Quando Deus Confirma

 "Os passos de um homem bom são confirmados pelo Senhor, e ele deleita-se no seu caminho. Ainda que caia, não ficará prostrado, pois o Senhor o sustém com a sua mão"

(Salmos 37.23,24).

A vida nos possibilita muitas direções. Um pequeno rumo, pode mudar tudo. Diante disso, não queremos errar, não queremos fazer escolhas precipitadas.

A Bíblia nos diz, que os "passos de um homem bom são confirmados pelo Senhor". Assim, compreendemos que a vida não precisa ser um jogo arriscado e perigoso. A nossa vida não precisa ser uma "roleta russa".

"Os passos de um homem" dizem respeito aos caminhos que seguimos na vida. Quem dá passos segue algum rumo. Quem dá passos deseja chegar a algum lugar.

O "homem bom", de acordo com o contexto bíblico, é aquele que se compadece, que empresta, que se aparta do mal e faz o bem.  Ao "homem bom", Deus tem uma promessa: os seus passos "são confirmados".

Como sabermos se estamos seguindo o caminho certo na vida?

Quando estamos seguindo o caminho certo, Deus confirma, Deus se faz presente para abençoar, para remover todos os empecilhos, para desfazer todos os impedimentos.

Quando Deus trabalha a nosso favor  não há barreiras. As portas são abertas tão somente por Sua graça e poder.

Com Deus agindo, o resultado é a alegria. Como diz o texto sagrado, "e ele deleita-se no seu caminho". O contrário disso, certamente, é obra da carne, e, não, do Espírito de Deus.

Todo caminho marcado de mágoa, frustração, culpa e feridas na alma, não é o caminho traçado por Deus. Toda obra de Deus é de paz, amor, alegria, esperança e fé.

Não significa, necessariamente, seguir um caminho sem turbulência. Já sabemos que Jesus disse que no mundo teríamos tribulações. Contudo, no caminho de Deus, apesar dos desafios e problemas, há deleite para a alma.

Amados, a questão, portanto, é o estado do nosso homem interior.

O caminho pode ser estreito, o caminho pode ser difícil, mas, no temor do Senhor não há falta do gozo divino. Porquanto, sabemos que Deus nos conduz e que a mão do Senhor permanece conosco em todo o tempo. Se tropeçarmos Ele nos levanta e renova as nossas forças para prosseguirmos na jornada que preparou para nós.


Deus é fiel! Deus cumpre com a Sua palavra! Quando Deus confirma, nada nem ninguém poderá impedir!

Deus Pai, Deus de amor, conduza-nos em nossos passos. Não pedimos por facilidades. Mas, desejamos apenas a certeza da Sua verdade, a segurança da Sua vontade. Amém!


Pr. Adriano Xavier Machado

Não ensinem outra doutrina!

"... para advertires a alguns, que não ensinem outra doutrina" 

(1 Timóteo 1.3).

Ao considerarmos o evangelho de Cristo, constatamos que a sua doutrina é divina. O Senhor Jesus disse: "A minha doutrina não é minha, mas daquele que me enviou" (João 7.16). É, portanto, na doutrina de Cristo que está a nossa esperança. E é a doutrina de Cristo que devemos testemunhar às nações. No entanto, muitas vezes, outros ensinos estão sendo recomendados. Outras doutrinas estão sendo apreciadas.

Na época do apóstolo Paulo, as igrejas da Galácia, depressa passaram "daquele que vos chamou à graça de Cristo para outro evangelho" (1.6). A grande verdade é que não tem sido muito diferente nos dias de hoje. Há muitos ensinamentos que não correspondem ao evangelho de Cristo. Mas, quantos estão percebendo isso? Quantos estão realmente cônscios do que tem acontecido em nosso tempo?

O apóstolo Paulo tinha a preocupação de preservar a verdadeira doutrina de Cristo. Quando ele fala sobre "outra doutrina", fica evidente que por ingenuidade ou má-fé é possível perder o caminho, o rumo certo do cristianismo. Por onde a verdade foi comunicada, de algum modo, a mentira também sempre se fez presente. Foi assim no Éden, no início da história humana, quando a serpente enganou Adão e Eva. E, assim, tem sido em todos os tempos.

Quando a Palavra se fez carne, a verdade foi manifesta a todos. "Esta é uma palavra fiel, e digna de toda a aceitação, que Cristo Jesus veio ao mundo, para salvar os pecadores" (1 Timóteo 1.15). Mas, o diabo, isto é, a antiga serpente, revelou outra vez a sua estultícia. Jesus foi acusado de ser comilão e beberrão e como aquele que expulsa os espíritos malignos pelo príncipe dos demônios. A verdade foi exposta e a mentira tentou acompanhá-la, a fim extinguir o seu brilho, a sua graça e o seu poder.

Nos dias de hoje, a Igreja continua anunciando a verdade de Cristo. Uma doutrina poderosa para salvar o pecador que se arrepende e responde em fé. Mas, a mentira continua em ação. Escrevendo a Timóteo, o apóstolo Paulo dizia: "Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina" (1 Timóteo 4.16). A mesma exortação serve para nós também, pois "o Espírito expressamente diz que nos últimos tempos apostatarão alguns da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores, e a doutrinas de demônios" (1 Timóteo 4.1).

Os que dão ouvidos a espíritos enganadores, na maioria das vezes, pelo menos num primeiro momento, não percebem o engodo a que foram atraídos e seduzidos. Por isso a grande importância de se pensar, meditar e ensinar a doutrina verdadeira, a doutrina de Cristo. Tomando emprestadas as palavras de Paulo: "Medita estas coisas; ocupa-te nelas, para que o teu aproveitamento seja manifesto a todos" (1 Timóteo 4.15).

Diante de tempos difíceis como o nosso, precisamos ter cuidado. Os espíritos enganadores persistem com os seus maus intentos. Adão e Eva foram enganados. E quanto a nós? Amados, décadas e séculos já se passaram desde quando o evangelho nos foi dado. Muita coisa já mudou. Mas, não ensinemos outra doutrina. O evangelho de Cristo continua verdadeiro. O evangelho de Jesus continua o mesmo. Estejamos firmes e comprometidos com a Verdade de Deus!

Pr. Adriano Xavier Machado

O Evangelho na Vida do Crente

O Evangelho fez algo maravilhoso por nós. Um dia, estivemos na escuridão, em uma terrível perdição. Mas, agora há Luz, há esperança e fé para a salvação. Em Cristo Jesus sabemos qual é o nosso destino, ou seja, o nosso lugar na eternidade. No entanto, o diabo com suas sutilezas e mentiras, tem se esforçado para fazer com que percamos o foco, para, assim, não entendermos a verdadeira glória do Evangelho.

O Evangelho de Cristo é poderoso para nos salvar completamente. Deus nos perdoa e nos purifica de todo pecado. E essa obra do Evangelho tem três tempos. Há uma manifestação da graça e do poder divino, tanto em relação ao nosso passado, quanto ao nosso presente e ao nosso futuro. É uma obra divina que alcança toda a nossa história.

O primeiro tempo da salvação diz respeito ao que Deus já fez na nossa vida. Um dia, ao ouvirmos de Jesus, estivemos nos arrependendo dos nossos pecados e depositando a nossa fé para a salvação somente em Jesus. Foi nesse momento que o nosso nome foi escrito no Livro da Vida e passamos pela maravilhosa experiência do novo nascimento.

O segundo tempo da salvação é reconhecido como o processo de santificação. Fomos salvos, mas continuamos crescendo espiritualmente, continuamos aprendendo a depender da graça divina, continuamos a ser aperfeiçoados no amor de Cristo. Aqui percebemos claramente a luta entre a carne e o espírito.

Mas, aleluia, glórias a Deus, ainda há mais um tempo, o terceiro tempo da salvação, quando então, por ocasião da vinda de Jesus, receberemos um novo corpo, isto é, a nossa glorificação. Por essa ocasião, não haverá mais corrupção, pecado ou qualquer maldição. Estaremos pessoalmente e para sempre com o Senhor Jesus.

O crente já foi salvo, mas, lembrando, ele também continua sendo salvo dos seus pecados. Essa salvação não ocorre com a prática das boas obras, tais como jejum, orações ou qualquer serviço religioso ou humanitário, mas, sim, pela obra do Calvário. Pelas obras ninguém será salvo, para que ninguém se glorie (Efésios 2.8,9). Portanto, o Evangelho de Cristo é para todos, inclusive, para a Igreja do Senhor.

Nos dias de hoje tem havido uma crise na pregação da Igreja. Fala-se de muitos assuntos, temas e ensinos, mas, onde está a Cruz de Jesus? Onde se encontra a obra Redentora de Cristo na vida do crente? Alguns já chegaram a triste conclusão de que o Evangelho é apenas para o mundo perdido, o que de fato, é um erro gravíssimo e até diabólico.

 A obra do Evangelho de Cristo é uma obra contínua na vida do crente. É verdade que algo já aconteceu, mas, algo continua acontecendo e, ainda, acontecerá na vida do crente. “O justo viverá da fé” (Romanos 1.17). O justo é quem já foi justificado em Cristo. Portanto, nós que já fomos justificados em Cristo, devemos continuar firmes no Evangelho, dependendo sempre da obra do Calvário, confiando de coração no sangue de Jesus para o perdão, a purificação e o encontro com o Senhor no dia final. Que o Senhor nos ajude. Amém.

Pr. Adriano Xavier Machado

Pastores Segundo o Coração de Deus

Ser pastor é uma honra, ser um pastor usado por Deus é melhor ainda, mas, ser um pastor segundo o coração de Deus é um privilégio e tanto. Nada se compara com a alegria de servir ao Senhor em Sua presença santa e em completa obediência.

 Eis o desejo do Senhor: "E dar-vos-ei pastores segundo o meu coração, os quais vos apascentarão com ciência e com inteligência" (Jeremias 3.15). O que podemos aprender com tal afirmativa? Façamos aqui algumas considerações:

"E dar-vos-ei" demonstra perfeitamente a soberania de Deus. Deus é quem chama, separa, capacita e usa os Seus servos como quer. O verdadeiro ministério pastoral não tem nada a ver com politicagem ou manobras de homens. Tudo é na dependência e direção de Deus. 

Deus é perfeitamente sábio e poderoso para levantar pastores segundo o Seu coração. Ele tem trabalhado constantemente nessa direção. Pastores que não são segundo o coração de Deus corrompem o ministério e prejudicam a obra do Senhor.

A afirmação "pastores segundo o meu coração", aponta para o ministério que atende aos propósitos do Senhor, de acordo com o Seu caráter santo e gracioso. Deus deseja que cada obreiro do Seu Reino seja exemplo em tudo. Como?


J. C. Ryle diz que, o "verdadeiro pastor das almas é aquele que entra no ministério olhando para Cristo, desejando glorificá-Lo, fazendo tudo no poder que Ele outorga, pregando sua doutrina, andando em seus passos e se esforçando para trazer homens e mulheres a Cristo".

Decerto, na ocasião em que Deus prometeu pastores segundo o seu coração, o Messias prometido ainda não tinha vindo ao mundo. No entanto, não podemos nos esquecer que, as ordenanças, os ritos, as figuras e as profecias do Antigo Testamento apontavam para o "Cordeiro de Deus" que haveria de vir. 


A promessa já se cumpriu. Jesus veio ao mundo para nos salvar. Através d'Ele podemos ser tudo aquilo que Deus planejou a nosso respeito. A graça redentora de Cristo faz uma obra completa em nosso viver, capacitando-nos poderosamente para o ministério que Deus tem nos confiado.

Jesus disse: "Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas... até aos confins da terra" (Atos 1.8). Não há barreiras, não há portas fechadas, não há impedimento algum para fazermos a obra do Senhor.

Quando o texto diz "apascentarão", fica claro que, o ministério pastoral é para ser exercido a favor do rebanho de Deus. "Filho do homem, profetiza contra os pastores de Israel; profetiza, e dize aos pastores: Assim diz o Senhor DEUS: Ai dos pastores de Israel que se apascentam a si mesmos! Não devem os pastores apascentar as ovelhas?" (Ezequiel 34.2).

O desejo do verdadeiro servo de Deus, não é servir a si mesmo, não é buscar o seu
bem-estar ou a sua realização pessoal, mas, antes de tudo, fazer a vontade do Senhor para a edificação do povo de Deus. 
  
Pastores segundo o coração de Deus apascentam "as ovelhas" de Deus. Pastores segundo o coração de Deus se doam ao rebanho de Deus. Pastores segundo o coração de Deus cuidam do povo de Deus através da oração e ministração da Palavra de Deus.
 
Por fim, quando diz "com ciência e com inteligência", precisamos entender que, o ministério pastoral não é desenvolvido somente com boas intenções ou com bons sentimentos. Deus quer usar pastores que amam o conhecimento e o discernimento espiritual.


Em muitos púlpitos há equívocos e contradições. Em muitas pregações não há coerência bíblica nem teológica. Precisamos lembrar sempre: Deus se agrada do que é ministrado "com ciência e com inteligência". De Deus vem a sabedoria, de Deus vem a verdadeira Luz do Céu.

O ministério pastoral é para produzir vida, isto é, a vida do Espírito em homens e mulheres que se encontram mortos em seus delitos e pecados. Para isso o evangelho poderoso de Jesus que liberta, cura, santifica, transforma e salva pela graça de Deus.
 
Pastores segundo o coração de Deus, não é utopia, mas, promessa de Deus para o Seu povo. Deixemos Deus agir. Deixemos Deus trabalhar. Deixemos Deus fazer a obra. Ele não falhará. Quando Ele promete, não falta alguma! Deus é fiel!

Pr. Adriano Xavier Machado

Espiritualidade versus Profissionalismo

"Elimine o profissionalismo de nosso meio, ó Deus, e em seu lugar dai-nos uma oração apaixonada, pobreza de espírito, fome de ti, estudo rigoroso das coisas sagradas, devoção fervorosa a Jesus Cristo, extrema indiferença diante de todo lucro material e o labor incessante para resgatar os que estão perecendo, aperfeiçoar os santos e glorificar nosso soberano Senhor" _ John Piper.

Eis uma citação que vale a pena fazermos algumas considerações. Enxergando o perigo do profissionalismo ministerial ou mesmo eclesiástico, John Piper faz uma súplica aos céus. Ele compreendeu que somente uma intervenção divina pode trazer cura e libertação de todo o empreendimento religioso sem a vida do Espírito Santo de Deus. É lamentável, mas muito se tem perdido a percepção espiritual de tudo o que diz respeito ao Reino. A Igreja tem sido tratada como uma empresa, um negócio, e, não, como o verdadeiro Corpo de Cristo. Buscando corrigir qualquer distorção, Piper apresenta em oração alguns parâmetros do que ele entende ser o caminho traçado pelo Reino.

Primeiro, "uma oração apaixonada". Não é por uma oração à base do grito nem por uma oração teatralizada, mas, uma oração quebrantada, verdadeira, humilde e sincera diante de Deus. Nos dias de hoje, acreditamos no poder dos métodos, das estratégias, menos no poder da oração. Afinal, não temos conhecido o Deus de todo poder. Se não conhecermos a Deus em toda a Sua majestade e soberania, jamais confiaremos n'Ele para mudar o cenário de pecado e secularização que há no mundo. Conhecida é a sentença de Oswald Smith: “Quando trabalhamos, trabalhamos; quando oramos, Deus trabalha”.

Segundo, "pobreza de espírito". À luz do sermão do monte, pobreza de espírito é humildade. É o que de fato mais tem faltado nos dias de hoje. Sim, temos uma cultura que nos leva a seguir o caminho da arrogância e da prepotência. Em outros termos, temos sido autossuficientes. Tomamos decisões sem antes fazermos qualquer consulta a Deus. Fazemos coisas sem qualquer dependência de Deus. Falando claro, é na carne mesmo, é na força do homem, e, não, no Espírito Santo de Deus. Lembrando o que já disse Agostinho: "Foi o orgulho que transformou anjos em demônios, mas é a humildade que faz de homens anjos."

Terceiro, "fome de ti". Piper entende que o caminho da espiritualidade é a fome de Deus. Sejamos honestos, temos fome de tudo, menos de Deus, não é mesmo? Temos fome de sucesso, aplausos, reconhecimento e de até um tapinha nas costas, não é verdade? Ai, desse homem corrupto que habita em nós! Seja ele crucificado! Busquemos apenas o que é de Deus. Naquele Dia, isto é, quando estivermos face a face com o Senhor, nada que é do homem terá valor algum, mas apenas o que é de Deus. "Buscai ao Senhor e a sua força; buscai a sua face continuamente" (Salmos 105.4).

Quarto, "estudo rigoroso das coisas sagradas". O nosso problema é que somos preguiçosos demais. Lemos pouco, estudamos pouco, pesquisamos pouco, pois, temos preguiça de pensar. Nada é mais perigoso para um sociedade do que a preguiça mental e intelectual. O caminho da dominação é a ignorância. Uma nação esclarecida, corre menos risco de ser enganada e subjugada. Não é diferente quando se pensa no Reino. Uma Igreja esclarecida na Palavra de Deus não será levada por ventos de heresias e mentiras. Precisamos levar mais a sério o que já disse George Washington: "É impossível governar perfeitamente o mundo, sem Deus e sem a Bíblia".

Quinto, "devoção fervorosa a Jesus". Houve um tempo em que tudo era Jesus. As nossas canções só falavam d'Ele. As nossas pregações só enfatizavam Jesus. Jesus era a resposta para tudo. Nos dias de hoje temos trocado Jesus pelas receitas de autoajuda, pelos mecanismos do marketing e por tudo o que exalta o esforço do próprio homem. Assim como foi nos tempos antigos, não é mesmo diferente nos dias de hoje: "Este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está longe de mim" (Marcos 7.6).

Sexto, "extrema indiferença diante de todo lucro material".
O quê? Será isso possível? Se essa sentença fosse publicada em alguma página de relacionamento virtual é bem provável que muitos céticos respondessem assim: kkkkk. Pois é, a nossa geração está sendo seduzida e enganada pelo deus Mamom. Poucos são os que estão dispostos a pagar um real preço pela Causa de Cristo Jesus. O que tem determinado muitas escolhas e decisões no ministério é o lucro, a vantagem, a recompensa material. Deus tenha misericórdia, porquanto, "Ninguém pode servir a dois senhores; pois odiará a um e amará o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Vocês não podem servir a Deus e ao Dinheiro" (Mateus 6.24 - NVI).

Sétimo, "o labor incessante para resgatar os que estão perecendo".
O que tem "rolado" no meio evangélico é o show gospel, mas pouco ou nada de um coração que expresse paixão pelas almas. A Cruz de Cristo tem tido pouco sentido para o homem contemporâneo, logo, que propósito tem a evangelização ou a obra missionária? Ah, a "parada" mesmo é o encontro disso e daquilo, mas onde está o labor incessante para resgatar os que estão perecendo? Há muito que se tem perdido a verdadeira visão do Reino. Deveríamos meditar mais no questionamento de Oswald Smith: "Por que alguém deveria ouvir do evangelho duas vezes, quando há pessoas que não ouviram nenhuma vez?"

Oitavo, "aperfeiçoar os santos".
Piper fala sobre o aperfeiçoamento dos santos, algo muito bem definido nas Escrituras (Efésios 4.11-13). Todavia, muito do que se faz hoje, não passa de entretenimento ou distração religiosa. Os santos de Deus precisam experimentar crescimento, maturidade e desenvolvimento espiritual. Os santos de Deus precisam ser capacitados para a obra de Cristo. Os santos de Deus precisam ser capacitados para a unidade da fé. Os santos de Deus precisam ser capacitados na mesma medida da plenitude de Cristo. O que estiver abaixo disso, não representa a graça e a virtude do Reino.

E por fim, o nono aspecto é "glorificar nosso soberano Senhor".
Somente Deus é digno de toda a honra e louvor. Pelo Senhor vale a pena termos uma oração apaixonada, um coração humilde, fome de Sua presença, aplicação nas coisas sagradas, devoção fervorosa a Jesus, indiferença para com o materialismo, paixão pelas almas e o trabalho dedicado para a capacitação da Igreja do Senhor, a fim de viver única e exclusivamente para a glória de Deus. Deus seja bendito hoje e eternamente. Deus seja louvado em tudo. "Sê exaltado, ó Deus, acima dos céus! Sobre toda a terra esteja a tua glória!" (Salmos 57.11). Deus deseja homens e mulheres que sejam verdadeiramente espirituais!

Pr. Adriano Xavier Machado


Jesus é Suficiente

Receio que estejamos doentes e, não, estejamos percebendo isso. Jesus já não tem sido mais a nossa mensagem, a Sua obra na Cruz já não tem sido o nosso foco e o Seu Reino já não tem sido o nosso objetivo de vida. Estamos fascinados pelos grandes projetos, pelas grandes construções, pelos números e pela posição social. O que muitas vezes temos feito não é mesmo para a glória d'Ele, e, sim, para alimentar a nossa vaidade, o nosso orgulho e, de certa forma, promover o nosso próprio nome. 
 
Receio que Jesus não seja mais suficiente para nós. Falamos de coisas, estratégias, estatísticas ou até mesmo de programas religiosos, no entanto, não temos enfatizado que só Ele salva, que só Ele transforma a vida do pecador. Estamos enganados com a ideia de que descobrimos uma receita, um modelo ou um negócio que bomba o Reino de Deus. Não temos percebido nem reconhecido o poder e a soberania de Deus. Assim, tentamos fazer aquilo que não nos cabe, que não nos pertence e que jamais teremos verdadeiro êxito. Deixamos de viver como filhos do Reino dos céus e agimos como operários do reino da terra.

Receio que tenhamos perdido o primeiro amor por Jesus. Vejo que necessitamos de cura e renovo. É tempo de voltarmos para o Senhor e de nos humilharmos diante d'Ele. Precisamos de Jesus. Precisamos conhecê-Lo mais. Precisamos aprender a ter um amor real por Ele. Não podemos apenas nos contentar com o que fazemos no templo. Não importa o quanto cantamos, tocamos ou pregamos bonito. É de Jesus que precisamos. Muitas vezes o vazio tem persistido, o pecado tem se expandido, porquanto, abandonamos o nosso Senhor e Salvador. 

Penso que temos que retornar àquele lugar de dependência, contrição e submissão. Pouco se fala sobre consultar ao Senhor em decisões que precisam ser tomadas. Estamos preocupados com a aparência, em fazer bonito para se ter o aplauso das pessoas, estamos, enfim, dominados pela carência de aceitação. Onde está Jesus em tudo o que fazemos? 

Muitos obreiros estão em derrota, pois, Jesus não tem sido a pedra principal, a pedra angular. Muitos jovens sofrem com o vício da pornografia, tão somente porque não fazem do Senhor a alegria, o propósito e o sentido de tudo. Ministérios estão se dividindo, porque o que importa são as causas particulares, os interesses mesquinhos, mas não a honra e a glória do nome de Jesus. Quando aprendermos a suficiência de Jesus, haverá menos de nós, menos da nossa carne, menos do nosso egoísmo, menos do nosso podre e velho homem do pecado.

Ah, Senhor Jesus, venha nos despertar. Acorde o Seu povo Senhor. Dai-nos um avivamento em que de fato o Senhor seja o centro de nossa pregação, o centro de nossas motivações, o centro de nossas canções, o centro de nossas realizações. O mundo não necessita de nós, de nossa força ou sabedoria. O mundo necessita do Caminho que nos conduz à presença do Pai, da Verdade que nos liberta do engano, da mentira e do erro do pecado, enfim, o mundo precisa da Vida que satisfaz, Jesus, a Vida Eterna, a Vida Abundante. Jesus é suficiente. Amém, amém e amém.

Pr. Adriano Xavier Machado


Não Basta Ser Chamado...

Jesus já disse que muitos são chamados, mas poucos os escolhidos (Mateus 22.14). Muita coisa pode ser dita com tal afirmação do Mestre. Mas, pensemos aqui em relação ao chamado ministerial. Deus é quem chama, capacita e envia homens e mulheres para a Sua seara. No Antigo Testamento, por exemplo, dentre os muitos que foram vocacionados por Deus, vemos Saul e Davi. Ambos foram ungidos do Senhor. Ambos faziam parte dos planos e projetos de Deus. Ambos deram as suas contribuições na vida do povo de Israel. E ambos tiveram as suas falhas.

Na carreira ministerial nem sempre iremos acertar. De uma forma ou de outra sempre erramos. Mas, como estamos lidando com essa questão? Um dos piores erros na vida de um ministro é não reconhecer o próprio erro. Mas, o pior de todos é arrastar outros ao erro que se comete. Saul foi um líder que não queria afundar sozinho. Davi, por outro lado, não queria se posicionar de um modo em que a sua vida fosse um tropeço na vida do povo de Deus.

A liderança de Saul e Davi lembra muito uma parte do filme Anjos da Vida: mais bravos que o mar, quando Ben Randall, um legendário nadador de resgate da guarda costeira americana, interpretado por Kevin Costner, e sua esposa Helen Randall, interpretada por Sela Ward, concede a ela uma carta de divórcio, com a seguinte explicação:

"_ Eu fiz um resgate algum tempo. Um casal se afogava. Quando eu cheguei lá o marido estava fazendo a esposa afundar, tentando se manter na superfície, por extinto de sobrevivência. Eu levei, eu levei algum tempo para entender que, aquele homem era eu".

Saul não reconheceu que estava afundando o povo de Israel com os seus pecados. Davi, ao reconhecer o pecado em sua vida, fez uma quebrantada confissão, demonstrando sincero arrependimento. Assim, Saul foi rejeitado por Deus, mas, Davi aceito pelo Senhor, pois demonstrou com sua humildade e reparação ser um "homem segundo o coração de Deus". Não basta ser chamado, é preciso cumprir a vocação nos caminhos do Senhor.

Recentemente tomamos conhecimento de uma família que precisava muito de apoio espiritual. Soubemos ainda que a liderança de uma determinada igreja só aceitaria fazer uma oração na casa daquela família caso uma oferta de setecentos reais fosse feita. Será que esse é mesmo o caminho do Senhor? Sabemos que não! De graça recebemos e de graça temos que dar (Mateus 10.8). Mas, será que temos reconhecido os nossos próprios desvios? Não faz muito tempo um pastor dizia de púlpito que não pregava sobre a morte de Jesus, pois acreditava que a Sua ressurreição era mais importante do que a mensagem da Cruz. Será que esse argumento representa de fato o evangelho de Cristo?

Não basta ser chamado, é preciso seguir as veredas da justiça, da santidade e do amor. O caráter é mais importante do que os dons e talentos. A integridade é mais do que a posição social. Saul foi chamado, mas ele se perdeu no meio do caminho. Davi, também foi chamado e se perdeu no meio do caminho. Todavia, ele permitiu ser tratado por Deus. Ele permitiu ser reconduzido à sua vocação segundo o chamado de Deus. E quanto a nós?

Sigamos a recomendação paulina: "Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade" ( 2 Timóteo 2.15). Não basta ser chamado, tem que ser aprovado por Deus! E para isso é preciso aceitar os métodos de Deus em tudo. É preciso ter a mente de Cristo e os procedimentos que manifestem o Reino de Deus em tudo e para com todos. Amém.

Pr. Adriano Xavier Machado