Demonstração de Humildade e Serviço

Em uma cultura como a nossa que valoriza tanto o status social, a posição hierárquica e a capacidade em exercer poder, o que Jesus fez em João 13, ao lavar os pés dos discípulos, é muito estranho. A propósito, para os discípulos também não foi nada simples. Inclusive, Jesus teve que explicar para o apóstolo Pedro: "O que eu faço não o sabes tu agora, mas tu o saberás depois". O gesto de Jesus só pode ser mesmo absorvido e compreendido com o discernimento espiritual. Onde já se viu, o Senhor se curvar perante os servos? Como pode o Mestre lavar os pés dos discípulos? Jesus responde: "Ora, se eu, Senhor e Mestre, vos lavei os pés, vós deveis também lavar os pés uns dos outros". 

Jesus nos dá o exemplo de humildade e serviço. O problema é que muitos não querem aprender isso. Pensam que ser um bom líder é apenas estar na frente de algum projeto, em posição de comando e destaque, fazendo somente a parte mais cômoda e desejável. Não conhecem o poder e a graça de servir em todo tempo. Não sabem o que de fato é o Reino de Deus. Naquele momento os discípulos não terem entendido a iniciativa de Jesus, até se justifica, porquanto era algo novo, era algo que eles ainda não tinham visto. Mas, quanto a nós, já sabemos do exemplo de Jesus. Já conhecemos o Seu ensinamento: "Bem sabeis que pelos príncipes dos gentios são estes dominados, e que os grandes exercem autoridade sobre eles. Não será assim entre vós; mas todo aquele que quiser entre vós fazer-se grande seja vosso serviçal; e qualquer que entre vós quiser ser o primeiro, seja vosso servo"  (Mateus 20.25-27).

O que geralmente tem impedido a postura cristã correta é a busca constante de autoafirmação. Pessoas carentes, que não reconhecem o valor que têm em Cristo, que não entendem o privilégio e a glória do servir com amor, não conseguem se doar sem esperar algo em troca, quer seja atenção, elogio, reconhecimento, carinho, estima etc. É claro que tudo isso é muito sutil. As fraquezas e carências humanas sabem ficar na moita, escondidinhas, só aproveitando as brechas. O problema é que a busca de autoafirmação em uma postura que não seja verdadeiramente o servir no exemplo de Jesus, nunca trará realização, satisfação e alegria. Sempre faltará algo. Apenas fazendo algo para o semelhante no amor e simplicidade de Jesus encontraremos a verdadeira felicidade. Lavando os pés uns dos outros demonstramos o autêntico cristianismo.

O interessante é que Jesus lavou os pés dos discípulos. Ele não lavou as mãos ou a cabeça deles, mas, sim, os pés. É o serviço que ninguém quer fazer. É o serviço menos atraente. É o serviço que não traz reputação. É o serviço que crucifica o orgulho da carne. Se realmente queremos experimentar a maturidade cristã, não podemos fazer só o que gostamos e apreciamos. Temos que estar dispostos a nos humilhar. Esse é o caminho da bem-aventurança. Jesus explica: "Portanto qualquer que a si mesmo se exaltar será humilhado, e aquele que a si mesmo se humilhar será exaltado" (Lucas 14.11). O lavar os pés uns dos outros não é em vão. É o que nos conduz a uma posição de honra no Reino de Deus. Portanto, façamos o melhor uns para com os outros. Façamos o máximo para servirmos uns aos outros.

Não obstante, para lavarmos os pés uns dos outros temos que aprender a considerar os outros superiores a nós mesmos. Vamos confessar, não é o que fazemos na prática, não é verdade? No fundo todos nós valorizamos mais as nossas experiências, os nossos conhecimentos, as nossas ideias, os nossos conceitos etc. Tanto é assim que, a insubmissão a qualquer tipo de autoridade é muito frequente. As pessoas dificilmente aceitam se curvar perante o outro, dificilmente sabem ceder, dificilmente conseguem "engolir sapos". Querem sempre estar por cima, querem sempre deixar a última palavra. Mas, Jesus nos deu o exemplo para que O sigamos. Assim, temos encontrado irmãos e irmãs na fé que aprenderam de fato o evangelho. São pessoas que sabem servir ao próximo como se fosse ao próprio Senhor Jesus. Muitas delas, talvez, nunca serão reconhecidas nesta vida. No entanto, quando o Senhor Jesus voltar, serão plenamente recompensadas. Glórias a Deus eternamente.


Pr. Adriano Xavier Machado

O Amor de Deus é Incondicional

O amor de Deus é incondicional. Isso significa que "não há restrições, não está sujeito a condições, é um estado absoluto, total, pleno, ilimitado". Deus está sempre pronto para amar, pois Ele é amor  (1 João 4:16). Nada pode mudar o Seu caráter, a Sua natureza nem o Seu atributo moral. Ainda que sejamos indiferentes ou infiéis, Ele "permanece fiel; não pode negar-se a si mesmo" (2 Timóteo 2:13). Por isso, apesar de todas as injustiças, mentiras, malícias e iniquidades da humanidade, Deus continua amando o mundo inteiro (João 3:16). Se o amor de Deus fosse condicional, então o amor d'Ele jamais alcançaria o mundo pagão, idólatra e pecador. Se o amor de Deus fosse condicional, ainda prevaleceria a Lei: "vida por vida, olho por olho, dente por dente, mão por mão, pé por pé" (Deuteronômio 19:21). Mas, porque o amor de Deus é incondicional, Ele "faz que o seu sol se levante sobre maus e bons, e a chuva desça sobre justos e injustos" (Mateus 5:45). Terrível tragédia seria se o amor de Deus fosse condicional, se dependesse das atitudes, da obediência ou fidelidade do ser humano. Onde estaria a esperança? Como poderíamos ser aceitos por Ele, uma vez que "todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus" (Romanos 3:23)? Como considerou Salomão: "Na verdade que não há homem justo sobre a terra, que faça o bem, e nunca peque" (Eclesiastes 7:20). Contudo, por Seu amor puro e perfeito, Deus estabeleceu um plano para a salvação de todos. Sim, Deus nos ama porquanto deseja que O amemos e O obedeçamos em tudo. O Seu amor exige uma resposta. Alguns se voltam para Ele, com arrependimento dos seus pecados, confiando completamente na manifestação da Sua graça em Jesus. Outros, nem se importam, ignoram a obra divina da Cruz. Mas, Deus continua amando. Deus continua trabalhando com misericórdia e graça, movido sempre por Seu amor.  "As misericórdias do SENHOR são a causa de não sermos consumidos, porque as suas misericórdias não têm fim" (Lamentações 3:22). Aleluia, o amor de Deus é incondicional, nada poderá mudar isso. E é devido a esse amor que, podemos aprender a seguir o caminho do amor. "Nós o amamos a ele porque ele nos amou primeiro" (1 João 4:19). Antes de terminar, fazemos questão de lembrar de que este breve texto foi escrito com toda humildade, para que simplesmente prevaleça o gracioso ensino do evangelho de Jesus Cristo. Pois "Deus prova o seu amor para conosco, em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores" (Romanos 5:8). Amém.
Mas Deus prova o seu amor para conosco, em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores
Romanos 5:8
Mas Deus prova o seu amor para conosco, em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores
Romanos 5:8Amém.

Pr. Adriano Xavier Machado

Onde está o Céu?

Onde está o Céu? O que fizeram do Céu? Houve um tempo em que a Igreja tinha em seu repertório a mensagem da Cruz e o regozijo antecipado do Céu. Antes apreciávamos canções que diziam algo assim: "Este mundo jamais pode me separar dos valores celestiais que, eu vou receber. Meu tesouro e esperança estão no meu novo lar. Sou herdeiro com Cristo, vou com Ele morar". Hoje podemos ouvir muitas músicas cristãs e não vemos mais o Céu. Sim, sejamos justos, ainda alguns homens e mulheres de Deus se arriscam em composições sacras que lembram da glória celestial, mas fazem parte de um grupo muito reduzido e muitas vezes até sem muita influência no "mercado gospel". Igualmente, em muitas pregações contemporâneas não encontramos mais o Céu. Fala-se de dinheiro, saúde e êxito, mas onde está o Céu? Será que a Igreja não almeja mais as mansões do novo Lar? Será que a Igreja está mais preocupada com as coisas terrenas do que com as celestiais? Se assim for, como então poderemos seguir a instrução de Jesus: "Não acumuleis para vós outros tesouros sobre a terra, onde a traça e a ferrugem corroem e onde ladrões escavam e roubam; mas ajuntai para vós outros tesouros no céu, onde traça nem ferrugem corrói, e onde ladrões não escavam, nem roubam." (Mateus 6:19-20 - ARA)?

Precisamos lembrar que tudo deste mundo é passageiro. Precisamos estar convencidos de que desta vida nada poderemos levar para o Céu, a não ser os tesouros espirituais. Não importa a cor dos nossos olhos, o corte e o penteado que fazemos, a roupa que vestimos, a casa ou o apartamento onde moramos, os títulos que conquistamos, a conta bancária que adquirimos ou qualquer outra coisa nesses termos, nada disso permanecerá quando estivermos face a face com o Senhor Jesus. Se sabemos disso, então, por que na prática não investimos mais no Reino de Deus? Amados, o tempo está próximo. Aceitando isso ou não, cada dia se aproxima o Dia da vinda de Jesus. Por essa ocasião, os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro, depois, os que em Cristo estiverem vivos, serão "arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares" (1 Tessalonicenses 4:15-17). Em Cristo Jesus teremos um novo corpo, um novo nome, um novo céu e uma nova terra. Assim, deveríamos lembrar mais com temor e tremor a parábola do rico e Lázaro (Lucas 16:19-31). Haverá um tempo em que não poderemos fazer mais nada por nossas almas. Este é o tempo para nos acertarmos com Deus e fazermos o devido investimento espiritual. Portanto, não endureçamos o coração com os prazeres da carne e os deleites do mundo. "E o mundo passa, e a sua concupiscência; mas aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre" (1 João 2:17). Que possamos escolher o Céu, amar o Céu e sonhar com o Céu. Lá está o nosso tesouro eterno. Amém.

Pr. Adriano Xavier Machado

Lá Está o Meu Tesouro _ Vencedores Por Cristo

juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares
1 Tessalonicenses 4:17
seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor.
1 Tessalonicenses 4:17(1Tessalonicenses 4:15-17). Em Cristo Jesus teremos um novo corpo, um novo nome, um novo céu e uma nova terra. Assim, deveríamos lembrar mais com temor e tremor a parábola do rico e Lázaro (Lucas 16:19-31). Haverá um tempo em que não poderemos fazer mais nada por nossas almas. Este é o tempo para nos acertarmos com Deus e fazermos o devido investimento espiritual. Portanto, não endureçamos o coração com os prazeres da carne e os deleites do mundo. "E o mundo passa, e a sua concupiscência; mas aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre" (1 João 2:17).

"Pai, sou gay"



Encontra-se na internet um vídeo muito visualisado de um jovem militar americano de 21 anos, dizendo por meio de um celular: "Pai, sou gay". 
Convenhamos, não é nada fácil um pai ouvir isso do seu próprio filho. Esse discurso midiático de que o homossexualismo é algo normal e que todos precisam aceitar isso de forma bem natural é conversa "mole" para quem não está tratando a questão com responsabilidade e seriedade. Que pai ou mãe em seu perfeito juízo irá se alegrar com o desvio sexual de seu filho? Em um programa de televisão uma modelo disse: "Eu amo os gays de paixão, mas o meu filho não". Bem diz o ditado popular: "Pimenta nos olhos dos outros é refresco". Com isso vemos que está faltando mesmo muita serenidade e verdade para tratar do assunto. Há muita hipocrisia e apelação. Há muito impulso precipitado nas conclusões e paixão cega nas defesas da prática homossexual. Somos parte de uma geração que avança tanto no aperfeiçoamento tecnológico, mas tão atrasada para tratar dos dilemas humanos. Parece que nunca vimos um mundo tão fraco em suas convicções, em seus valores e em seus princípios como nos dias de hoje. Tudo que "pega onda" nos programas televisivos parece "fazer a cabeça" da maioria da população. Argumentos e discursos baratos são repetidos por uma massa manobrada por um pseudo conhecimento filosófico e científico. E o pior, parece que o grupo maior dessa massa controlada é constituída por pessoas que de fato deveriam demonstrar capacidade de pensamento, análise e raciocínio, ou seja, acadêmicos, professores, psicólogos, jornalistas etc. Assim, vemos homens e mulheres falando do que não entendem e escrevendo sobre assuntos que dominam em parte. Mas, atitudes como essas não são exclusivas de nossa época. Houve um tempo em que estudiosos tentavam justificar certas ações políticas contra os negros afirmando que eles faziam parte de uma "raça inferior". Os nazistas também tentaram usar a ciência para os seus próprios fins de expansão e domínio. E lamentavelmente muitos estão tentando usar a ciência para os seus próprios interesses políticos e mercadológicos, enganando, assim, o povo, iludindo a sociedade com argumentos descabidos, frágeis e sem fundamento. Sim, tem muita gente querendo crescer politicamente e querendo vender os seus livros, filmes, novelas e programas televisivos em cima de um "novo" discurso e de um suposto conhecimento. É certo que devemos combater a intolerância. Ninguém deve promover apedrejamento, espancamento ou fogueira para os que seguem uma orientação sexual diferente. Homofobia jamais. O respeito ao próximo deve prevalecer sempre. No Irã, o homossexualismo é crime combatido com a pena de morte. Um País assim ninguém merece. Mas, já está na hora da sociedade ocidental se posicionar com inteligência e coerência. Essa palavra vai para quem tem ouvidos para ouvir, para quem tem cabeça para pensar: será que há mesmo como justificar o homossexualismo? Um erro jamais deveria ser usado para justificar um outro erro. Não é porque o preconceito e a discriminação precisam ser combatidos que, o homossexualismo tem que ser defendido, apoiado ou ainda promovido. Todavia, algumas séries televisivas, tal como Glee, fazem isso descaradamente, compartilhando uma ideologia patológica e sem qualquer compromisso responsável com os telespectadores, principalmente com os jovens e adolescentes. Ninguém nasce gay. Aliás, o ser humano ou nasce com o sexo masculino ou nasce com o sexo feminino, mas o comportamento masculino ou feminino é algo a ser aprendido. A natureza biológica é herdada, mas o comportamento é adquirido. Se na Coréia do Sul é aceitável rapazes caminharem juntos de mãos dadas, isso no Brasil seria muito estranho. Com esse exemplo fica mais fácil distinguirmos a natureza biológica do comportamento adquirido culturalmente. Em cada sociedade aprendemos o comportamento do homem e o comportamento da mulher. Assim, tradicionalmente a nossa sociedade definiu que roupa azul é para meninos e que roupa rosa é para meninas. Vamos entender que isso é apenas uma herança cultural, mas não biológica. Não é a roupa azul que faz do um menino um menino, nem é a roupa rosa que faz da menina uma menina. Mas, como situar o homossexualismo biologicamente falando? Ah, não pode o caso do hermafrodita servir de argumento. O hermafrodita é um caso totalmente diferente do homossexualismo. O primeiro é devido a uma "má formação embrionária", o segundo é em consequência de um desvio psicológico e comportamental. O homossexualismo não tem nada a ver com a genética nem mesmo como uma necessidade antropológica. Seja em qualquer área do conhecimento, homem e mulher se completam, homem e mulher se ajustam, homem e mulher conseguem cumprir um propósito maior na natureza e na sociedade. Já é do conhecimento de muitos que certa vez Clodovil confessou"Não tenho orgulho de transar com homem". E por quê? Porque todo desvio, quer seja moral, ético, psicológico ou comportamental, não traz mesmo plena realização para o ser humano. O orgulho gay nada mais é do que uma fuga psicológica, um recurso para atenuar os conflitos internos, uma autêntica mentira imposta por quem não tem humildade suficiente para reconhecer as suas fraquezas e necessidades espirituais. No entanto, este breve artigo, embora em certo sentido esteja na contramão do pensamento que prevalece nos meios de comunicação, não vem para julgar nem condenar ninguém. Mas, sim, para estimular um pensamento ou debate que possa servir de apoio para quem reconhece que precisa de ajuda. Não basta a Igreja lutar contra o avanço dos direitos homossexuais.  Embora seja importante, o maior desafio da Igreja não é combater o Projeto de Lei da Câmara 122 de 2006 (PL 122), mas sim deter as trevas do mal que têm cegado o entendimento de muitos. A Igreja tem que aprender a se posicionar com a graça do Senhor para que as palavras de Jesus sejam confirmadas na dinâmica do Reino: "Os sãos não necessitam de médico, mas, sim, os que estão doentes; eu não vim chamar os justos, mas, sim, os pecadores em arrependimento" (Marcos 2.17). Deus nos ajude e ilumine todos os nossos passos para sermos verdadeiros representantes de Cristo na terra com o amor que pode curar a alma do pecador. "E criou Deus o homem à sua imagem: à imagem de Deus o criou; homem e mulher. E Deus os abençoou, e Deus lhes disse: Frutificai e multiplicai-vos..." (Gênesis 1:27,28).


Pr. Adriano Xavier Machado    

Teologia da Saúde e Teologia da Cruz


Quando lemos os evangelhos, ficamos maravilhados quando Jesus demonstrava sua autoridade quer seja sobre a natureza, os espíritos demoníacos e ainda sobre toda espécie de enfermidade. Jesus curou leprosos, deu visão aos cegos e fez com que paralíticos andassem. Não precisamos ter nenhuma dúvida quanto ao ministério de cura de Jesus.  No entanto, muitos acabam confundindo as coisas. Assim, temos em voga a Teologia da Saúde que afirma que o crente não fica doente ou que Deus irá curar toda doença ao que responde com fé. Será assim mesmo? O que a Bíblia tem a nos ensinar? 

Um texto muito usado pelos "evangelistas" da saúde é o de Isaías 53.4: "Verdadeiramente ele tomou sobre si as nossas enfermidades, e as nossas dores levou sobre si". Em nenhum momento questionamos o ensino da Palavra de Deus. Mas, será que estamos compreendendo mesmo o que o texto está dizendo? Será que a Bíblia está dizendo que Jesus irá curar as enfermidades de todos os crentes? O que o profeta registrou, certamente se confirmou. Jesus operou sinais e maravilhas durante o Seu ministério terreno. Não significa que Ele tenha curado a todos de sua época. No evangelho de Marcos encontramos uma indicação disso: "E curou muitos que se achavam enfermos de diversas enfermidades " (1.34). O texto fala de muitos e não de todos. O que queremos dizer é que Jesus cura, mas não significa que Ele irá curar a todos.

Passeando um pouco pelo Novo Testamento encontramos Epafrodito, a quem o apóstolo Paulo reconheceu:"irmão e cooperador, e companheiro nos combates" (Filipenses 2.25). A esse mesmo servo de Deus, Paulo testificou:  "E de fato esteve doente, e quase à morte" (Filipenses 2.27). Epafrodito ficou doente mesmo sendo cristão, mas segundo o propósito divino Ele foi depois curado. Passeando mais um pouco pelo Novo Testamento encontramos Timóteo, a quem o apóstolo Paulo recomendou para que bebesse um pouco de vinho por causa de seu estômago e de suas "frequentes enfermidades" (1 Timóteo 5.23). Já de Timóteo não se fala de cura, mas sim de tratamento e cuidados com a saúde, pois constantemente ficava debilitado fisicamente. Se continuarmos com esse passeio, logo encontraremos Trófimo, companheiro do apóstolo Paulo, que se encontrava "doente em Mileto" (2 Timóteo 4.20).  Ah, podemos citar mais um exemplo. O próprio apóstolo Paulo: "Embora a minha doença lhes tenha sido uma provação, vocês não me trataram com desprezo ou desdém; pelo contrário, receberam-me como se eu fosse um anjo de Deus, como próprio Cristo Jesus" (Gálatas 4.14 - NVI). Se o cristão não pode ficar doente, como então explicar tais passagens?

Quando pensamos na Teologia da Cruz, entendemos que Jesus levou sobre si todos os nossos pecados. Isso não significa que não iremos deixar de pecar, pelo menos enquanto não tivermos um corpo glorificado. O pecado habita em nós (Romanos 7.17, 20). Contudo, o pecado não tem mais domínio sobre o nosso viver (Romanos 6.14). Fomos verdadeiramente libertos (João 8.36). Se os "evangelistas" da saúde usassem o mesmo princípio de interpretação, então ficaria mais ou menos assim: na Cruz Jesus leva sobre si todos os nossos pecados e maldições, mas não significa que não iremos pecar mais, como também não significa que nunca mais ficaremos doentes. No entanto, está garantido. Um dia teremos um novo corpo, sem pecado, sem maldição ou enfermidade. Então, por fim, seremos semelhantes a Jesus. Veremos que nesse dia "não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor; porque já as primeiras coisas são passadas" (Apocalipse 21.4).

Pr. Adriano Xavier Machado

Espiritualidade e Intelectualidade


No meio cristão, ainda muitos pensam que há uma dualidade incompatível entre o espírito e a mente. Imaginam, ainda que subjetivamente, que todo o investimento no espírito é bom, mas que o uso da mente é algo que corrompe a fé. Quantas vezes já ouvimos: "a letra mata". Ouvimos isso de pessoas que não entenderam o sentido e o contexto bíblico e que tentam justificar o afastamento do raciocínio, acreditando que assim poderão crescer mais espiritualmente. Então, tudo o que diz respeito à intelectualidade é negligenciado. Todavia, quando nos reportamos para a Palavra de Deus, podemos perceber que uma coisa não deve eximir a outra. Jesus falando sobre o resumo da Lei, indicou que devemos amar a Deus tanto com a nossa alma quanto com o nosso entendimento. Em outros termos, o uso do raciocínio também é exigido. Por que é assim? Porque Deus nos criou como seres capazes de usar a imaginação, o pensamento e a criatividade. Não somos como um computador que apenas recebe e repassa informações, sem de fato interpretar, analisar, considerar ou entender. O computador pode até estar correto em tudo o que nos informa, mas a inteligência não é dele mesmo, mas do homem que o formatou e projetou. Não somos máquinas. Não somos robôs. Somos seres criados à imagem e semelhança de Deus. Quem apenas reproduz informações sem pensar, está desprezando a capacidade e o dom que Deus lhe deu. O apóstolo Paulo escrevendo a Timóteo, desafiou-o: "Tem cuidado de ti mesmo e do teu ensino" (1 Timóteo 4.16). O cuidado era com a sua vida e com a doutrina do evangelho. Timóteo não deveria ser imprudente com sua maneira de viver nem com a razão de sua fé. Pois de outro modo seria uma presa fácil do engano, da mentira e das heresias. Portanto, cresçamos na fé e na graça de Cristo Jesus para que tenhamos uma vida segundo a vontade de Deus, mas também, tenhamos ousadia para fazermos uso do pensamento, da mente, aprendendo sempre a verdadeira doutrina do evangelho, pois só assim poderemos conhecer e praticar o culto racional (Romanos 12.1). Espiritualidade e intelectualidade podem perfeitamente caminhar de mãos dadas para a glória do Senhor.

Pr. Adriano Xavier Machado

Escolhido Sim! Capacitado Sim!

Dou início a esta reflexão com temor e misericórdia. Mas penso que seja necessária. Cada vez mais estou convencido de que para servir ao Senhor, não basta coração, é preciso estar preparado. Sei que muitas pessoas não gostam de ouvir esse discurso, principalmente aqueles que adoram repetir: "Deus não escolhe os capacitados, mas capacita os escolhidos". Sinceramente, esse pensamento é muito mal compreendido. Ser escolhido por Deus é uma coisa. Para ser escolhido não precisa ser capacitado, mas para fazer a obra do Senhor é preciso mesmo de capacitação. Os apóstolos tiveram três anos de preparação com o próprio Senhor Jesus e só então receberam o mandamento: "Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura" (Marcos 16.15). Assim, podemos perceber que não basta ser escolhido, é preciso ser capacitado.

Infelizmente, muitos que desejam servir ao Senhor, acabam fazendo estragos nas igrejas e às vezes até em comunidades inteiras. A Igreja de Jerusalém, segundo o livro de Atos, caía na graça do povo (Atos 2.47). A ação do Espírito Santo era tão poderosa, o compromisso com a doutrina dos apóstolos era tão intensa e a comunhão tão evidente que, toda a comunidade não cristã ficava maravilhada, impactada. Mas alguns ministérios nos dias de hoje, por onde passam, não deixam um bom testemunho do evangelho de Cristo.Em vez de graça, o rastro é de desgraça. Não digo que haja má fé em muitos desses obreiros e ministérios. Em muitos casos é falta de um devido preparo para o serviço do Senhor. O pior é que depois vem as perseguições, os problemas, as críticas e situações contrárias, e o diabo é quem leva a culpa.

Ah, Jesus tenha misericórdia do Seu povo. Ilumine o nosso entendimento com a Sua Palavra. Dai-nos verdadeiro discernimento espiritual. Capacita-nos com o Espírito Santo para fazermos a Sua obra segundo a Sua vontade. Livra-nos de toda preguiça mental. Que possamos ter sabedoria dos altos céus. Que possamos compreender que maldito é aquele que faz a obra do Senhor relaxadamente (Jeremias 48.10). Que possamos fazer a obra com amor e compromisso. Em nome de Jesus, amém. Escolhido sim, mas, também capacitado.

Pr. Adriano Xavier Machado