Cristianismo Dinâmico

O cristianismo do evangelho, não apenas de uma tradição religiosa, sem dúvida, faz uso do discurso para a promoção da fé. Jesus disse: "Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura" (Marcos 16.15). A Palavra de Deus é pregada e compartilhada para a salvação de almas. "De sorte que a fé é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus" (Romanos 10.17). No entanto, o cristianismo é muito mais do que pregação e ensino. O cristianismo não se resume a uma plataforma para a oratória ou a uma mera verbalização de ideias e conceitos. O cristianismo de Jesus é movimento, é conteúdo encarnado, é a capacidade de tomar iniciativa, ousadia de intervir, experiência, mudança, contato, tato e olfato. O cristianismo de Jesus é vida e dinamismo. "Na verdade, na verdade te digo que nós dizemos o que sabemos, e testificamos o que vimos" (João 3.11).

Nos evangelhos podemos ver Jesus em constante movimento. Ora Ele se encontra em um monte, ora Ele está presente em uma sinagoga. Ele caminha por cidades e aldeias, por praias e desertos. Jesus fica diante de mendigos, cegos, prostitutas, paralíticos ou leprosos. Jesus participa de festas religiosas ou de banquetes sociais com publicanos e pecadores. Jesus dá atenção às crianças, ouve o clamor dos aflitos e sempre vai ao encontro do necessitado. O ministério terreno de Jesus não se limitou a algo que vemos nos dias de hoje em termos de especialistas apenas de "palanques" ou "púlpitos". Jesus sentia o cheiro das pessoas, ficava atento à dor dos cansados e oprimidos, sempre agindo, caminhando e vivendo o que pregava.

Com certeza Jesus também é lembrado por seus grandes ensinamentos e sermões, por suas doutrinas e parábolas. O Sermão da Montanha e a Parábola do Semeador, por exemplo, são famosos e lembrados por grandes oradores e mestres. Mas, o que mais se destacou em Jesus foi a Sua vida atuante, operante, confrontando as injustiças, curando os doentes, libertando os encarcerados de espírito, enfim, fazendo enquanto era dia, a obra do Pai (João 9.4). E aí deve estar o nosso objetivo de fé. No exemplo de Jesus devemos viver o cristianismo. "Porque para isto sois chamados; pois também Cristo padeceu por nós, deixando-nos o exemplo, para que sigais as suas pisadas" (1 Pedro 2.21).

Um trabalho literário que marcou muito o início da minha caminhada cristã foi o de Charles Sheldon: "Em Seus Passos o que Faria Jesus?". O título em si já é bastante sugestivo e desafiador. O livro nos faz refletir sobre respostas práticas que devemos dar em nome de Jesus no nosso dia a dia. O livro não é um convite à pesquisa teológica, mas, a uma posição cristã diante dos dilemas e complexidades da vida. Levando em conta a atual cultura midiática que nos bombardeia com tantas informações e notícias, deixando-nos com uma postura passiva e de alienação, provavelmente a proposta da obra de Sheldon tem mais relevância nos dias de hoje, do que no fim do século XIX, quando o livro então foi editado e impresso. Pois mais do que nunca urge vivermos um cristianismo que se movimenta e interage na comunidade local e na sociedade de uma forma geral.

Pelos noticiários somos informados das muitas misérias e injustiças no Brasil e no mundo. É a corrupção na política, a violência contra a mulher, famílias sendo destruídas pelo álcool e drogas, homicídios de jovens e adolescentes e tantas outras situações humilhantes e degradantes. E o que a Igreja tem feito? Há sim algumas iniciativas pontuais dignas de reconhecimento, mas tudo indica que é preciso muito mais. Parece que o que prevalece ainda é o cristianismo das escrivaninhas, das salas de aula, dos púlpitos. Precisamos mesmo do cristianismo das ruas, dos becos, das estradas, praças e cidades. Precisamos do cristianismo que olha nos olhos, que ouve o gemido do angustiado, que oferece pão ao faminto, o abraço ao carente e o aperto de mão a quem necessita de encorajamento. Enfim, precisamos do cristianismo cheio de vida que lida de modo prático com a vida das pessoas.

Tiago nos oferece um pensamento muito adequado e equilibrado a respeito do cristianismo. Para ele a fé coopera com as obras e "pelas obras a fé é aperfeiçoada" (2.23). O entendimento do apóstolo é que a fé se manifesta com atos de justiça. A sua conclusão, portanto, é que "assim como o corpo sem o espírito está morto, assim também a fé sem obras é morta" (2.26). Tiago não aceita de jeito nenhum uma espécie de cristianismo que não tem efeito na prática do dia a dia. Ele cita um exemplo esclarecedor: "Se um irmão ou irmã estiver necessitando de roupas e do mantimento de cada dia e um de vocês lhe disser: 'Vá em paz, aqueça-se e alimente-se até satisfazer-se', sem porém lhe dar nada, de que adianta isso?" (2.15,16 _ NVI). Um cristianismo assim, para Tiago, não tem a vida do Espírito. Pois cristianismo autêntico é aquele que se manifesta não apenas discursivamente, mas com atos e obras que reflitam a transformação em Jesus e toda orientação santa e graciosa do Seu evangelho redentor. É esse tipo de cristianismo que o mundo mais precisa.

Pr. Adriano Xavier Machado

Discernimento Espiritual

O discernimento espiritual tem a ver com a capacidade de se fazer juízo correto e verdadeiro em relação as coisas, pessoas, palavras ou circunstâncias, tendo por fundamento o caráter, os atributos e a vontade de Deus. Não é uma questão de mero entendimento intelectual, adquirido pelo raciocínio, pela lógica ou razão. Filósofos fazem uso da mente, recorrem à análise e à comparação, no entanto, só isso não os capacita ao discernimento espiritual. É preciso algo além das faculdades do intelecto. É preciso de uma revelação ou iluminação do Espírito.

Primeiramente, entendemos que o discernimento espiritual é uma capacitação do Espírito Santo. O apóstolo Paulo escrevendo à Igreja de Corinto reconhece que a alguns lhes é dado "o dom de discernir os espíritos" (1 Coríntios 12.10). Sabemos que uma das estratégias do diabo para confundir e enganar a Igreja é o uso de heresias e falsos mestres. Jesus mesmo chegou a dizer: "Porque se levantarão falsos cristos, e falsos profetas, e farão sinais e prodígios, para enganarem, se for possível, até os escolhidos" (Mateus 13.22). Somente com a capacitação do Espírito Santo o cristão poderá discernir a verdade da mentira e a luz das trevas.

Se os escolhidos não são enganados é devido a graciosidade do Espírito Santo que os guia a toda a verdade. "Mas, quando vier aquele Espírito de verdade, ele vos guiará em toda a verdade; porque não falará de si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido, e vos anunciará o que há de vir" (João 16.13). Todavia, os que permitem ser ludibriados pelo erro é porque não vivem verdadeiramente na dimensão do Espírito. Sim, muitas vezes são religiosos, são inteligentes e até mesmo sinceros, mas tudo não passa de uma ação carnal, faltando-lhes, portanto, a dependência e a obra poderosa do Espírito Santo.

Ficamos perplexos como algumas pessoas são levadas ao erro facilmente. Ouvem sermões bíblicos, leem livros de conteúdo evangélico, estão quase sempre diante da verdade de Cristo, mas nunca aprendem de fato a verdade do Senhor. Por quê? Porque ainda não entraram plenamente ou ainda não aprenderam a reconhecer verdadeiramente aqueles "lugares celestiais em Cristo" (Efésios 1.3). Assim, são seduzidas pela aparência religiosa e facilmente atraídas por "sinais e prodígios" que não correspondem ao puro evangelho de Jesus. Essas pessoas precisam de um despertar e da experiência transbordante do derramamento do Espírito Santo de Deus.

Segundo, entendemos que o discernimento espiritual é para todos os que creem em Cristo. É verdade que alguns possuem esse dom mais destacado e aprofundado. O discernimento espiritual é um dos dons do Espírito. Mas, todos precisam de uma certa medida desse dom espiritual. Caso contrário, serão presas fáceis. Ouvirão um testemunho mirabolante e emocionante e, mesmo não tendo nada a ver com o evangelho, dirão na religiosidade da carne: amém, aleluia e glórias a Deus. Não estamos brincando nem zombando da fé de ninguém, apenas alertando. Nenhum cristão deve ser tão inocente a ponto de "engolir" tudo o que vê, lê ou ouve. Temos o Espírito de Deus que nos conduz à verdade de Cristo e à Sua Palavra que ilumina o nosso entendimento.

Todo cristão pode ter uma certa medida de discernimento espiritual, porque todo salvo pode estar transbordante do Espírito. O apóstolo Paulo escreveu para a Igreja de Éfeso: "E não vos embriagueis com vinho, em que há contenda, mas enchei-vos do Espírito" (Efésios 5.18). Talvez o grande problema é que essa orientação não tem sido levada tão a sério. Há cristãos fazendo ou querendo fazer de tudo no ministério eclesiástico, menos arrumar tempo para se encher do Espírito Santo. Sem dúvida, importa fazer a obra do Senhor, estudar, pesquisar e aprender sobre a Bíblia e a teologia, mas nada poderá substituir a nossa capacitação espiritual.

É interessante que nos dias de hoje os crentes têm acesso fácil a DVDs, CDs e livros que tratam da fé cristã, no entanto, muitas vezes não tem havido nenhuma transformação do caráter à semelhança de Cristo. A prova disso é que muitas igrejas estão divididas, muitos casais evangélicos recorrem pronta e facilmente ao divórcio, a pornografia não está presente apenas no "mundão", mas também nos arraiais cristãos, enfim, muitos são os que professam o nome de Jesus e que continuam derrotados ou escravizados pelo pecado. Importa considerar mais a recomendação paulina: "enchei-vos do Espírito".

Com discernimento espiritual enxergaremos melhor o que Deus tem para nós. Com discernimento espiritual perceberemos os perigos do "laço do passarinheiro" (Salmos 91.3). Com discernimento espiritual conseguiremos examinar tudo e reter o que é somente bom (1 Tessalonicenses 5.21). Com discernimento conseguiremos separar "entre o santo e o profano, e o farão discernir entre o impuro e o puro" (Ezequiel 44.23). Mas, sem o discernimento espiritual não há como filtrar nada ou quase nada. Estamos entendendo o que está sendo dito aqui? Se sim, então provavelmente, pela graça de Deus e ação do Espírito Santo estamos tendo discernimento espiritual.

Pr. Adriano Xavier Machado

Lance Armstrong _ sucesso é ter um bom nome

Sete vezes campeão no Tour de France.  Com o patrocínio de uma das maiores marcas desportivas, isto é, a Nike. Nada parecia detê-lo. Nem mesmo o câncer conseguiu derrotá-lo. Focado sempre para vencer, afirmou: "A dor é temporária. Ela pode durar um minuto, ou uma hora, ou um dia, ou um ano, mas finalmente ela acabará e alguma outra coisa tomará o seu lugar. Se eu paro, no entanto, ela dura para sempre". Assim foi o ciclista americano Lance Armstrong: sempre prosseguindo, sendo admirado e aplaudido por todos. Até que o uso de doping foi reconhecido, comprovado e divulgado. Aí não teve mais como levar adiante todo o esquema. Tudo o que havia construído desmoronou. De herói passa a ser o vilão. Das alturas experimentou uma terrível queda. Havia conseguido o sucesso e os títulos por vias não aceitáveis ou recomendáveis.

Lance Armstrong é um exemplo a não ser seguido. Estamos quase sempre pensando em sucesso, em construir uma carreira de destaque e promissora, em vencer todos os desafios que a vida nos apresenta, em ser uma referência profissional ou ministerial, enfim, não queremos ser detidos por nada nem por ninguém para se alcançar a glória, o auge e, conforme a possibilidade, o constante primeiro lugar. Contudo, precisamos saber se estamos seguindo pelo caminho correto. Não adianta sermos aplaudidos hoje e amanhã sermos vaiados. Não adianta fantasiarmos hoje e amanhã sermos desmascarados. O que pode levar anos para ser construído ou conquistado, em um dia tudo pode ser desfeito e ir embora como plumas ao vento, caso não haja a segurança de algo sólido, consistente e permanente. Sim, é importante prosseguir, perseverar e nunca desistir. Mas, é igualmente importante saber por onde estamos "pedalando".

Afirma uma música popular que, a "vida é feito andar de bicicleta: se parar você cai... Sempre alimente a esperança de vencer. Só duvide de quem duvida de você". Lance Armstrong pedalou. Nada o fez parar. Seu propósito foi vencer. Ele nunca duvidou do seu potencial. Ele sabia que podia ser um campeão. Contudo, o problema de Armstrong foi escolher o caminho errado para alcançar o seu objetivo. Aqui podemos parafrasear um texto bíblico: "há caminhos que parecem promissores, porém, são falsos, pois o fim deles é a destruição, a vergonha e humilhação". Sim, não basta apenas ter garra, é preciso seguir por um caminho totalmente ético, sensato, humilde, honesto, justo, verdadeiro, seguro e inteligente. Pode nem sempre ser fácil, mas, com toda certeza, sempre será o melhor. Pois, não adianta começar bem e terminar mal. Salomão já dizia: "Melhor é o fim das coisas do que o princípio delas".

Há uma lenda que fala de uma sacerdotisa que pediu ao deus Apolo vida longa, mas se esqueceu de especificar a manutenção de sua juventude. Os anos se passaram e o seu corpo foi sendo desgastado. O que deveria ser um presente, passou a ser uma maldição. Vivendo por quase um milênio, o seu fim foi de solidão, amargura e em estrema feiura. Se soubesse fazer o pedido de maneira certa, poderia ter vivido desfrutando de todos os sabores e privilégios da beleza feminina. Ela sabia o que queria, mas não sabia como de fato conseguir o que desejava. O que deveria ser uma grande oportunidade, passou a ser a grande tragédia. Essa lenda nos faz lembrar de que não basta saber o que se quer, é preciso também saber como conseguir o objetivo. O processo é fundamental. O caminho escolhido é essencial. A direção que se segue é o que de fato faz a diferença.

Lance Armstrong errou o caminho. E quanto a nós? Estamos na direção certa? Vamos entender que se não estivermos seguindo por um caminho correto, os louros de hoje poderão ser transformados em espinhos amanhã, as recompensas em punições, as comemorações em lamentos. Todavia, se seguirmos na devida direção para se alcançar a vitória em tudo o que fazemos, constataremos de que vale muito "mais ter um bom nome do que muitas riquezas; e o ser estimado é melhor do que a riqueza e o ouro". Porquanto, o verdadeiro sucesso não tem nada a ver com títulos, medalhas ou premiações, mas, com um nome que seja digno de respeito e consideração. Um nome que possa ser motivo de honra para os pais, de alegria para o cônjuge, de estima para os filhos, de lucidez para os amigos e, principalmente, de um nome que ache graça perante os ouvidos do Senhor. Saibamos acertar o caminho. O resultado será o sucesso de um nome abençoado com crédito entre os homens e aprovação nos céus.

Pr. Adriano Xavier Machado

Castelos de Areia

Quando criança gostávamos de fazer castelos de areia na praia. Por mais que houvesse esmero e cuidado, aquelas "construções" não tinham muita durabilidade. Ou eram desfeitas pelos ventos ou engolidas pelas ondas do mar. Isso nos faz lembrar a vida humana com os seus desafios, sonhos e projetos. Por mais que venhamos a construir coisas para a nossa satisfação, realização ou ainda para a nossa própria segurança, ventos e ondas da vida podem desfazer tudo num piscar de olhos. Os castelos que construímos são de areia.

Com o tempo aprendemos que o importante mesmo não é construirmos alguma coisa por nossas próprias forças ou sabedoria, mas permitirmos que Deus construa algo em nós e através de nós. Tudo o que podemos oferecer é de areia, passageiro e sem consistência. Contudo, o que vem de Deus resiste aos ventos e as ondas da vida. Toda obra divina tem durabilidade, eternidade. Por que, então, perdermos tempo com castelos de areia? Há um projeto divino seguro e que não poderá ser destruído ou desfeito por nada nem ninguém.

Certa vez Andrew Murray fez uma importante constatação: "Não pense no pouco que tem para oferecer para Deus, mas no quanto Ele lhe quer dar". Exatamente, temos muito pouco a oferecer, temos poucos recursos, mas, Deus tem muito a nos conceder. O Senhor tem maravilhas para o nosso viver. Logo, vamos de fato receber tudo o que o Senhor deseja compartilhar conosco. Vamos com ousadia abrir o coração para o Senhor, prontos para receber toda a Sua direção, verdade e luz. Deus deseja estar conosco, ajudando-nos a construir para a eternidade.

Há um texto bíblico que deveríamos lembrar sempre: "E o mundo passa, e a sua concupiscência; mas aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre" (1 João 2.17). Não há nada no mundo que possa subsistir ao tempo ou trazer satisfação em todas as estações da vida. Não há eternidade no mundo nem nas suas obras. Tudo passa. Todavia, em Deus há muito mais do que podemos sonhar ou desejar. Quem faz a vontade d'Ele permanece para sempre. É a promessa bíblica. É o que nos ensina a Palavra de Deus. A obra divina no nosso viver não é de areia.

Venham os ventos. Venham as ondas. Sabemos em quem temos crido. Sabemos que Ele nos guarda em todo o tempo. Sabemos que Ele é por nós. Por mais intensos que sejam os ventos, o que Deus faz em nós não será desfeito. Por mais fortes que sejam as ondas, ainda ficaremos firmes e constantes. "Tendo por certo isto mesmo, que aquele que em vós começou a boa obra a aperfeiçoará até ao dia de Jesus Cristo" (Filipenses 1.6). "E o Deus de toda a graça, que em Cristo Jesus vos chamou à sua eterna glória, depois de haverdes padecido um pouco, ele mesmo vos aperfeiçoará, confirmará, fortificará e fortalecerá" (1 Pedro 5.10). Amém.

Pr. Adriano Xavier Machado

Adoração, relíquias e fé

Adorar a Deus. Eis um desafio constante na vida cristã. Sabemos que a adoração não pode ser de qualquer jeito, mas em espírito e em verdade (João 4.23,24). Mas, será que de fato estamos entendendo o que isso significa? Estamos realmente vivendo em uma época de muitos erros e enganos religiosos. Assim, tal qual a mulher samaritana que não sabia o que realmente adorava, muitos nos dias de hoje estão longe da verdadeira adoração. Para muitos o Espírito Santo continua testificando: "Vós adorais o que não conheceis".

De fato, não há nada de novo debaixo do Sol (Eclesiastes 1.9). A história da humanidade é cíclica. De certa forma, tudo se repete. E uma das coisas que vem se repetindo é a adoração sem conhecimento. Não estamos discutindo a sinceridade ou mesmo o fervor religioso, mas sim a ignorância e falta de sabedoria espiritual. No Antigo Testamento, o povo de Deus já perecia por falta de conhecimento (Oséias 4.6). O texto não se refere aos povos pagãos ou idólatras, mas ao povo de Deus que se encontrava no engano.

É muito fácil olharmos para o passado e apontarmos os erros cometidos. O problema é que temos muita dificuldade de fazermos uma autoavaliação. Ficamos imaginando gerações futuras estudando sobre a nossa época e ficando escandalizadas com os muitos desvios de nossas igrejas. Muito da adoração contemporânea é semelhante à veneração de relíquias e compras de indulgências do período medieval. A adoração de muitos cristãos não é de fato voltada para Deus, mas para objetos "sagrados" que foram "ungidos" por líderes eclesiásticos que "intercedem" pelo povo. Não há uma real fé que descansa, espera e confia em Jesus.

A adoração verdadeira está na dimensão espiritual. Não tem nada a ver com o que é palpável ou pode ser visto. A bênção de Deus não pode ser obtida com recursos materiais ou mecanismos humanos. "Deus é Espírito, e é necessário que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade" (João 4.24). E só podemos alcançar essa condição através de Jesus (João 14.6). Somente pela fé em Jesus podemos chegar ao trono da graça para recebermos socorro no momento oportuno (Hebreus 4.16). Não tem nada a ver mesmo com as receitas religiosas inventadas por homens. Só Jesus Cristo cura, liberta e salva.

Quando Jesus disse que a salvação vem dos judeus (João 4.22), Ele estava querendo dizer a respeito de Si mesmo como a fonte de toda bênção espiritual. Havia um debate sobre o verdadeiro lugar de adoração. Para os samaritanos seria no Monte Gerizim e para os judeus em Jerusalém. Podemos perceber que a discussão girava em torno de questões humanas e terrenas. Não se tinha uma autêntica percepção espiritual. Mas, Jesus explicou: "Mulher, crê-me que a hora vem, em que nem neste monte nem em Jerusalém adorareis o Pai... Mas a hora vem, e agora é..." (João 4.21,23). Por que Jesus disse "agora é"? Porque Ele já tinha vindo ao mundo para realizar uma obra poderosa que derrotaria o pecado e o diabo com todas as suas perversas e tenebrosas obras.

Quando avaliamos a Igreja em todos os tempos, percebemos as mentiras e heresias, exatamente pelo fato do desprezo ou ignorância do poder da mensagem da Cruz. Quando a Igreja perde o foco de Jesus e de Sua obra redentora, perde-se também a visão e o entendimento espiritual. Para o mundo, quando a obra da Cruz não é tida como suficiente, recorre-se ao sal grosso, ao galho de arruda, à água benta etc. Para o evangélico nos dias de hoje, quando a obra da Cruz não é totalmente suficiente, recorre-se aos lenços, às fronhas ou meias "ungidas" por pastores especialmente "ungidos". A bem da verdade, por mais dolorosa que seja, o erro de um é em essência, o mesmo erro do outro. Nada deve substituir a nossa confiança e dependência de tudo o que Jesus é e fez para nos salvar.

A adoração que Deus procura não se encontra em lugar, coisas ou em objetos sagrados e "ungidos", mas, sim, no Messias ou Cristo de Deus, Jesus. Messias é a palavra hebraica que significa ungido. Cristo é a palavra grega que tem o mesmo significado. Falemos claro, não precisamos ficar comprando objetos "ungidos" por homens com as mesmas fraquezas e limitações que nós, pois já foi pago um alto preço na Cruz para que tenhamos o perfeito Ungido de Deus agindo, operando e se manifestando em nós com poder e graça por meio da fé. A graça de Jesus é suficiente. E somente n'Ele encontramos a verdadeira adoração. A adoração que o Pai procura em espírito e em verdade.

Por fim, fique destacado: não basta adorarmos com sinceridade e empenho. De outro modo, poderemos ouvir: "Vós adorais o que não conheceis". Precisamos saber a quem estamos adorando. Conhecendo o evangelho não seremos enganados. "Logo a fé é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Cristo" (Romanos 10.17). Que tenhamos uma fé alicerçada na Palavra de Cristo. Pois todo aquele "que ouve estas minhas palavras e as põe em prática, será comparado a um homem prudente, que edificou a casa sobre a rocha. E desceu a chuva, correram as torrentes, sopraram os ventos, e bateram com ímpeto contra aquela casa; contudo não caiu, porque estava fundada sobre a rocha" (Mateus 7.24,25). E pela Palavra aprendemos que a Cruz é o novo e vivo caminho. Pela Cruz alcançamos o Céu. Pela cruz obtemos todas as bênçãos de Deus. Estamos verdadeiramente crendo nisso?


Pr. Adriano Xavier Machado



Senhor, ensina-nos a orar

Jesus, um dia os Teus discípulos pediram:
Senhor, ensina-nos a orar.
Esse mesmo pedido ainda fazemos a Ti:
Senhor, ensina-nos a orar.
Não clamamos a Ti uma oração modelo.
Já a temos e ela é perfeita e suficiente.
Mas, Senhor, ensina-nos a orar.
Ensina-nos a orar em todos os momentos,
tempos e estações.
Às vezes, tudo está muito frio,
corações insensíveis e distantes de Ti.
Ensina-nos a orar quando o inverno espiritual
for intenso, cortante e mortal. 

Senhor, ensina-nos a orar. 
Às vezes, tudo está muito colorido.
Na estrada da vida há flores e perfumes.
Mas, Senhor, ensina-nos a orar.

Não queremos ficar distraídos
com o encanto da primavera.
Aqui não é o nosso lugar de descanso.
Temos muito que prosseguir.
Temos muito que caminhar.
Senhor, ensina-nos a orar. 

Às vezes, as nuvens se dissipam,
o céu fica azul e o sol começa a brilhar.
O calor vem e ficamos ardentes para Ti.
Mas, com o calor, vem, também, as chuvas,
enchentes e inundações.
Mas, queremos estar firmes na rocha.

Queremos estar alicerçados na Tua Palavra.
Senhor, ensina-nos a orar.

Na estação dos frutos,
não tenhamos nada do que nos orgulhar,
a não ser em Ti, reconhecendo a Tua graça,
o Teu poder e o Teu amor.
Sim, oh, Deus, precisamos aprender a orar.
Em qualquer lugar, situação ou circunstância.
 

Senhor, ensina-nos a orar!

Pr. Adriano Xavier Machado

O Vício da Maledicência

O vício "é um hábito repetitivo que degenera ou causa algum prejuízo ao viciado e aos que com ele convivem" (Wikipédia). Muitos são os tipos de vícios, mas, parece que nada é tão ignorado quanto o vício da maledicência, isto é, o hábito repetitivo de falar mal das pessoas. Alguns gratuita e facilmente gostam de criticar e de ver defeitos nas pessoas e no que elas fazem. São os viciados em falar mal. São homens e mulheres que necessitam de libertação. São homens e mulheres que necessitam de cura espiritual.

A maledicência em um primeiro momento pode trazer satisfação a quem dela faz uso, mas, sempre traz algum tipo de prejuízo para o espírito. A maledicência prejudica também a unidade e a comunhão do Corpo. Nenhum grupo consegue sobreviver com contínuas conversações maldosas e maliciosas. O vício da maledicência traz prejuízo tanto pessoal quanto coletivamente. Por isso o apóstolo Paulo orientava:"Mas agora, despojai-vos também de tudo: da ira, da cólera, da malícia, da maledicência, das palavras torpes da vossa boca" (Colossenses 3.8).

Alguns casos de vícios da maledicência são tão extremos que, os dependentes perdem totalmente a noção. Às vezes, dentro de um ônibus ou trem, em uma fila de banco ou até mesmo em um trabalho qualquer da igreja, começam a falar mal de tudo e de todos. É comum rapazes e moças usando drogas em calçadas ou praças, não é verdade? Eles muitas vezes nem se importam com os transeuntes. Assim, também, são os viciados na maledicência. Falam mal sem se importar com quem está perto. Falam mal perto de crianças, novos convertidos e até de não crentes. 

Sim, tem muitos crentes sem noção, falam mal de qualquer pessoa e perto de qualquer um, porque estão acorrentados pela maledicência. Ignoram a orientação bíblica: "Deixando, pois, toda a malícia, e todo o engano, e fingimentos, e invejas, e todas as murmurações" (1 Pedro 2.1). Com certeza, tais viciados também precisam ser amados. Mas, quando não aceitam ajuda e tratamento é melhor manter distância. "E rogo-vos, irmãos, que noteis os que promovem dissensões e escândalos contra a doutrina que aprendestes; desviai-vos deles" (Romanos 16.17).

É possível ser liberto do vício da maledicência. Segundo alguns estudiosos das ciências humanas, "a nossa predisposição determina a nossa percepção". Assim, tudo é maravilhoso para quem está maravilhosamente bem, tudo é horrível para quem está terrivelmente mal. Decerto, ninguém deve ser ingênuo a ponto de pensar que a vida é como Alice no País das Maravilhas, mas também ninguém deve ser tão cego a ponto de acreditar que a vida se assemelha ao Mito da Caverna de Platão, onde tudo só é escuridão. Com equilíbrio, sabedoria e graça, alcança-se o discernimento adequado. Assim, o que realmente tiver de ser dito, será dito na hora certa, com a pessoa certa e do modo certo, tudo para a honra e a glória do nome de Jesus. Todavia, nada de maledicência. Ficar falando mal dos outros não convém aos filhos de Deus.

Pr. Adriano Xavier Machado