os seus caminhos são justos. E ele tem poder para humilhar aqueles que vivem em arrogância" (Daniel 4.30,37). Deus nos abençoe com a humildade, a graciosidade do amor.

Pr. Adriano Xavier Machado

A Inteligência do Amor


Nada tem sido tão deteriorado e deturpado nos dias de hoje quanto o conceito de amor. Afirma-se que o amor é cego e que o coração tem razões que a própria razão desconhece. Que o amor cobre uma multidão de pecados é fato, mas cego jamais, pois o amor ilumina sem ofuscar, sem embaçar. Que o amor não é frio nem calculista como a razão, sem dúvida, mas o amor nunca é ignorante, o amor nunca é um ato irreflexivo, porquanto o amor não é leviano (1 Coríntios 13.4).

De acordo com o dicionário a leviandade trata-se de um ato imprudente, inconsequente, sem qualquer reflexão. Um ato nesses termos pode ser tudo, menos amor. Contudo, por causa de uma mentalidade equivocada a respeito do amor, muitos tomam decisões erradas, muitos fazem escolhas absurdas, muitos se precipitam em um abismo de dor e sofrimento que não se justifica. É certo que o caminho do amor nem sempre é fácil ou confortável, todavia, o amor não se precipita, pois o amor é sempre um ato inteligente.

Certa jovem namorava um viciado em drogas. De vez em quando ela apanhava dele. Um dia ela me perguntou o que eu achava desse namoro. Como não desejava dar uma resposta pronta, fiz uma pergunta: "Se você fosse mãe de uma menina, você gostaria que ela namorasse um rapaz que batesse nela?" De pronto ela respondeu: "Não!". Então em seguida disse: "Aí está a resposta para a sua pergunta". Ela ficou surpresa com o que havia acabado de compreender. Ela entendeu perfeitamente que aquele namoro era uma "furada", não iria levar a nada de bom.

O amor não é cego. O amor nos dá capacidade de pensar, avaliar e analisar. O amor sabe diferenciar o que é descartável e o que é essencial, sabe separar a erva daninha das flores. O amor não é leviano. O amor não é algo insano. "Qual de vocês, se quiser construir uma torre, primeiro não se assenta e calcula o preço, para ver se tem dinheiro suficiente para completá-la? Pois, se lançar o alicerce e não for capaz de terminá-la, todos os que a virem rirão dele, dizendo: 'Este homem começou a construir e não foi capaz de terminar'. Ou, qual é o rei que, pretendendo sair à guerra contra outro rei, primeiro não se assenta e pensa se com dez mil homens é capaz de enfrentar aquele que vem contra ele com vinte mil? Se não for capaz, enviará uma delegação, enquanto o outro ainda está longe, e pedirá um acordo de paz" (Lucas 24.28-32).

O problema é que muitas pessoas querem viver no impulso de suas paixões e desejos, sem considerar as consequências de suas escolhas, de suas decisões, de suas palavras ou mesmo de seus atos. Vivem algo semelhante ao antigo verso musical: "Não me interessa o que de mais existe. Quero que você me aqueça nesse inverno. E que tudo mais vá pro inferno". Por mais romântico que isso possa parecer, na verdade não passa de uma posição patológica, egoísta e até mesmo presunçosa. Pois o amor não se centraliza apenas nos seus sonhos, interesses ou necessidades físicas e psicológicas. O amor não fica fechado em um mundinho limitado aos desejos mesquinhos, sem se importar com os demais. O amor é um ato nobre, responsável e coerente. O amor é uma atitude inteligente, e, não, um ato inconsequente. Se "crer é também pensar", não tenhamos dúvida de que muito mais ainda o amor sabe pensar.

O amor não é leviano, mas será que estamos exercendo a inteligência do amor? Será que muitas vezes não estamos sendo omissos exatamente porque temos tido medo ou insegurança de pensar? Às vezes, em nome do amor se faz vista grossa ou ainda se ignora os erros e pecados. Às vezes, em nome do amor a Igreja se cala quando deveria denunciar. Às vezes, em nome do amor os crentes não examinam as profecias, acreditando que tudo vem de Deus. Às vezes, em nome do amor o que importa é louvar e pregar, mesmo que não haja preparo e dedicação para isso, contudo sempre há o discurso pronto: "É para o Senhor". Amados, o amor não é cego nem irracional.
Portanto, saibamos viver a inteligência do amor para a glória de Deus.

Pr. Adriano Xavier Machado

Viva o Amor! Abaixo a Inveja!


Na vida todos nós temos alguma oportunidade. Deus abençoa a todos com alguma graça. O Seu amor é para todos. Mas, muitas vezes temos tido dificuldades em reconhecer as bênçãos que Deus tem nos dado. Assim, parece que tudo o que é distante é melhor, tudo o que pertence ao outro é mais bonito e satisfatório. Desse modo começa a germinar a inveja. Segundo a Wikipédia, a inveja é "um sentimento de tristeza perante o que o outro tem e a própria pessoa não tem". Sim, enquanto o amor faz bem, produzindo sentimentos e posturas saudáveis, a inveja promove tristeza, amargura e angústia. Em Provérbios 14.30 diz que o "sentimento sadio é vida para o corpo, mas a inveja é podridão para os ossos".

A inveja estraga a saúde da alma, do espírito e do corpo. A inveja é um veneno para a vida. A inveja corrói . "Assim como a ferrugem consome o ferro, a inveja consome o invejoso". O ferro em contato com o oxigênio resulta na oxidação. É um processo lento que não faz barulho, alarde algum, mas que destrói o ferro. Para evitar essa oxidação, geralmente, pinta-se o ferro. A tinta serve de proteção. Da mesma forma, para não sermos corroídos pela ferrugem da inveja, devemos pintar todo o nosso ser, o nosso sentir, pensar e agir, com as tintas do amor. O amor não é invejoso (1 Coríntios 1.4). O amor nos protege de sentimentos de tristeza, do complexo de inferioridade, da falta de gratidão e de tudo o que estraga a vida e os relacionamentos. Se a inveja consome o invejoso, o amor protege o amoroso.

Em Atos 7.9 afirma que "os patriarcas, movidos de inveja, venderam José para o Egito". O texto é claro em demonstrar que um problema de família aconteceu tão somente por causa da inveja. Os "patriarcas" desejaram algo que pertencia como promessa divina ao irmão mais novo. A inveja é sempre assim:  começa com um desejo errado e acaba terminando em tragédia. Veja, por exemplo, a história de Abel e Caim. Abel foi morto por seu próprio irmão movido pela inveja. Em muitos casos, é claro, o homicídio não ocorre no plano físico. Nem sempre sangue é derramado. Mas a inveja acaba causando uma terrível tragédia no coração. "Vendo Raquel que não dava filhos a Jacó, teve inveja de sua irmã, e disse a Jacó: Dá-me filhos, se não morro" (Gênesis 30.1). Raquel estava angustiada, desesperada, morrendo por dentro, pois a inveja roubava toda a sua alegria, todo o seu ânimo, toda a sua vida íntima. De fato, "a inveja é podridão", uma podridão para os ossos, mas também para o espírito, uma podridão que mata a alma do ser humano.

Ah, mas quem se reconhece como invejoso? Quem tem reconhecido que anda pecando nessa área? A inveja é um sentimento muito sutil.  Tal como a ferrugem, vai corroendo aos poucos. Só mais tarde é que se percebe o buraco e o vazio da alma. Contudo, podemos tomar algumas precauções. Podemos nos revestir do amor.  O amor que nos faz olhar menos para os nossos interesses egoístas e mesquinhos, e a olhar mais para as necessidades, dores e também para a alegria e sucesso dos outros.
A propósito, já foi dito que qualquer "um pode simpatizar com os sofrimentos de um amigo, mas é preciso que de fato se tenha muito boa índole para se simpatizar com o sucesso de um amigo". De acordo com a Palavra de Deus devemos chorar com os que choram e nos alegrar com os que se alegram. De fato chorar com o sofrimento de alguém não é algo tão difícil, mas se alegrar com a vitória, com a conquista e a alegria de uma pessoa, só mesmo revestido do amor. O amor vence a inveja.

O amor é vencedor, porquanto sabe celebrar, está sempre pronto para festejar e se alegrar com o que tem, como também incentivar, encorajar e se simpatizar com a conquista do outro. É óbvio que o amor não é conformista nem fatalista, contudo, sabe reconhecer as bênçãos recebidas, sabe desfrutar de tudo o que o Senhor dá, sem se sentir inferiorizado perante o sucesso do próximo. Mas, a inveja, cega. A inveja deixa o sentimento errado de que sempre está faltando algo. A inveja é insaciável, nunca preenche. Está sempre querendo e exigindo mais. Está sempre querendo e exigindo o que pertence ao outro. A inveja é a sanguessuga da alma. Trata-se de"um dos sentimentos que pode causar as maiores dores no ser humano".*  Porém, o amor é a riqueza, a luz, a sabedoria, a música, a poesia, o perfume e o refrigério da vida. Enquanto a inveja nunca se realiza, o amor satisfaz plena, poderosa e graciosamente. Viva o amor. Abaixo a inveja.

Pr. Adriano Xavier Machado

* MELLO, Márcia Homem de. Inveja: que sentimento será esse?. s.d. Em:  <http://www.homemdemello.com.br/psicologia/inveja.html>. Acessado em: 2 de abril de 2012.