Não Basta Ser Chamado...

Jesus já disse que muitos são chamados, mas poucos os escolhidos (Mateus 22.14). Muita coisa pode ser dita com tal afirmação do Mestre. Mas, pensemos aqui em relação ao chamado ministerial. Deus é quem chama, capacita e envia homens e mulheres para a Sua seara. No Antigo Testamento, por exemplo, dentre os muitos que foram vocacionados por Deus, vemos Saul e Davi. Ambos foram ungidos do Senhor. Ambos faziam parte dos planos e projetos de Deus. Ambos deram as suas contribuições na vida do povo de Israel. E ambos tiveram as suas falhas.

Na carreira ministerial nem sempre iremos acertar. De uma forma ou de outra sempre erramos. Mas, como estamos lidando com essa questão? Um dos piores erros na vida de um ministro é não reconhecer o próprio erro. Mas, o pior de todos é arrastar outros ao erro que se comete. Saul foi um líder que não queria afundar sozinho. Davi, por outro lado, não queria se posicionar de um modo em que a sua vida fosse um tropeço na vida do povo de Deus.

A liderança de Saul e Davi lembra muito uma parte do filme Anjos da Vida: mais bravos que o mar, quando Ben Randall, um legendário nadador de resgate da guarda costeira americana, interpretado por Kevin Costner, e sua esposa Helen Randall, interpretada por Sela Ward, concede a ela uma carta de divórcio, com a seguinte explicação:

"_ Eu fiz um resgate algum tempo. Um casal se afogava. Quando eu cheguei lá o marido estava fazendo a esposa afundar, tentando se manter na superfície, por extinto de sobrevivência. Eu levei, eu levei algum tempo para entender que, aquele homem era eu".

Saul não reconheceu que estava afundando o povo de Israel com os seus pecados. Davi, ao reconhecer o pecado em sua vida, fez uma quebrantada confissão, demonstrando sincero arrependimento. Assim, Saul foi rejeitado por Deus, mas, Davi aceito pelo Senhor, pois demonstrou com sua humildade e reparação ser um "homem segundo o coração de Deus". Não basta ser chamado, é preciso cumprir a vocação nos caminhos do Senhor.

Recentemente tomamos conhecimento de uma família que precisava muito de apoio espiritual. Soubemos ainda que a liderança de uma determinada igreja só aceitaria fazer uma oração na casa daquela família caso uma oferta de setecentos reais fosse feita. Será que esse é mesmo o caminho do Senhor? Sabemos que não! De graça recebemos e de graça temos que dar (Mateus 10.8). Mas, será que temos reconhecido os nossos próprios desvios? Não faz muito tempo um pastor dizia de púlpito que não pregava sobre a morte de Jesus, pois acreditava que a Sua ressurreição era mais importante do que a mensagem da Cruz. Será que esse argumento representa de fato o evangelho de Cristo?

Não basta ser chamado, é preciso seguir as veredas da justiça, da santidade e do amor. O caráter é mais importante do que os dons e talentos. A integridade é mais do que a posição social. Saul foi chamado, mas ele se perdeu no meio do caminho. Davi, também foi chamado e se perdeu no meio do caminho. Todavia, ele permitiu ser tratado por Deus. Ele permitiu ser reconduzido à sua vocação segundo o chamado de Deus. E quanto a nós?

Sigamos a recomendação paulina: "Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade" ( 2 Timóteo 2.15). Não basta ser chamado, tem que ser aprovado por Deus! E para isso é preciso aceitar os métodos de Deus em tudo. É preciso ter a mente de Cristo e os procedimentos que manifestem o Reino de Deus em tudo e para com todos. Amém.

Pr. Adriano Xavier Machado

Jesus é Mesmo Tudo Para Nós?

O que realmente é importante para nós? Tão facilmente dizemos que o Senhor é tudo, o maior e o melhor tesouro, mas, será que na prática isso é verdade? Quantas vezes não estamos mais interessados em elogios, aplausos e reconhecimentos do mundo, do que na autêntica vontade de Deus para a nossa vida? Pode parecer exagero, mas temos dificuldades de consultar ao Senhor em oração e, assim, conhecermos e reconhecermos o que Ele tem para nós, o que Ele quer de nós. Temos uma cultura que valoriza o poder, o dinheiro, a posição e o status social. Por isso ainda há muita competição, politicagem e atitudes duvidosas no meio cristão. E aí vem mais uma vez a pergunta: o que de fato é importante para nós?

Se Deus é tudo mesmo na nossa vida, logo, com Ele, em Sua presença santa, teremos o sentimento de propósito, satisfação e realização. Quando conferimos nas Escrituras a vida e o ministério do apóstolo Paulo, podemos perceber que ele passou por muitos momentos difíceis, sejam perseguições, prisões, açoites e tantas outras hostilidades. O que ele aprendeu com tudo isso? O que Deus lhe ensinou? "A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza". Assim, como foi com o apóstolo, não é diferente conosco. Jesus tem que ser tudo na nossa vida. E será que o apóstolo aprendeu bem essa lição? "De boa vontade, pois, me gloriarei nas minhas fraquezas, para que em mim habite o poder de Cristo".

O apóstolo Paulo aprendeu que, apesar das lutas e aflições, apesar dos dolorosos espinhos em sua carne, ainda assim valia a pena se alegrar em tudo, para que Cristo fosse tudo em sua vida. Estamos dispostos a aprender isso? Difícil é passar por essa aula. Aprender essa lição na prática não é nada fácil. Contudo, se estivermos dispostos de coração a aprender o que Deus tem para nós, através do Seu Espírito Santo, seremos capacitados, iluminados e sustentados. Talvez até pensemos em desistir do curso divino, todavia, as nossas forças se renovarão e aprenderemos o que o Senhor deseja nos ensinar: Jesus em nós é suficiente!

No passado, muitas igrejas cantavam: "É bastante pra mim a Tua graça. Receber a Salvação e o Teu perdão. É maravilhoso saber que, para sempre com Jesus vou viver. É bastante pra mim a Tua graça...". Nos dias de hoje, o que as igrejas estão cantando? É algo que transmite a mesma verdade, a mesma visão e o mesmo coração do evangelho? Ou é algo que nos leva para longe disso? Amados, ou Jesus é tudo ou Ele não é nada em nós. Quando compreendemos isso, abrimos mão de tudo somente por Ele. Quando aprendemos que o verdadeiro tesouro é Cristo, o que importa mesmo não é a nossa reputação diante dos homens, mas, sim, diante de Deus.

Diz o ditado popular que é "impossível agradar a gregos e troianos". No entanto, quantas vezes tentamos satisfazer o espírito e ao mesmo tempo a carne, o Reino, mas, também o mundo, os interesses do Senhor, mas igualmente os nossos desejos? Muitas vezes estamos divididos. Muitas vezes não estamos sendo totalmente d'Ele, isto é, não estamos plenamente rendidos ao Senhor Jesus. Recentemente cantamos em um culto de oração o hino do Cantor Cristão, 395, Cristo Satisfaz, cujo estribilho diz: "Com Cristo estou contente/Ele me satisfaz;/Com esse amor do Salvador,/Agora estou contente". Quando Jesus é tudo em nós, o nosso sentimento é de satisfação e contentamento.

Que o Senhor, portanto, seja tudo em nós. Que Jesus seja o nosso real tesouro. Vivamos para Ele. Busquemos a Sua glória. Quando aprendermos essa preciosa lição, não veremos com tanta frequência crentes desanimados, frustrados e magoados com tudo e todos. Devemos amar tanto ao Senhor Jesus que, a nossa oração se expresse nos mesmos termos da sexta estrofe do hino 296 do Cantor Cristão, Consagração: "Meu amor e meu desejo/Sejam só teu nome honrar;/Faze que meu corpo inteiro/Eu Te possa consagrar".

Pr. Adriano Xavier Machado

Autêntico Discipulado

Muito se tem escrito e ensinado sobre a importância do discipulado. Já em minha época de seminário ouvia muito sobre o assunto. Claro, não sou tão inocente assim, antes mesmo de minha preparação para o ministério, o tema era ressaltado e já fazia parte da agenda de muitas discussões missiológicas e teológicas. O tema, portanto, não é novo. Mas, será que a Igreja atual está entendendo mesmo o significado e as implicações do discipulado?

Tenho visto e tido acesso a muita literatura de capacitação cristã. Já há mais de duas décadas que tenho trabalhado com estudos bíblicos nos lares. E sempre tenho procurado levar não apenas informações bíblicas, mas, um desafio de vida comprometido com o Senhor e Salvador Jesus Cristo. Entendo que todo cristão tem que ser confrontado para uma mudança constante de vida, e, assim, aproximar-se mais e mais no objetivo proposto pelo evangelho. Ao me referir assim, é exatamente nesse ponto que vejo a deficiência de algumas iniciativas em prol do discipulado.

Antes de prosseguirmos, preciso dizer que o assunto que está sendo tratado aqui, merece cuidado e atenção, foco e reflexão, porquanto, diz respeito à saúde espiritual do Corpo de Cristo, isto é, a Igreja do Senhor que se encontra no mundo para percorrer o caminho da santidade, "sem a qual ninguém verá o Senhor" (Hebreus 12.14). O discipulado existe como um mecanismo de capacitação e orientação, para os crentes em Jesus viverem de modo íntegro e pleno os projetos do Reino.

No entanto, algumas iniciativas não passam de um conjunto de conceitos, ideias e elaborações intelectuais. Sem dúvida, os conceitos são necessários, todavia, o autêntico discipulado não se resume nem se limita a isso. Tomando Jesus como exemplo, Ele ensinava e pregava a respeito do Reino, mas Ele permitia, facilitava e até encorajava os discípulos a um caminhar junto a Ele: "Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome a sua cruz, e siga-me" (Marcos 8.34).

O autêntico discipulado não tem apenas o objetivo de encher a mente do discípulo com informações bíblicas. O autêntico discipulado trabalha na direção da transformação do caráter do discípulo à semelhança de Jesus. Não adianta uma pessoa ser capaz de responder todas as questões bíblicas e teológicas, e, não, conseguir viver e testemunhar do evangelho de Cristo. "Porque para isto sois chamados; pois também Cristo padeceu por nós, deixando-nos o exemplo, para que sigais as suas pisadas" (1 Pedro 2.21).

Acredito que precisamos renovar esse entendimento e compromisso com o discipulado cristão. Vivemos em uma sociedade que valoriza muito o conhecimento. Inclusive, a nossa época é reconhecida como a "era da informação", termo cunhado, ao que me parece por Peter Drucker. Pode até ser que para algumas esferas da sociedade a exigência seja mesmo a capacidade de dominar o conhecimento, todavia, no Reino, o que importa mesmo é a capacidade de praticar e viver o que se sabe, praticar e viver o que se aprende aos pés de Jesus.

No Reino não há valor algum as explanações sem as demonstrações de vida. O que adianta alguém conseguir decorar todos os nomes dos livros da Bíblia, ser um especialista em citações bíblicas, conseguir explicar os textos mais complexos das Escrituras e não conhecer o Autor da Bíblia? De que vale a nossa capacidade intelectual e não termos relacionamento algum com o Senhor da glória?

 O autêntico discipulado é, portanto, todo esforço que valoriza o caminhar íntimo e pessoal com Jesus Cristo. E para isso, requer-se do discípulo renúncia e comprometimento, requer-se um preço, ou seja, o carregar a cruz. Discipulado não é apenas oferecer algo, mas principalmente esperar do discípulo uma posição em que dê preferência e prioridade ao Reino. Jesus resumiu isso muito bem quando disse: "Porque, qualquer que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á; mas qualquer que, por amor de mim, perder a sua vida, a salvará" (Lucas 9.24).

A Igreja tem a incumbência da evangelização. O evangelho tem que ser pregado em testemunho a todos os povos, nações e tribos. Mas, a missão da Igreja não fica completa sem o discipulado. É preciso ensinar a guardar, isto é, a praticar e viver todas as coisas que o Senhor tem mandado. Façamos, portanto, do discipulado um desafio de transformação contínua de cada discípulo de Jesus, e, não, meramente um depósito de informação sem vida, sem a graça e o poder do Espírito Santo de Deus. Para o autêntico discipulado, só tem valor o conhecimento que é demonstrado em vida para a glória de Deus.

Pr. Adriano Xavier Machado


Resolvendo Conflitos

Quer no lar, na igreja, no trabalho ou em qualquer outro lugar, onde há pessoas que se relacionam, os conflitos aparecem. Em Atos dos Apóstolos vemos que "houve uma murmuração dos gregos contra os hebreus, porque as suas viúvas eram desprezadas no ministério cotidiano" (6.1). No mesmo livro sagrado também vemos uma contenda entre Paulo e Barnabé, "que se apartaram um do outro" (15.39). Bem, com tais exemplos, fica evidente que os conflitos fazem parte das relações humanas. No entanto, precisamos reconhecer que podemos tomar alguns procedimentos que podem resolver ou pelo menos amenizar os conflitos. Vejamos quais são esses procedimentos:

1. Não ignorar o problema. Se há alguma coisa errada, não devemos fazer de conta que tudo está bem. Tapar os olhos diante do perigo, não livrará ninguém das trágicas consequências. Portanto, não adianta esconder a cabeça no buraco.

2. Não fomentar a crise. Conversas desnecessárias, com certeza, irão piorar a situação. Quanto mais lenha na fogueira, mais fogo se terá. Igualmente, quanto mais combustível no conflito, mais longe ele vai.

3. Saber dialogar. Aqui se exige sabedoria, discernimento e vigilância nas palavras. Tudo que vem em tom de julgamento e acusação enfraquece o diálogo. E sem diálogo, não se resolve nada.

4. Assumir atitude de servo. Nada piora mais o conflito do que o orgulho, a petulância e a arrogância. Quem deseja se colocar mais do que o outro, demonstra que não tem nada de bom no coração e nas intenções.

5. Considerar o exemplo de Cristo. Jesus foi manso e humilde, mas também firme e corajoso. Quem não deve, não teme.

6. Não recorrer à mentira. Já sabemos que o diabo é o pai da mentira. Portanto, esse recurso nunca de fato nos ajudará em nada. Como diz o ditado popular: "a mentira tem perna curta". Quem mente não terá a confiança de ninguém.

7. Ter paciência. Muitas vezes o conflito não se resolve no primeiro momento do diálogo. Às vezes, exige tempo, tempo para a poeira baixar, tempo para se respirar ar fresco.

8. Buscar orientação. Não é ficar de fofoca, é buscar sábios conselhos com pessoas maduras, inteligentes e experientes. Mas por favor, não é com todas as pessoas sábias, inteligentes e maduras, pois aí, corre-se o risco de ser maledicente.

9. Saber ouvir. O problema geral do ser humano é querer sempre falar e fazer com que a sua fala prevaleça, nem que seja no grito e na ignorância. Quem sabe realmente ouvir, saberá falar o suficiente e com toda lucidez.

10. Amar sempre. Resolvendo ou não o conflito, o nosso compromisso é com o amor. Nada de mágoas, ofensas, rancor ou ódio. "Só o amor é capaz de unir os corações. Só o amor pode tudo. Só o amor faz a gente, faz a gente ser feliz. Só o amor nos faz olhar pra frente".

O conflito traz desgaste e muita confusão. Mas, em Cristo Jesus e sob a luz de Sua santa Palavra, podemos buscar e ter um encontro com a paz, a justiça, a santidade e o amor
. "Toda a amargura, e ira, e cólera, e gritaria, e blasfêmia e toda a malícia sejam tiradas  dentre vós. Antes sede uns para com os outros benignos, misericordiosos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus vos perdoou em Cristo" (Efésios 4.31,32). Que Deus nos abençoe. Amém.

Pr. Adriano Xavier Machado

"Todos me Abandonaram"

Muitas vezes temos encontrado ministros do evangelho que se sentem desamparados, esquecidos e sem muito apoio. O apóstolo Paulo mesmo passou por uma experiência semelhante: "todos me abandonaram" (2 Timóteo 4.16). Diante dos muitos desafios e os enormes obstáculos seria conveniente mais recursos humanos, investimentos e intercessores. No entanto, nem sempre isso acontece. Por isso, muitos obreiros se encontram magoados, decepcionados e até desanimados.

Com certeza, a obra de Deus caminha melhor quando há parcerias. Quanto mais gente envolvida em um projeto, maior a possibilidade para o seu sucesso. Todavia, nem sempre as coisas funcionam assim. Nem sempre há uma resposta de cooperação por parte da igreja local nem mesmo da denominação em relação aos projetos que Deus nos tem confiado. Por que será? Por que Deus permite isso? Será que podemos aprender algo?

Amados, muitas vezes Deus deseja nos ensinar algo muito importante com o "todos me abandonaram". O que pode ser? Resposta: a dependência total no Senhor. Como diz a letra de certa música: "Toma-me, rendido estou. Aos pés da Cruz me encontrei. O que tenho te entrego, oh, Deus". Sim, Deus usa o esquecimento, o abandono, o desprezo e até a insensibilidade dos que deveriam nos acompanhar e nos ajudar, para dependermos somente d'Ele.

Há momentos na vida que precisamos realmente aprender a depender somente de Deus. O "todos me abandonaram" é para recebermos consolo, direção, sabedoria e discernimento somente do Senhor. É um método divino para desfazer de todas as nossas muletas sociais, psicológicas ou até mesmo religiosas. O "todos me abandonaram" não é para a nossa destruição e desolação, mas para conseguirmos reconhecer que Deus é a nossa verdadeira força, graça e vida. Passando pela experiência do "todos me abandonaram", poderemos experimentar o "tudo posso naquele que me fortalece" (Filipenses 2.13).

Contudo, infelizmente, muitos obreiros se escandalizam diante da experiência do "todos me abandonaram". Revelam com seus atos, sentimentos e palavras que, não aprenderam a depender de Deus. Assim, revoltam-se com tudo e todos, ficam facilmente ofendidos e frustrados quando as expectativas não são correspondidas. Quando, na verdade, o posicionamento deveria ser outro, isto é, rendição total ao Espírito Santo de Deus. Não precisamos ter dúvidas, quando o Senhor deseja nos ensinar algo, o "todos me abandonaram" é um recurso maravilhoso e muito eficaz para a nossa capacitação espiritual.

Como já foi dito, o apóstolo Paulo passou pela experiência do "todos me abandonaram". Porém, não ficou por aí. Conforme suas palavras "o Senhor me assistiu e me revestiu de forças" (2 Timóteo 4.17). É o que acontece com quem espera pelo Senhor. Ele nunca nos abandona. Ele nunca nos deixa verdadeiramente sozinhos. Podemos continuar fazendo a Sua obra. Podemos continuar empenhados nos planos e projetos que Deus tem para nós, pois temos a promessa: "E eis que estou convosco todos os dias até a consumação dos séculos" (Mateus 28.20).

Pr. Adriano Xavier Machado

Homens de Pouca Fé


 Qual é o verdadeiro problema da Igreja? Qual é a nossa verdadeira necessidade? Tal como na época de Jesus, somos muitas vezes "homens de pouca fé". Temos muita dificuldade para crer nas promessas do Senhor. Olhamos para muitos eventos do Antigo Testamento e reconhecemos a incredulidade do Povo de Deus. Conferimos o Novo Testamento e percebemos quando os apóstolos falhavam em confiar. Todavia, geralmente fracassamos em perceber a nossa própria incredulidade diante dos muitos desafios da vida. Ficamos preocupados, ansiosos, agitados e até perturbados, e, não, percebemos que tudo isso se deve a nossa dificuldade em crer no poder e na graça do Senhor.

O atestado de Jesus para as diversas ocasiões na vida dos discípulos e nos demais ouvintes foi um só: "homens de pouca fé". Jesus no sermão da montanha afirmou: "Pois, se Deus assim veste a erva do campo, que hoje existe, e amanhã é lançada no forno, não vos vestirá a vós, homens de pouca fé? (Mateus 6.30). Jesus em um barco que enfrentava uma tempestade alertou: "Por que temeis homens de pouca fé? Então, levantando-se, repreendeu os ventos e o mar, e seguiu-se uma grande bonança" (Mateus 8.26). Depois dos milagres da multiplicação dos pães, Jesus exortou: "Por que arrazoais entre vós, homens de pouca fé, sobre o não terdes trazido pão? " (Mateus 16.8). Em todas as angústias, ansiedades e medos, o problema é esse: "homens de pouca fé".

Em muitos dos cultos do Seminário Teológico Betel, RJ, cantávamos o hino "Em Fervente Oração". Era um verdadeiro período de preparação e desafio espiritual, principalmente quando repetíamos o coro: "Quando tudo perante o Senhor estiver, e todo o seu ser Ele controlar, só, então, hás de ver que o Senhor tem poder, quando tudo deixares no Altar". Sim, isso é fé. Deus deseja que expressemos a nossa confiança n'Ele, entregando tudo a Ele. Tudo deve estar sob a Sua liderança, Seu governo e controle. Mas, para fazermos isso, precisamos reconhecer a Sua soberania e graça. De outro modo, recorreremos a métodos duvidosos, carnais e até mesmo diabólicos na tentativa de se buscar uma solução para algum problema.

É muito fácil, para nós que temos o dom do ensino, assumirmos o púlpito e falarmos muita coisa sobre a fé. No entanto, quando as dificuldades se levantam, quando a enfermidade vem, quando há oposição, quando falta dinheiro, quando parece que estamos sendo esquecidos por todos, quando as coisas não estão bem, como tem sido a nossa postura? De vítima ou de dependência de Deus? De frustração ou esperança no Senhor? De desânimo ou de confiança nas promessas do Alto? As circunstâncias revelam o nosso calibre espiritual. E muitas vezes temos demonstrado na prática que somos "homens de pouca fé". Falamos, mas não vivemos. Pregamos, mas não tomamos posse. Ensinamos sobre a fé, mas não a experimentamos.

Paremos um pouco, reflitamos, será que aprendemos mesmo a confiar em Deus? Homens e mulheres de fé se comprometem sempre com a verdade, paciência, humildade, ética, respeito e com todos os valores cristãos, pois reconhecem a soberania do Senhor em tudo. Homens e mulheres de fé sabem que o Senhor trabalha a favor de todos os que são Seus. Homens e mulheres de fé são aqueles que permitem que o Senhor assuma o controle de todas as causas, direitos, sonhos e questões que incomodam e apertam o coração. Homens e mulheres de fé não precisam recorrer a manobras políticas ou mesmo a pessoas "importantes" para conseguirem o que desejam, isto é, com aquele famoso e vergonhoso "jeitinho brasileiro". Homens e mulheres de Deus confiam, descansam e esperam em Deus.

Deixemos que a Palavra de Deus ministre ao nosso coração: "Confia ao SENHOR as tuas obras, e teus pensamentos serão estabelecidos" (Provérbios 16.3). "Confia no Senhor e faze o bem; habitarás na terra, e verdadeiramente serás alimentado" (Salmos 37.3). "Confia no SENHOR de todo o teu coração, e não te estribes no teu próprio entendimento" (Provérbios 3.5). "O justo se alegrará no SENHOR, e confiará nele, e todos os retos de coração se gloriarão" (Salmos 64.10). São conselhos assim que estão norteando a nossa vida? As promessas da Palavra de Deus estão servindo de referência em tempos de escolhas e decisões? Que o Senhor ao olhar para nós não precise dizer: "homens de pouca fé".

Pr. Adriano Xavier Machado

Tempo de Reconstrução

Ai, ai, ai, assim tem início este artigo. "Ai dos que habitam na terra e no mar; porque o diabo desceu a vós, e tem grande ira, sabendo que já tem pouco tempo" (Apocalipse 12.12). Posso parecer apelativo e sensacionalista, mas a grande verdade é que é vindo o juízo. Quando acompanho os noticiários vejo claramente isso: destruição. Os verdadeiros muros que protegem qualquer sociedade e família estão sendo destruídos. Os muros da ética, da moralidade, do respeito, do entendimento e tantos outros muros fundamentais para a proteção e segurança dos indivíduos estão em ruína.

O pior é que tentam nos convencer que há progresso, avanço e liberdade. Estamos ficando expostos, sem proteção, mas dizem que tudo está bem. Homens e mulheres que se afastam de Deus, esforçam-se por ditar comportamento, tendências e valores. Homens e mulheres que não amam nem temem a Deus, anunciam mentiras. Atores, jornalistas, políticos e acadêmicos das diversas áreas, comprometeram-se em destruir a família tradicional, o casamento bíblico e a vida de quem está para nascer. Destruição essa que, não ocorre com armas de fogo ou com bombas atômicas, mas com ideologias pervertidas, gananciosas e iníquas. Ai, ai, ai, pois "quando disserem: "Há paz e segurança, então lhes sobrevirá repentina destruição"(1 Tessalonicenses 5.3).

Mas, nós como povo de Deus o que estamos fazendo? Temo que muitas vezes estejamos sendo meros espectadores. Temo que estejamos distraídos com os nossos próprios negócios. Temo que não estejamos mais com a percepção espiritual apurada, refinada. O problema, por exemplo, do homossexualismo não é de fato político nem científico, mas espiritual. "Deus os abandonou às paixões infames. Porque até as suas mulheres mudaram o uso natural, no contrário à natureza. E, semelhantemente, também os homens, deixando o uso natural da mulher, se inflamaram em sua sensualidade uns para com os outros, homens com homens, cometendo torpeza e recebendo em si mesmos a recompensa que convinha ao seu erro" (Romanos 1.26, 27).

Está escrito. Está claramente exposto nas Escrituras. O juízo é manifesto. Mas, como alguém já disse, "por mais que você mostre, prove e argumente, não faz a diferença. As pessoas só enxergam o que querem enxergar". Então, o que podemos fazer? Amados, podemos orar. Podemos levantar um clamor aos céus. Necessitamos de uma mobilização de oração por nossa Nação. "E se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar, e buscar a minha face e se converter dos seus maus caminhos, então eu ouvirei dos céus, e perdoarei os seus pecados, e sararei a sua terra" (2 Crônicas 7.14). O problema é que debatemos demais, explicamos demais, argumentamos demais, mas oramos pouco.

Decerto, o pecado tem que ser denunciado. O erro tem que ser combatido. Não podemos nos calar diante da perversidade e iniquidade do mundo. João Batista soube se posicionar perante o pecado de Herodes. O apóstolo Paulo perante o legalismo do cristianismo judaizante. Temos que nos posicionar também perante todo pecado e injustiça. Contudo, não podemos deixar de orar. Os muros precisam ser reconstruídos com recursos espirituais. Homens e mulheres deixarão o pecado pela poderosa obra de Jesus. A cura de nossa Nação está somente no evangelho da graça de Deus. Talvez, muito do que tem acontecido no mundo, em termos de violência, imoralidade e corrupção, seja apenas um sintoma da nossa chaga espiritual, isto é, não temos orado o suficiente, não temos tido um coração quebrantado diante do trono santo de Deus.

Ai, ai, ai, sim, ai do mundo sem Deus, mas ai do povo de Deus se for negligente e estiver em pecado, porquanto "já é tempo que comece o julgamento pela casa de Deus; e se primeiro começa por nós, qual será o fim daqueles que não são obedientes ao evangelho de Jesus?" (1 Pedro 4.17). Ai, ai, ai, choremos por nossa apatia espiritual. Ai, ai, ai, lamentemos por causa de tanta indiferença para com o evangelho de Jesus. Ai, ai, ai, oremos por um autêntico avivamento. "Bem vedes vós a miséria em que estamos... vinde, pois, e reedifiquemos o muro de Jerusalém, e não sejamos mais um opróbrio" (Neemias 2.17). Deus nos ajude em tudo. Deus nos ajude a reconstruir o que é santo e agradável ao Seu nome.

Pr. Adriano Xavier Machado