Mantendo o Foco

A vida cristã é como uma caminhada. Quem caminha olha para frente, sabendo aonde quer chegar, seguindo a direção determinada, mantendo o foco. Uma das coisas mais tristes na vida de uma pessoa é não ter certeza para onde está indo. Quando alguém se encontra nessa condição demonstra que algo está faltando, revela que algo está errado.

De acordo com Jesus em João 12.35 “quem anda nas trevas não sabe para onde vai”. Na escuridão do pecado não há referência, não há placa indicativa, não há rumo certo e seguro. Apenas na luz do evangelho da graça de Deus podemos conhecer e trilhar o Caminho da vida, da verdade e paz eternal. E uma vez no Caminho, devemos manter o foco.

Jesus também disse: “Ninguém que lança mão do arado e olha para trás é apto para o Reino de Deus” (Lucas 9.62). O que lança mão do arado é aquele que faz uso de um instrumento agrícola que rasga, revolve e prepara a terra para a semeadura. Jesus faz uso dessa figura para indicar que no sentido espiritual devemos manter o foco, para não nos desviarmos do caminho traçado por Deus.

Uma antiga fábula nos fala de uma tartaruga e um coelho que haviam combinado uma corrida. O coelho, certamente, saiu na frente e logo alcançou uma distância considerável. Olhando para trás, percebeu que a tartaruga não lhe ameaçava, então, resolveu parar e dar uma cochilada. Bem, já conhecemos a história. O coelho dormiu tanto que, a tartaruga acabou ganhando a corrida.

A lição que fica é que não se deve titubear. Quem perde o foco fica para trás. No entanto, muitas vezes, vacilamos e nos distraímos. Não ficamos devidamente empenhados nem mesmo centrados naquilo que é essencial. Simplesmente nos perdemos em coisas ou detalhes insignificantes. Quando, na verdade, deveríamos sempre avançar naquilo que nos é proposto.

“É difícil buscar excelência quando você está focado em tantas coisas ao mesmo tempo”,* afirma-se. Por que essa dificuldade? Porque quando alguém está focado em muitas coisas ao mesmo tempo, na verdade, não está focado em nada. Nesse sentido se aplica o ensino de Jesus em Mateus 6.24: “Ninguém pode servir a dois senhores, porque ou há de odiar um e amar o outro ou se dedicará a um e desprezará o outro”.

A excelência da vida cristã, portanto, alcança-se quando o nosso coração não se encontra dividido. Ou nos dedicamos a Jesus ou nos dedicamos ao mundo. Ou amamos a Cristo ou amamos as coisas desta vida. Por isso, Jesus encoraja o discípulo a olhar para frente, sempre avançando, sempre perseverando, sempre persistindo, sempre mantendo o foco.

Em 2 Timóteo 2.4 Paulo assim diz: “Ninguém que milita se embaraça com negócio desta vida, a fim de agradar àquele que o alistou para a guerra”. Em uma metáfora militar, o apóstolo está tratando daquilo que deve ser um objetivo definido e prioritário na vida cristã. Como bons soldados de Cristo, devemos reconhecer o nosso chamado e nisso ficarmos empenhados, ou seja, focados.

Feitas essas considerações, devemos pensar e reconhecer o que tem atrapalhado a nossa vida espiritual. Numa época em que as coisas estão acontecendo num ritmo acelerado e estamos sempre sendo exigidos a fazer mais, que possamos manter o foco. Como diz o hino sacro: “Escuta a voz do bom Jesus: Segue-me, vem, segue-me”. E que a nossa resposta seja: “Sim, meu Jesus, Te seguirei… Por Ti eu tudo deixarei”. Amém!**

Pr. Adriano Xavier Machado
PIB em Fátima do Sul, MS

* RAINER, Thom S. & GEIGER, Eric, Igreja Simples – Retornando ao processo de Deus para fazer discípulos, Tradução de Hilton Figueiredo, Brasília, DF, Palavra , 2011, p. 53.

** Artigo publicado originalmente em http://vigiai.net/artigos/adriano-xavier-a-vida-crista-e-como-uma-caminhada

Atividade Física e Espiritualidade


Por incrível que pareça, na mente de muitas pessoas não há como a atividade física e a espiritualidade caminharem de mãos dadas. Pois semelhantemente ao gnosticismo do tempo dos apóstolos, pensam, que o espírito é bom, mas a matéria é má.

Para muitos, tudo o que diz respeito ao corpo é vaidade, é carnalidade e até mesmo pecado. Por isso, quando tratam da atividade física, do esporte ou jogos desportivos, lembram insistentemente que o apóstolo Paulo ensinou que “o exercício corporal para pouco aproveita”.

Observemos bem: o apóstolo não está dizendo que não tem nenhum proveito, mas que para pouco se aproveita. E por que ele diz isso? Porque o exercício físico é somente para esse tempo, isto é, o seu lucro é apenas para essa vida. E será que existe algum problema nisso?

Já pensou, por exemplo, alguém deixar de escovar os dentes só porque não terá com isso qualquer tipo de recompensa espiritual? Certamente, o aperfeiçoamento do corpo, não significa o aperfeiçoamento do espírito.

Contudo, não significa que o aperfeiçoamento do corpo seja algo inútil. Assim como devemos cuidar dos dentes, devemos cuidar das nossas unhas, dos nossos cabelos, dos nossos olhos, de nossa pele e do nosso corpo como um todo.

Conforme um artigo o “sedentarismo é mais perigoso para a saúde do que a obesidade”(1). O sedentarismo “traz o aparecimento de doenças como a hipertensão, doenças respiratórias, diabetes, aumento de colesterol, infarto e também distúrbios cardíacos”(2).


Bem, não pretendo apresentar aqui nenhuma espécie de relatório que aponte para todos os benefícios da atividade física ou mesmo algo que denuncie todas as consequências da falta de atividade física. Mesmo porque há muitos programas televisivos e artigos de revistas e jornais que já cumprem muito bem esse papel de informar sobre o assunto.

No entanto, ainda temos dificuldade em aceitar o cuidado do corpo como um assunto importante e necessário para o desenvolvimento da vida. Afirma-se que mais de 60% da população brasileira não pratica qualquer atividade física. E o que dizer sobre isso no contexto evangélico?

É, parece que a porcentagem acentua muito. Pois, há um pensamento religioso de que tudo o que não diz respeito ao espírito é mera vaidade. Quem nunca ouviu, por exemplo, de que crente não joga futebol? Ou quem nunca se surpreendeu com um pastor entrando em uma academia, digo não para evangelizar, mas para se exercitar?

Esse tipo de paradigma precisa ser quebrado. E isso tem que começar pela Igreja do Senhor.

Claro, devemos ter muito cuidado com o culto ao corpo. Vivemos numa época em que mulheres querem ter corpo de modelo e homens corpo de fisiculturista custe o que custar.

Assim, temos visto moças com problemas de anorexia ou bulimia e rapazes até fazendo uso de medicação veterinária para terem seus corpos transformados.

Mas fora esses exageros, fazer atividade física é muito saudável. Alguma dúvida ainda quanto a isso?

Além dos benefícios para a saúde física, há também os benefícios para a saúde psicológica, em termos de disciplina, foco, determinação, humor, socialização etc.

Então, não percamos mais tempo, vamos suar, vamos malhar. Só não nos esqueçamos daquilo que o apóstolo Paulo recomendou: “Portanto, quer comais quer bebais, ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para glória de Deus”.

Tudo o que fizermos deve ser para a glória do Senhor, inclusive, a prática da atividade física.

Charles Swindoll afirma que “Deus deseja que você encare todas as coisas como um ato de adoração”.

Portanto, quer caminhando ou nadando, correndo ou pedalando,levantando halteres ou se alongando, jogando vôlei ou surfando, seja como for, tudo pode ser um perfeito ato de adoração a Deus, tal como alguém toca piano, teclado ou violão.

Penso que depois de toda essa abordagem nem preciso dizer que pratico atividade física. Ah, sim, não sou só de falar, sou de fazer também. E digo mais, a atividade física não me atrapalha em nada no meu relacionamento com Deus. A Ele toda honra e glória, hoje e para sempre, amém.

Pr. Adriano Xavier Machado


(2) http://www.infoescola.com/saude/sedentarismo/


Gratidão


Se alguém me perguntasse o que na minha opinião demonstra a verdadeira espiritualidade, eu diria que é a gratidão. Pode parecer estranha essa minha resposta, não é mesmo?

Paulo, por exemplo, diz que três coisas permanecem: a fé, a esperança e o amor. Ele diz ainda que o amor é o maior de todos. Por que então eu diria que a gratidão é a melhor demonstração de espiritualidade?

Certamente, não discordo do apóstolo. O amor é tudo. Sem amor não há evangelho, não há esperança, não há salvação. A própria Bíblia ensina que Deus é amor.

No entanto, diria que a gratidão é a melhor demonstração de espiritualidade, porque somente quem é grato é capaz de amar. Ou seria, somente quem ama é capaz de ser grato?

Seja como for, ainda insistiria na gratidão. Cada dia me convenço mais o quanto precisamos ser gratos por tudo o que Deus tem sido em nossas vidas e por tudo o que Ele tem feito.

Somos ricamente abençoados por Deus. Repito, somos abençoados.

Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo”.

Contudo, muitas vezes nos esquecemos disso. Então murmuramos, reclamamos e lamentamos. O sentimento muitas vezes é que nada está bom.

O problema de tudo é a ingratidão. Temos muita dificuldade em reconhecer as maravilhas que Deus tem feito em nosso favor. Mas, lembremo-nos onde nos encontrávamos.

Antes estávamos perdidos, desorientados, sem rumo, sem luz, sem alegria e sem salvação. Hoje? Ah, hoje somos de Jesus. Hoje somos livres do poder e da condenação do pecado.

Portanto, agora, nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, que não andam segundo a carne, mas segundo o espírito”.

Decerto, o Senhor Jesus fez algo maravilhoso e poderoso por nós. E isso nos alegra. Isso nos motiva. Isso nos deixa em espírito de louvor e gratidão.

É, de fato, há uma dimensão de poder e graça na gratidão. Portanto, não percamos mais tempo.

Louvai ao Senhor... Cantai-lhe, cantai-lhe salmos... gloriai-vos no seu santo nome; alegre-se o coração daqueles que buscam ao Senhor”.

Regozijai-vos sempre... Em tudo dai graças; porque está é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco”.

Entende agora por que insisto na gratidão como verdadeira manifestação de espiritualidade?

O ingrato nunca reconhece o bem que lhe é feito. Portanto, o ingrato não reconhece o amor, a graça, a misericórdia ou ainda as maravilhas que lhes são concedidas pelo Senhor.

O grato, por sua vez, reconhece: “Grandes são as obras do Senhor, procuradas por todos os que nelas tomam prazer”. Portanto, sejamos gratos!!!

Pr. Adriano Xavier Machado

Decida Amar



Pelo amor fomos alcançados, libertos do poder do pecado e verdadeiramente salvos. Diante de tão grandioso, poderoso e maravilhoso amor, como não amar?

Mesmo sem merecimento algum, Jesus nos amou. Ele entregou a Sua vida por nós. Ele fez de tudo para ser o nosso Salvador. Em nome do perfeito Amor, tomemos a decisão de amar!

Ainda que o ódio nos cerque, ainda que o mal nos ameace, ainda que só haja injustiça, enfim, ainda que a crueldade nos pressione e nos oprima, que a nossa escolha seja amar!

Deus é amor. E só consegue amar quem é d'Ele. Quem anda e vive em amor, certamente conhece o Deus de amor. Portanto, amemos. Amemos de coração. Amemos de verdade.

Amar é ser de Deus. Amar é conhecer a Deus. Amar é experimentar milagre de Deus.

Aí está o mistério ou o poder do amor: liberta-nos de toda amargura e sombras escuras da alma.

Sim, o amor é luz. O amor é a força do viver. Tudo fica mais leve e 
suave com a graça do amor. O amor cura as feridas. O amor tudo constrói.

Vejamos o exemplo de Jesus. Pendurado no madeiro, rodeado de ódio e injustiça, Ele decidiu amar: “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem”. 

Jesus não praguejou, Jesus não amaldiçoou, mas, simplesmente amou.

Vejamos, também, o exemplo de Estevão. O que ele havia feito de errado? Nada! Por dar testemunho de sua fé, foi rejeitado e apedrejado. Sua reação? “Senhor não lhes imputes este pecado”.

Jesus escolheu amar. Estevão decidiu amar. E eu e você?

Mas, se andarmos na luz, como ele na luz está, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo o pecado”.

Conhecemos a caridade nisto: que ele deu a sua vida por nós, e nós devemos dar a vida pelos irmãos”. 

Se alguns preferem fazer bico, deixar de falar com o outro, levantar a voz, fazer cara feia, vingar, xingar ou ainda prejudicar, quanto a nós, entreguemos tudo a Deus no amor de Jesus.

Amai os vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam, e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem”, orienta-nos Jesus.

Por que isso? Porque o crente deve decidir pelo amor.

O amor é libertador. O amor é renovo. O amor é poder. O amor é bênção. O amor é vida!

Senhor, ajuda-nos em nossa fraqueza. Que possamos estar transbordando do Seu amor. Que o amor seja o nosso lema, a nossa marca, a nossa força, a nossa vitória e o alicerce de tudo o que somos e fazemos. Assim demonstraremos Deus em nossa vida. Amém!!!

Pr. Adriano Xavier Machado






Apenas Confie



Confia em Deus. Não é preciso muito mais do que isso. Certa vez, Jesus argumentou: Não te hei dito que, se creres, verás a glória de Deus?”. Portanto, apenas confie. Deus não falhará.

O motivo da nossa ansiedade é a falta de fé. Quando deixamos de confiar, temores, preocupações e angústias tomam conta de nosso ser. O segredo é apenas confiar. E confiar de todo coração.

O apóstolo Paulo lembrava: “Mas o justo viverá da fé”. Portanto, não é apenas ter fé, mas viver da fé. O ter é diferente do viver. Alguém pode ter e não desfrutar. Mas, aquele que vive é o que pratica.

Diante dos desafios da vida devemos praticar a fé. A verdade é que isso nem sempre é fácil. Contudo, se temos conhecido a Deus, tomaremos a decisão da fé, isto é, ousaremos confiar.

Confia do Senhor as tuas obras, e teus pensamentos serão estabelecidos”. Em toda parte das Escrituras o desafio é o mesmo. Então, sigamos o caminho descansando e confiando em Deus.

Confia no Senhor e faze o bem; habitarás na terra, e verdadeiramente serás alimentado”. Tão simples assim, contudo, complicamos tanto. Quase sempre achamos que temos de fazer mais.

Confia no Senhor de todo o teu coração, e não te estribes no teu próprio entendimento”. Ah, mas como é difícil crucificar o próprio ego, a própria sabedoria ou ainda as razões pessoais.

Muito do nosso embaraço é pelo fato de continuarmos crendo no nosso próprio pensamento. Acreditamos que podemos ter controle de todas as circunstâncias. Porém, é aí que fracassamos.

Não precisamos ter todas as respostas. Não precisamos estar à frente de tudo. Não precisamos ter todos os recursos. Não precisamos ser os mais sábios ou os mais capacitados.

Mas uma só, é necessária”, tomando emprestadas as palavras de Jesus. Uma só coisa é suficiente: Não temas; crê somente”. Há apenas uma exigência, porque “sem fé é impossível agradar-lhe”.

Ajuda-nos a confiar Senhor. Que possamos aceitar o que Jesus nos ensinou: Não se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em mim”. Que assim seja para o louvor de Sua glória!

Pr. Adriano Xavier Machado

Pedalando e Perseverando


Pedalar é uma atividade física muito prazerosa. É muito bom sentir o vento, ter a sensação de liberdade, superar desafios e conquistar novos objetivos. Mas, pedalar, também, tem as suas dificuldades, os seus riscos e até os seus dissabores. Aliás, tudo na vida é assim: tem o seu momento de alegria e tem o seu momento de tristeza.

Ainda me lembro quando estava aprendendo a pedalar. Era apenas uma criança querendo brincar com um presente novo. Mas, foram muitas as quedas e os arranhões. Apesar de tudo nunca desistia. Levantava-me do chão, verificava o estado da bicicleta - ficava mais preocupado com a bicicleta do que com a minha integridade física - e lá estava eu novamente pedalando, divertindo-me e passeando com o meu “brinquedinho”. 

A vida pode ser comparada ao ciclismo. Nem sempre é fácil se equilibrar. Nem sempre é fácil prosseguir. Às vezes, os tombos são inevitáveis e as feridas logo aparecem. Contudo, não devemos desistir. “Porque para mim tenho por certo que as aflições deste tempo presente não são para comparar com a glória que em nós há de ser revelada” (Romanos 8.18). 


O apóstolo Paulo reconhecia as “aflições deste tempo presente”. Ele não era um cristão inocente ou inexperiente, mas, um cristão vivido, amadurecido e muito realista. Ele mesmo já tinha passado por muitas dificuldades, muitos sofrimentos e derramado muitas lágrimas, mas, apesar de tudo, podia dizer: “para mim tenho por certo”. 

Paulo tinha uma certeza. Ele sabia da dimensão limitada e passageira dos problemas da vida, quando comparada com a dimensão eterna e inesgotável da glória celestial. É essa certeza que fortalece a nossa fé. A glória que em nós há de ser revelada é o que nos motiva, o que nos faz prosseguir e persistir. 

Se olharmos apenas para este século e para os problemas desta vida, não haverá esperança alguma. Por isso o apóstolo tinha a sua visão, não apenas para o “tempo presente”, mas, também, e principalmente, para a “glória que em nós há de ser revelada”. Portanto, se é só para esta vida que esperamos em Cristo, somos de todos os homens os mais dignos de lástima. Mas na realidade Cristo foi ressuscitado dentre os mortos, sendo ele as primícias dos que dormem” (1 Coríntios 15.19, 20). 

Se sabemos qual é o nosso verdadeiro rumo e o nosso verdadeiro lugar, sem dúvida, teremos o mesmo sentimento do apóstolo Paulo. A vida hoje até pode ter as suas tristezas, as suas lágrimas e as suas decepções, mas, um dia tudo isso vai acabar. A glória prevalecerá. Logo, o que devemos fazer? Parar de pedalar? Parar de prosseguir? 

Hoje, já adulto, tenho mais domínio sobre a biclicleta. Até arrisco algumas manobras mais ousadas. Quantos aos tombos, bem, não são tão frequentes. O condicionamento físico vai melhorando e a aventura continua. Já pensou se eu tivesse desistido no início de tudo? Então, por maior que seja o desafio, nunca devemos desistir. Com certeza “as aflições deste tempo presente não são para comparar com a glória que em nós há de ser revelada”. Amém! 

Pr. Adriano Xavier Machado

Escrever Para Transformar


Depois de alguns meses sem escrever, agora estou retomando esse prazeroso ofício. Assumi um novo ministério, mudei-me para uma nova cidade e precisei fazer alguns ajustes inerentes a essa nova realidade. Até tentei escrever alguma coisa. No entanto, a produção foi mínima, bem reduzida mesmo. Agora que a poeira baixou um pouco, digo isso no seu melhor sentido, posso voltar com maior liberdade a fazer aquilo que já vinha fazendo com tanta alegria, ou seja, brincar com as palavras, viajar no universo do pensamento e, acima de tudo, esforçar-me na graça do Senhor para fazer considerações que edificam e transformam vidas.

O primeiro milagre de Jesus foi transformar água em vinho. A mudança que ocorreu com a água foi tremenda. Assim, de certo modo, vidas podem ser transformadas com uma leitura. Albert Einstein já dizia: “A mente que se abre a uma nova ideia jamais voltará ao seu tamanho original”. Famosa também é a afirmação de Mario Quintana: “Livros não mudam o mundo, quem muda o mundo são as pessoas. Os livros mudam as pessoas”. De fato, tudo se transforma no interior de uma pessoa que lê. A sua percepção muda. O seu modo de ver o mundo ou a vida passa a ter outro significado.

Transformar é mudar. Quando a lagarta se transforma em borboleta, tudo muda. O que antes rastejava, passa a voar. Pensando na capacidade intelectual ou no desenvolvimento da fé, por que rastejar quando se pode voar? É certo que o processo de mudança não é um processo fácil. É preciso sair do comodismo e da alienação. É preciso rasgar e sair do casulo da indiferença. Mas, por mais difícil que seja, a recompensa de poder voar em novos mundos e de poder viajar por novos horizontes do pensamento, faz valer a pena.

Eu mesmo já fui recompensado com inúmeros artigos, pesquisas, poesias, biografias e meditações. O primeiro livro que me fez voar e me fez chegar às alturas, foi a Bíblia. A vida de Jesus falou muito ao meu coração. O relato dos Atos dos Apóstolos acabou me dando uma grande paixão missionária. O Apocalipse me fez amar a vinda do Senhor, quando, então, os crentes reinarão com Ele para sempre. Já quanto as biografias dos missionários, ajudaram-me a entender que realmente podemos ter um viver diferente, isto é, consagrado a Cristo e a Sua obra. Para mim, a leitura só foi motivo de edificação, bênção e inspiração.

A Palavra de Deus nos orienta a estarmos pensando “nas coisas que são de cima, e não nas que são da terra”. Escrever para mim tem que ter esse propósito, esse rumo e esse mesmo sentimento. São as coisas de cima que alimentam a alma e dão sentido à vida. Portanto, não escrevo simplesmente por escrever. Escrevo para fixar melhor as coisas de Deus no meu pensamento e no meu coração. Escrevo para abençoar e, assim, ser abençoado. Escrevo, porque escrever é uma arte e um dom.

Escrever é uma arte, pois exige preparo, técnica e criatividade. Sem certo domínio da gramática, da ortografia, da produção textual e do pensamento inovador, a mensagem não fica esclarecida, muito menos ainda, envolvente. Escrever é um dom, porque está na pessoa, no seu sangue. Para o verdadeiro escritor, o ato de escrever é a sua paixão. Claro, não digo dom no sentido bíblico ou teológico, mas aquele talento natural que, parece que já nasce com a pessoa. É como o jogador de futebol que tem tanta habilidade, que parece que nasceu com a bola nos pés. Quem tem o dom de escrever, não fica brigando com as palavras nem com as ideias.

Bem, desejo continuar escrevendo. Escrever para abençoar, escrever para edificar, escrever para transformar, quer seja como arte, quer seja como dom. Uma vez Judas, não o traidor, mas, o “servo de Jesus Cristo, e irmão de Tiago”, procurou escrever “com toda diligência acerca da salvação comum”. Por fim, ele entendeu que deveria escrever algo sobre o “batalhar pela fé que uma vez foi dada aos santos”. O importante, quer falando ou escrevendo, seja como arte, seja como dom, é combater com diligência pela fé redentora que há em Cristo. Deus seja louvado!

Pr. Adriano Xavier Machado