Cristo Sim, Denominação Religiosa Não?

Em muitos momentos de minha caminhada cristã e ministerial, tenho escutado alguns comentários sobre a denominação religiosa com um tom pejorativo. Para alguns ela não passa de uma estrutura política, invenção de homens para a dominação dos mais fracos ou como alguns dizem, "um mal necessário". É verdade que Jesus edificou a Igreja, estabeleceu o Corpo dos santos e nos fez um só Povo. Em nenhum momento no Novo Testamento vemos Jesus ou os apóstolos designando alguma denominação religiosa. Essa história, por exemplo, de que Pedro foi o primeiro Papa da Igreja Católica é conversa para enganar os incautos. Nem Jesus ou mesmo os apóstolos criaram alguma denominação religiosa. A obra de Jesus e os ensinos dos apóstolos apontam para a Igreja invisível e universal, constituída por todos os crentes lavados pelo Sangue do Cordeiro de todos os tempos e lugares.

Mas é verdade que, historicamente, a primeira denominação religiosa cristã que teve reconhecimento oficial é a Igreja Católica, o que ocorreu no quarto século com o imperador romano Constantino. Antes disso era possível encontrar partidos teológicos diversos. No próprio Novo Testamento vemos algo nesse sentido quando alguns diziam que eram de Paulo, outros de Apolo, outros de Pedro e outros de Cristo (1 Coríntios 1.12). Obviamente que essas divisões foram contestadas pelo apóstolo Paulo. O projeto do Reino nunca foi seguir nessa direção da rivalidade, da competição e do partidarismo. No entanto, onde há agrupamento de pessoas ali há diferenças de pensamento, de conceitos e ideias. Algumas dessas diferenças não prejudicam em nada a unidade do Corpo, aliás, só enriquecem. Outras, porém, não permitem mesmo muito estreitamento.

As denominações religiosas existem principalmente por causa das diferenças doutrinárias, litúrgicas e teológicas. Martinho Lutero, por exemplo, não pretendia ser o fundador da Igreja Luterana. Mas, o que ele ensinava era tão  distante do que o catolicismo pregava que, querendo ou não, acabou estando à frente de um movimento que levou o seu nome. A Igreja Anglicana passou a existir muito mais por uma decisão política, quando o rei Henrique VIII  desejava o divórcio com Catarina de Aragão para poder se casar com Ana Bolena. Mas, em geral, as cisões acontecem por motivos conceituais, no campo das ideias, por diferenças de pensamento e entendimento a respeito das Escrituras Sagradas. Obviamente não deveria ser assim. Todavia, é o que tem acontecido. E creio que devemos saber lidar com isso da melhor forma possível.

Pensando mais especificamente na Denominação Batista, lembro que ela tenta reunir princípios e doutrinas bíblicas que mais se aproximam do ensinamento de Jesus. Com isso não estou dizendo que ela é a única certa. É óbvio que cada denominação religiosa acredita que melhor se aproxima ao ensinamento bíblico. Aí entra a democracia, a liberdade de escolha de cada indivíduo para se unir a uma igreja e, consequentemente, a uma denominação religiosa. Pelo menos em nossa atual conjuntura política ocidental, ninguém é forçado, obrigado ou imposto a seguir uma determinada religião. No entanto, cada denominação religiosa defende o que acredita a respeito da fé e das Escrituras Sagradas. E cada indivíduo tem liberdade de fazer a sua escolha por Jesus, e também por uma denominação religiosa. A propósito, haver tantas denominações religiosas cristãs não é problema. O problema é a falta de compaixão, respeito, cooperação, diálogo, paciência e fraternidade.

Não obstante, o comprometimento denominacional não é um mero capricho. Antes é lutar por aquilo que se acredita em termos de fé e doutrina bíblica. Mas, quem quer fazer o que quer, quem não gosta de prestar contas, quem acha que está sempre certo e principalmente quem não compreende a razão de ser uma denominação religiosa, vive desprezando tal comprometimento. Reconheço que toda denominação religiosa tem as suas falhas, inclusive, a batista da qual faço parte. Todavia, isso não me espanta nem me desanima em nada. Como disse certa vez Boris Casoy "onde está o homem ali está o erro". Mas, se não conseguimos lidar com os de "casa", como então saberemos lidar com os de "fora", ou seja, com os de outras denominações cristãs? O amor que não alcança a todos, na verdade é o amor que não alcança ninguém. Se não conseguimos amar o que é nosso, não conseguiremos amar o que é dos outros.

Para deixar clara a proposta deste artigo, não sou denominacionalista. Não estou engessado nem amarrado com nenhuma tradição ou sistema religioso vazio e sem sentido. Sou cristão, prego Jesus e amo tudo o que Ele é, fez e ensinou. Porém, não tenho dificuldade nenhuma para respeitar, valorizar e me comprometer com a minha denominação religiosa. Se a sabedoria popular reconhece que "uma andorinha só não faz verão", por que eu iria acreditar que sozinho, sem a ajuda de meus irmãos na fé, tanto no sentido de igreja local e mesmo no aspecto denominacional, posso fazer algo relevante a favor do Reino? Não creio na vida cristã isolada. Porque estamos unidos denominacionalmente é que inúmeras igrejas estão sendo plantadas no Brasil e no mundo. Creio que podemos fazer muito mais como denominação. Penso, por exemplo, que podemos ter um programa de televisão que faça a diferença em nossa Nação. Mas, para isso e muito mais é preciso o comprometimento de todos. Como afirmou Ed René Kivtiz: "A salvação em Cristo é pessoal, a vida cristã é comunitária e no Cristianismo nada é individual". Portanto, Cristo sim, porque só Ele salva. Quanto a denominação religiosa também sim, para que unidos possamos fazer muito mais para a glória de Deus.

Pr. Adriano Xavier Machado

Celebrei o Natal... Jesus me Salvou

Celebrei o Natal. Cantei hinos e li textos sobre o nascimento de Jesus. Sei perfeitamente que Ele não nasceu no dia 25 de dezembro. Sei que no passado a idolatria era incentivada nessa data. Mas, onde está na Bíblia que essa data é pagã? Todos os dias foram criados pelo Senhor. Se o diabo usava o dia 25 de dezembro para os seus propósitos, hoje a Igreja usa para a glória de Deus, porquanto, a Igreja anuncia que nasceu o Messias prometido. A Igreja proclama que Jesus é a verdadeira Luz do mundo. 

Celebrei o Natal. Não a magia, mas o autêntico Natal. A magia é o Papai Noel com o seu trenó e sua famosa risada: ho, ho, ho, ho. A magia é aguardar presentes em meias penduradas, acreditando que o Papai Noel desce pela chaminé ou passa pelo buraquinho da fechadura. Assim me ensinaram quando criança. Mas, a verdade é Jesus. Verdade que me liberta de qualquer pecado e maldição, e que enche a minha vida de alegria e amor todos os dias do ano. Se houve um tempo que fui enganado com os costumes dos povos, esse tempo já acabou, Jesus me libertou, Jesus me salvou. "A noite já passou, a aurora já raiou; O negro e denso véu de todo se rasgou. Dos montes através o brado ressoou: Nasceu o Redentor".

Celebrei o Natal. Mas, alguns dizem que eu não devia ter feito isso. Com o argumento que usam, daqui a pouco terei que ter um outro calendário, pois o que existe não tem origem bíblica. Os dias e meses do ano, tal como os conhecemos, vêm de antigas culturas pagãs. Também não será surpresa para mim quando cristãos defenderem o sábado para o culto e serviço a Deus, pois foi apenas em 321 que Constantino "trocou o dia do repouso de Sábado para Domingo". Pensando bem, acho que até vou ouvir alguém dizendo por aí que o nome do Estado de Santa Catarina é maldito e, que por isso esse nome não deverá sair dos meus lábios. Contudo, ainda que alguém venha ensinar assim, estou seguro. Tenho a cobertura do precioso sangue de Jesus.

Celebrei o Natal. Sim, em espírito e em verdade, mas com minhas limitações humanas, culturais e tradicionais. Confesso que gostaria muito de saber qual o dia exato que Jesus nasceu. Mas, ainda bem que eu não sei nem mesmo você querido leitor, para que a nossa glória seja apenas Ele. Quanto ao dia e ao mês isso não importa de fato. O que conta mesmo é Ele. O que faz a diferença é Ele. Jesus é o perfeito Natal. Jesus é a razão do Natal. Se Ele não tivesse vindo, com certeza, para nós do Ocidente, o dia 25 de dezembro só seria mais um dia como outro qualquer. Assim como a Sua vinda dividiu a História em Antes e Depois de Cristo (e isso também não está na Bíblia), Ele mudou o significado do dia 25 de dezembro. "Ó povos, exultai! Nações, ó jubilai. Eis finda toda a dor, jamais se dá um ai; A virgem deu à luz; a Deus glorificai! Nasceu o Redentor!"

Celebrei o Natal. Não fiquei melhor nem pior por isso. Não guardo dias, meses, tempos nem anos. A Bíblia nos ensina claramente: "Estai, pois, firmes na liberdade com que Cristo nos libertou, e não torneis a colocar-vos debaixo do jugo da servidão" (Gálatas 5.1). Celebrei o Natal porque fiz essa escolha. Não fiz por mim nem por qualquer outra pessoa, mas, apenas por Jesus que é digno de todo louvor, honra e glória. Em meu coração há uma canção. Aprendi em uma época quando conheci o verdadeiro Natal: "Nasceu o Redentor! Nasceu o Redentor! O Eterno Pai do céu seu Filho ao mundo deu. Alerta, ó terra entoa a nova alegre e boa: Nasceu o Redentor!". "Glória a Deus nas alturas, e paz na terra aos homens aos quais ele concede o seu favor"(Lucas 2.14 - NVI). Aleluia, celebrei o Natal, pois, Jesus me salvou!

Pr. Adriano Xavier Machado

A Vida e a Arte de Escrever

A vida é como a arte de escrever. Há muitas possibilidades, movimentos e direções. Com as letras podemos formar palavras, frases, parágrafos, histórias e o que der na imaginação. Com a vida não é muito diferente. Cada vida é uma sentença. Cada vida é uma história. Lembro-me que quando criança ficava ouvindo do meu avô paterno os seus contos. Tudo aquilo encantava a minha mente e os meus pensamentos. Tal como um livro, a vida do meu avô me impressionava. Assim, eu e você temos as nossas histórias. Eu e você ainda estamos escrevendo o nosso roteiro. Portanto, que cada história de vida siga a direção certa, sendo redigida e orientada pelo Senhor, o autor e consumador da fé.

A vida é como a arte de escrever. Nem sempre a conjugamos adequadamente. Nem sempre a pontuamos corretamente.
Às vezes, quando releio alguns dos meus textos, acabo percebendo alguns tropeços gramaticais. Apesar de me oferecer certa dor, com o erro, nunca desisto, mas, antes insisto, nunca resisto a oportunidade de aprender e melhorar. Aliás, já aprendi que todo bom texto, na verdade, já passou pelo processo de revisão e correção. Com a vida também deveria ser assim. Nem sempre acertamos em um primeiro momento, mas, em cada tropeço, recomeçamos e tentamos novamente. Parafraseando um pensamento, o errar é do homem, mas o corrigir é de Deus.

A vida é como a arte de escrever. Nem sempre ela é devidamente compreendida. Nem sempre ela é facilmente correspondida. Cada mente tem o seu universo. Cada coração tem a sua própria cosmovisão. Ao elaborar um texto, procuro fazer com que todos entendam o que escrevo. Algumas vezes sou feliz nesse objetivo, mas, outras, não. Nem tudo o que eu desenvolvo é devidamente absorvido ou devidamente apreciado. Alguém já disse que nada é mais "difícil do que expressar pensamentos significativos de modo que todos os compreendam". A vida também é assim. Nem sempre somos bem interpretados. Todavia, podemos e devemos continuar escrevendo a nossa história. Deus, aquele que não vê a aparência, mas, o coração, sonda todas as intenções e conhece todas as motivações.

A vida é como a arte de escrever.
Com o texto temos a oportunidade de tocar a vida de alguém. Eu mesmo em muitas leituras já sorri, chorei, sonhei e me emocionei. A nossa vida também é assim, ela nunca passa em branco. De algum modo estamos transmitindo uma mensagem, comunicando algo para a vida de alguém. Não é por menos que se diz que "responsável é você pelo que cativou". A questão é como estamos vivendo. A nossa vida é motivo de sorriso, paz e alegria? Algumas histórias nos fazem chorar, outras nos fazem sonhar. Portanto, como estamos vivendo? Jesus disse que somos o sal da terra e a luz do mundo. Que possamos dar sabor, e, não, dissabores. Que possamos iluminar, fazendo da vida como a arte de escrever, a arte de promover fé e esperança.

Ah, ainda não terminei. Se a vida é como a arte de escrever, quero continuar vivendo, quero continuar escrevendo. Isso significa que preciso estar sempre me empenhando e me dedicando. Escrever não é uma tarefa fácil. Viver também não é tão simples assim. Escrever sem qualquer compromisso com as regras gramaticais é uma coisa, mas escrever conforme a norma culta é outra. Igualmente, viver de qualquer jeito é uma coisa, mas viver com princípios é completamente diferente. Eu decido pelo melhor, pelo mais difícil, todavia, pelo mais gracioso, lógico e coerente. Com perseverança, chego lá. Você também consegue. Acredite. A vida é como a arte de escrever.

Pr. Adriano Xavier Machado


Meu Compromisso no Ministério

Recentemente completei 17 anos de ministério pastoral. Isso me tem feito pensar sobre a minha vocação e chamada. Provavelmente tenho passado por aquele tempo de avaliação e reavaliação. Sinceramente, vejo que ainda tenho muito para aprender. E graças a Deus, ainda me sinto como um garoto cheio de disposição e disciplina para estudar, conhecer, ouvir, ler e me aperfeiçoar. Vivas e desafiadoras são para mim as palavras de um obreiro que ressaltou em sua larga experiência ministerial: "Por cujo motivo te lembro que despertes o dom de Deus que existe em ti pela imposição das minhas mãos" (2 Timóteo 1.6). Quero continuar despertando o dom que há em mim. Mas, algo está muito claro no meu coração: Deus me chamou para apascentar vidas. Entendo que o pastor é aquele que conduz o rebanho aos pastos verdejantes, onde as ovelhas são nutridas com alimento fresco e saudável da Palavra do Senhor.

O apóstolo Paulo escrevendo a um jovem obreiro disse: "se alguém deseja o episcopado, excelente obra deseja" (1 Timóteo 3.1). Sem dúvida, o ministério da Palavra é uma verdadeira honra. Não me arrependo em ter deixado o sonho de seguir uma carreira militar, para ser um pregador do evangelho. De fato, é um enorme privilégio estar envolvido direta e integralmente na obra do Senhor. No entanto, há a recomendação bíblica para que "muitos de vós não sejam mestres, sabendo que receberemos mais duro juízo" (Tiago 3.1). Ser pastor não é brincadeira, não é uma opção de carreira profissional nem uma questão de status social. Ser pastor é verdadeiramente atender a um chamado divino para apascentar o rebanho de Deus. O pastor não é aquele que faz show no púlpito para ganhar a atenção e o reconhecimento dos homens. O pastor chamado por Deus não vive de aplausos ou holofotes, mas, sim, com o sincero objetivo de servir vidas através do ensino e da pregação da Palavra de Deus.

Ao estudarmos sobre os grandes avivamentos e despertamentos, percebemos sempre a Igreja se dedicando à pregação da Palavra de Deus. Sim, a oração nunca é ignorada, mas também nunca a Palavra de Deus. "Não podemos ler a história da igreja, mesmo de forma superficial, sem perceber que a pregação sempre ocupou posição central e predominante na vida da igreja, particularmente no protestantismo", articulou D. Martyn Lloyd-Jones. A pregação é tão importante na vida da Igreja que, o apóstolo Paulo insistiu: "Que pregues a palavra, instes a tempo e fora de tempo, redarguas, repreendas, exortes, com toda a longanimidade e doutrina" (2 Timóteo 4.2). Para o apóstolo, a pregação tem que ser uma constância no ministério, tem que ser vivida, tem que ser a base para orientação e capacitação do Povo de Deus, tem que ser praticada com determinação e profundo conhecimento bíblico. Não é pregar qualquer coisa ou sobre qualquer assunto, mas "a palavra" de Deus.

Mas, lamentavelmente, muitos púlpitos não refletem mais o comprometimento bíblico. Há "pregações" inteligentes, dinâmicas e criativas, porém, muitas vezes sem o respaldo da Palavra do nosso Deus. São "pregações" semelhantes aos discursos de autoajuda ou de técnicas de gerenciamento pessoal ou de recursos humanos. Não é algo que leva à dependência de Deus e à fé em Jesus Cristo, e, sim, a uma receita bem elaborada, disfarçada de espiritualidade por causa de alguns clichês religiosos. Talvez seja por isso que há muitos crentes dependentes de certas frases feitas e repetitivas para continuarem "animados" e "comprometidos" no serviço do Senhor. Sem alimento adequado, o rebanho de Deus fica fragilizado, debilitado, sem a força do Espírito Santo para continuar prosseguindo no propósito do Reino. Se é assim, então eu quero mesmo ser um homem da Palavra, que viva sem restrições a Palavra de Deus. "Em Deus louvarei a sua palavra; no SENHOR louvarei a sua palavra" (Salmos 56.10).

O desejo de um autêntico pastor é: "que ele cresça e que eu diminua" (João 3.30). Isso acontece quando o pastor não fala de si mesmo, mas daquele que o chamou, isto é, Cristo Jesus. Por isso a importância de se conhecer, amar e ensinar a Sua Palavra. Paulo lembra a Timóteo: "Persiste em ler, exortar e ensinar" (1 Timóteo 4.13). O ministério pastoral só existe quando o pastor está apascentando vidas segundo a orientação do evangelho. Um pastor pode lidar bem com burocracia, documentos, leis, dinheiro, departamentos etc, mas se não sabe lidar com vidas pela Palavra de Deus, poderá ser tudo, menos pastor de fato. Jesus sendo o exemplo maior, deixou-nos a seguinte indicação de um autêntico ministério pastoral: "Eu sou o bom Pastor; o bom Pastor dá a sua vida pelas ovelhas" (João 10.11). Jesus deu a sua vida por nós de acordo com a vontade do Pai. Tudo o que Ele fez foi segundo as profecias. Em nada Jesus contrariou a Palavra de Deus. Assim, deve ser o ministério pastoral, ou seja, segundo a Palavra de Deus.

Bem, diante de tudo isso, quero renovar a minha aliança com a Palavra. Quero aprender mais da Palavra. Quero poderosamente viver a Palavra de Deus. No ministério posso seguir por muitos "caminhos", os que estão na moda ou mesmo os que já se encontram esquecidos, contudo, decido pela Palavra. Não preciso de novidades baratas nem de invenções de homens. Acredito que o evangelho de Jesus é poderoso para salvar. Creio que a Palavra de Deus nunca falhará. "Assim será a minha palavra, que sair da minha boca; ela não voltará para mim vazia, antes fará o que me apraz, e prosperará naquilo para que a enviei" (Isaías 55.11). Todo modismo passa. Tudo o que é do homem um dia acaba. "Mas a palavra do Senhor permanece para sempre" (1 Pedro 1.25). Aleluia, na Palavra estou seguro. Na Palavra tudo o que Deus diz a meu respeito se cumprirá. Logo, o meu compromisso no ministério é com a Palavra de Deus. E o seu?

Pr. Adriano Xavier Machado

Cristianismo Dinâmico

O cristianismo do evangelho, não apenas de uma tradição religiosa, sem dúvida, faz uso do discurso para a promoção da fé. Jesus disse: "Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura" (Marcos 16.15). A Palavra de Deus é pregada e compartilhada para a salvação de almas. "De sorte que a fé é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus" (Romanos 10.17). No entanto, o cristianismo é muito mais do que pregação e ensino. O cristianismo não se resume a uma plataforma para a oratória ou a uma mera verbalização de ideias e conceitos. O cristianismo de Jesus é movimento, é conteúdo encarnado, é a capacidade de tomar iniciativa, ousadia de intervir, experiência, mudança, contato, tato e olfato. O cristianismo de Jesus é vida e dinamismo. "Na verdade, na verdade te digo que nós dizemos o que sabemos, e testificamos o que vimos" (João 3.11).

Nos evangelhos podemos ver Jesus em constante movimento. Ora Ele se encontra em um monte, ora Ele está presente em uma sinagoga. Ele caminha por cidades e aldeias, por praias e desertos. Jesus fica diante de mendigos, cegos, prostitutas, paralíticos ou leprosos. Jesus participa de festas religiosas ou de banquetes sociais com publicanos e pecadores. Jesus dá atenção às crianças, ouve o clamor dos aflitos e sempre vai ao encontro do necessitado. O ministério terreno de Jesus não se limitou a algo que vemos nos dias de hoje em termos de especialistas apenas de "palanques" ou "púlpitos". Jesus sentia o cheiro das pessoas, ficava atento à dor dos cansados e oprimidos, sempre agindo, caminhando e vivendo o que pregava.

Com certeza Jesus também é lembrado por seus grandes ensinamentos e sermões, por suas doutrinas e parábolas. O Sermão da Montanha e a Parábola do Semeador, por exemplo, são famosos e lembrados por grandes oradores e mestres. Mas, o que mais se destacou em Jesus foi a Sua vida atuante, operante, confrontando as injustiças, curando os doentes, libertando os encarcerados de espírito, enfim, fazendo enquanto era dia, a obra do Pai (João 9.4). E aí deve estar o nosso objetivo de fé. No exemplo de Jesus devemos viver o cristianismo. "Porque para isto sois chamados; pois também Cristo padeceu por nós, deixando-nos o exemplo, para que sigais as suas pisadas" (1 Pedro 2.21).

Um trabalho literário que marcou muito o início da minha caminhada cristã foi o de Charles Sheldon: "Em Seus Passos o que Faria Jesus?". O título em si já é bastante sugestivo e desafiador. O livro nos faz refletir sobre respostas práticas que devemos dar em nome de Jesus no nosso dia a dia. O livro não é um convite à pesquisa teológica, mas, a uma posição cristã diante dos dilemas e complexidades da vida. Levando em conta a atual cultura midiática que nos bombardeia com tantas informações e notícias, deixando-nos com uma postura passiva e de alienação, provavelmente a proposta da obra de Sheldon tem mais relevância nos dias de hoje, do que no fim do século XIX, quando o livro então foi editado e impresso. Pois mais do que nunca urge vivermos um cristianismo que se movimenta e interage na comunidade local e na sociedade de uma forma geral.

Pelos noticiários somos informados das muitas misérias e injustiças no Brasil e no mundo. É a corrupção na política, a violência contra a mulher, famílias sendo destruídas pelo álcool e drogas, homicídios de jovens e adolescentes e tantas outras situações humilhantes e degradantes. E o que a Igreja tem feito? Há sim algumas iniciativas pontuais dignas de reconhecimento, mas tudo indica que é preciso muito mais. Parece que o que prevalece ainda é o cristianismo das escrivaninhas, das salas de aula, dos púlpitos. Precisamos mesmo do cristianismo das ruas, dos becos, das estradas, praças e cidades. Precisamos do cristianismo que olha nos olhos, que ouve o gemido do angustiado, que oferece pão ao faminto, o abraço ao carente e o aperto de mão a quem necessita de encorajamento. Enfim, precisamos do cristianismo cheio de vida que lida de modo prático com a vida das pessoas.

Tiago nos oferece um pensamento muito adequado e equilibrado a respeito do cristianismo. Para ele a fé coopera com as obras e "pelas obras a fé é aperfeiçoada" (2.23). O entendimento do apóstolo é que a fé se manifesta com atos de justiça. A sua conclusão, portanto, é que "assim como o corpo sem o espírito está morto, assim também a fé sem obras é morta" (2.26). Tiago não aceita de jeito nenhum uma espécie de cristianismo que não tem efeito na prática do dia a dia. Ele cita um exemplo esclarecedor: "Se um irmão ou irmã estiver necessitando de roupas e do mantimento de cada dia e um de vocês lhe disser: 'Vá em paz, aqueça-se e alimente-se até satisfazer-se', sem porém lhe dar nada, de que adianta isso?" (2.15,16 _ NVI). Um cristianismo assim, para Tiago, não tem a vida do Espírito. Pois cristianismo autêntico é aquele que se manifesta não apenas discursivamente, mas com atos e obras que reflitam a transformação em Jesus e toda orientação santa e graciosa do Seu evangelho redentor. É esse tipo de cristianismo que o mundo mais precisa.

Pr. Adriano Xavier Machado

Discernimento Espiritual

O discernimento espiritual tem a ver com a capacidade de se fazer juízo correto e verdadeiro em relação as coisas, pessoas, palavras ou circunstâncias, tendo por fundamento o caráter, os atributos e a vontade de Deus. Não é uma questão de mero entendimento intelectual, adquirido pelo raciocínio, pela lógica ou razão. Filósofos fazem uso da mente, recorrem à análise e à comparação, no entanto, só isso não os capacita ao discernimento espiritual. É preciso algo além das faculdades do intelecto. É preciso de uma revelação ou iluminação do Espírito.

Primeiramente, entendemos que o discernimento espiritual é uma capacitação do Espírito Santo. O apóstolo Paulo escrevendo à Igreja de Corinto reconhece que a alguns lhes é dado "o dom de discernir os espíritos" (1 Coríntios 12.10). Sabemos que uma das estratégias do diabo para confundir e enganar a Igreja é o uso de heresias e falsos mestres. Jesus mesmo chegou a dizer: "Porque se levantarão falsos cristos, e falsos profetas, e farão sinais e prodígios, para enganarem, se for possível, até os escolhidos" (Mateus 13.22). Somente com a capacitação do Espírito Santo o cristão poderá discernir a verdade da mentira e a luz das trevas.

Se os escolhidos não são enganados é devido a graciosidade do Espírito Santo que os guia a toda a verdade. "Mas, quando vier aquele Espírito de verdade, ele vos guiará em toda a verdade; porque não falará de si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido, e vos anunciará o que há de vir" (João 16.13). Todavia, os que permitem ser ludibriados pelo erro é porque não vivem verdadeiramente na dimensão do Espírito. Sim, muitas vezes são religiosos, são inteligentes e até mesmo sinceros, mas tudo não passa de uma ação carnal, faltando-lhes, portanto, a dependência e a obra poderosa do Espírito Santo.

Ficamos perplexos como algumas pessoas são levadas ao erro facilmente. Ouvem sermões bíblicos, leem livros de conteúdo evangélico, estão quase sempre diante da verdade de Cristo, mas nunca aprendem de fato a verdade do Senhor. Por quê? Porque ainda não entraram plenamente ou ainda não aprenderam a reconhecer verdadeiramente aqueles "lugares celestiais em Cristo" (Efésios 1.3). Assim, são seduzidas pela aparência religiosa e facilmente atraídas por "sinais e prodígios" que não correspondem ao puro evangelho de Jesus. Essas pessoas precisam de um despertar e da experiência transbordante do derramamento do Espírito Santo de Deus.

Segundo, entendemos que o discernimento espiritual é para todos os que creem em Cristo. É verdade que alguns possuem esse dom mais destacado e aprofundado. O discernimento espiritual é um dos dons do Espírito. Mas, todos precisam de uma certa medida desse dom espiritual. Caso contrário, serão presas fáceis. Ouvirão um testemunho mirabolante e emocionante e, mesmo não tendo nada a ver com o evangelho, dirão na religiosidade da carne: amém, aleluia e glórias a Deus. Não estamos brincando nem zombando da fé de ninguém, apenas alertando. Nenhum cristão deve ser tão inocente a ponto de "engolir" tudo o que vê, lê ou ouve. Temos o Espírito de Deus que nos conduz à verdade de Cristo e à Sua Palavra que ilumina o nosso entendimento.

Todo cristão pode ter uma certa medida de discernimento espiritual, porque todo salvo pode estar transbordante do Espírito. O apóstolo Paulo escreveu para a Igreja de Éfeso: "E não vos embriagueis com vinho, em que há contenda, mas enchei-vos do Espírito" (Efésios 5.18). Talvez o grande problema é que essa orientação não tem sido levada tão a sério. Há cristãos fazendo ou querendo fazer de tudo no ministério eclesiástico, menos arrumar tempo para se encher do Espírito Santo. Sem dúvida, importa fazer a obra do Senhor, estudar, pesquisar e aprender sobre a Bíblia e a teologia, mas nada poderá substituir a nossa capacitação espiritual.

É interessante que nos dias de hoje os crentes têm acesso fácil a DVDs, CDs e livros que tratam da fé cristã, no entanto, muitas vezes não tem havido nenhuma transformação do caráter à semelhança de Cristo. A prova disso é que muitas igrejas estão divididas, muitos casais evangélicos recorrem pronta e facilmente ao divórcio, a pornografia não está presente apenas no "mundão", mas também nos arraiais cristãos, enfim, muitos são os que professam o nome de Jesus e que continuam derrotados ou escravizados pelo pecado. Importa considerar mais a recomendação paulina: "enchei-vos do Espírito".

Com discernimento espiritual enxergaremos melhor o que Deus tem para nós. Com discernimento espiritual perceberemos os perigos do "laço do passarinheiro" (Salmos 91.3). Com discernimento espiritual conseguiremos examinar tudo e reter o que é somente bom (1 Tessalonicenses 5.21). Com discernimento conseguiremos separar "entre o santo e o profano, e o farão discernir entre o impuro e o puro" (Ezequiel 44.23). Mas, sem o discernimento espiritual não há como filtrar nada ou quase nada. Estamos entendendo o que está sendo dito aqui? Se sim, então provavelmente, pela graça de Deus e ação do Espírito Santo estamos tendo discernimento espiritual.

Pr. Adriano Xavier Machado

Lance Armstrong _ sucesso é ter um bom nome

Sete vezes campeão no Tour de France.  Com o patrocínio de uma das maiores marcas desportivas, isto é, a Nike. Nada parecia detê-lo. Nem mesmo o câncer conseguiu derrotá-lo. Focado sempre para vencer, afirmou: "A dor é temporária. Ela pode durar um minuto, ou uma hora, ou um dia, ou um ano, mas finalmente ela acabará e alguma outra coisa tomará o seu lugar. Se eu paro, no entanto, ela dura para sempre". Assim foi o ciclista americano Lance Armstrong: sempre prosseguindo, sendo admirado e aplaudido por todos. Até que o uso de doping foi reconhecido, comprovado e divulgado. Aí não teve mais como levar adiante todo o esquema. Tudo o que havia construído desmoronou. De herói passa a ser o vilão. Das alturas experimentou uma terrível queda. Havia conseguido o sucesso e os títulos por vias não aceitáveis ou recomendáveis.

Lance Armstrong é um exemplo a não ser seguido. Estamos quase sempre pensando em sucesso, em construir uma carreira de destaque e promissora, em vencer todos os desafios que a vida nos apresenta, em ser uma referência profissional ou ministerial, enfim, não queremos ser detidos por nada nem por ninguém para se alcançar a glória, o auge e, conforme a possibilidade, o constante primeiro lugar. Contudo, precisamos saber se estamos seguindo pelo caminho correto. Não adianta sermos aplaudidos hoje e amanhã sermos vaiados. Não adianta fantasiarmos hoje e amanhã sermos desmascarados. O que pode levar anos para ser construído ou conquistado, em um dia tudo pode ser desfeito e ir embora como plumas ao vento, caso não haja a segurança de algo sólido, consistente e permanente. Sim, é importante prosseguir, perseverar e nunca desistir. Mas, é igualmente importante saber por onde estamos "pedalando".

Afirma uma música popular que, a "vida é feito andar de bicicleta: se parar você cai... Sempre alimente a esperança de vencer. Só duvide de quem duvida de você". Lance Armstrong pedalou. Nada o fez parar. Seu propósito foi vencer. Ele nunca duvidou do seu potencial. Ele sabia que podia ser um campeão. Contudo, o problema de Armstrong foi escolher o caminho errado para alcançar o seu objetivo. Aqui podemos parafrasear um texto bíblico: "há caminhos que parecem promissores, porém, são falsos, pois o fim deles é a destruição, a vergonha e humilhação". Sim, não basta apenas ter garra, é preciso seguir por um caminho totalmente ético, sensato, humilde, honesto, justo, verdadeiro, seguro e inteligente. Pode nem sempre ser fácil, mas, com toda certeza, sempre será o melhor. Pois, não adianta começar bem e terminar mal. Salomão já dizia: "Melhor é o fim das coisas do que o princípio delas".

Há uma lenda que fala de uma sacerdotisa que pediu ao deus Apolo vida longa, mas se esqueceu de especificar a manutenção de sua juventude. Os anos se passaram e o seu corpo foi sendo desgastado. O que deveria ser um presente, passou a ser uma maldição. Vivendo por quase um milênio, o seu fim foi de solidão, amargura e em estrema feiura. Se soubesse fazer o pedido de maneira certa, poderia ter vivido desfrutando de todos os sabores e privilégios da beleza feminina. Ela sabia o que queria, mas não sabia como de fato conseguir o que desejava. O que deveria ser uma grande oportunidade, passou a ser a grande tragédia. Essa lenda nos faz lembrar de que não basta saber o que se quer, é preciso também saber como conseguir o objetivo. O processo é fundamental. O caminho escolhido é essencial. A direção que se segue é o que de fato faz a diferença.

Lance Armstrong errou o caminho. E quanto a nós? Estamos na direção certa? Vamos entender que se não estivermos seguindo por um caminho correto, os louros de hoje poderão ser transformados em espinhos amanhã, as recompensas em punições, as comemorações em lamentos. Todavia, se seguirmos na devida direção para se alcançar a vitória em tudo o que fazemos, constataremos de que vale muito "mais ter um bom nome do que muitas riquezas; e o ser estimado é melhor do que a riqueza e o ouro". Porquanto, o verdadeiro sucesso não tem nada a ver com títulos, medalhas ou premiações, mas, com um nome que seja digno de respeito e consideração. Um nome que possa ser motivo de honra para os pais, de alegria para o cônjuge, de estima para os filhos, de lucidez para os amigos e, principalmente, de um nome que ache graça perante os ouvidos do Senhor. Saibamos acertar o caminho. O resultado será o sucesso de um nome abençoado com crédito entre os homens e aprovação nos céus.

Pr. Adriano Xavier Machado