Lance Armstrong _ sucesso é ter um bom nome

Sete vezes campeão no Tour de France.  Com o patrocínio de uma das maiores marcas desportivas, isto é, a Nike. Nada parecia detê-lo. Nem mesmo o câncer conseguiu derrotá-lo. Focado sempre para vencer, afirmou: "A dor é temporária. Ela pode durar um minuto, ou uma hora, ou um dia, ou um ano, mas finalmente ela acabará e alguma outra coisa tomará o seu lugar. Se eu paro, no entanto, ela dura para sempre". Assim foi o ciclista americano Lance Armstrong: sempre prosseguindo, sendo admirado e aplaudido por todos. Até que o uso de doping foi reconhecido, comprovado e divulgado. Aí não teve mais como levar adiante todo o esquema. Tudo o que havia construído desmoronou. De herói passa a ser o vilão. Das alturas experimentou uma terrível queda. Havia conseguido o sucesso e os títulos por vias não aceitáveis ou recomendáveis.

Lance Armstrong é um exemplo a não ser seguido. Estamos quase sempre pensando em sucesso, em construir uma carreira de destaque e promissora, em vencer todos os desafios que a vida nos apresenta, em ser uma referência profissional ou ministerial, enfim, não queremos ser detidos por nada nem por ninguém para se alcançar a glória, o auge e, conforme a possibilidade, o constante primeiro lugar. Contudo, precisamos saber se estamos seguindo pelo caminho correto. Não adianta sermos aplaudidos hoje e amanhã sermos vaiados. Não adianta fantasiarmos hoje e amanhã sermos desmascarados. O que pode levar anos para ser construído ou conquistado, em um dia tudo pode ser desfeito e ir embora como plumas ao vento, caso não haja a segurança de algo sólido, consistente e permanente. Sim, é importante prosseguir, perseverar e nunca desistir. Mas, é igualmente importante saber por onde estamos "pedalando".

Afirma uma música popular que, a "vida é feito andar de bicicleta: se parar você cai... Sempre alimente a esperança de vencer. Só duvide de quem duvida de você". Lance Armstrong pedalou. Nada o fez parar. Seu propósito foi vencer. Ele nunca duvidou do seu potencial. Ele sabia que podia ser um campeão. Contudo, o problema de Armstrong foi escolher o caminho errado para alcançar o seu objetivo. Aqui podemos parafrasear um texto bíblico: "há caminhos que parecem promissores, porém, são falsos, pois o fim deles é a destruição, a vergonha e humilhação". Sim, não basta apenas ter garra, é preciso seguir por um caminho totalmente ético, sensato, humilde, honesto, justo, verdadeiro, seguro e inteligente. Pode nem sempre ser fácil, mas, com toda certeza, sempre será o melhor. Pois, não adianta começar bem e terminar mal. Salomão já dizia: "Melhor é o fim das coisas do que o princípio delas".

Há uma lenda que fala de uma sacerdotisa que pediu ao deus Apolo vida longa, mas se esqueceu de especificar a manutenção de sua juventude. Os anos se passaram e o seu corpo foi sendo desgastado. O que deveria ser um presente, passou a ser uma maldição. Vivendo por quase um milênio, o seu fim foi de solidão, amargura e em estrema feiura. Se soubesse fazer o pedido de maneira certa, poderia ter vivido desfrutando de todos os sabores e privilégios da beleza feminina. Ela sabia o que queria, mas não sabia como de fato conseguir o que desejava. O que deveria ser uma grande oportunidade, passou a ser a grande tragédia. Essa lenda nos faz lembrar de que não basta saber o que se quer, é preciso também saber como conseguir o objetivo. O processo é fundamental. O caminho escolhido é essencial. A direção que se segue é o que de fato faz a diferença.

Lance Armstrong errou o caminho. E quanto a nós? Estamos na direção certa? Vamos entender que se não estivermos seguindo por um caminho correto, os louros de hoje poderão ser transformados em espinhos amanhã, as recompensas em punições, as comemorações em lamentos. Todavia, se seguirmos na devida direção para se alcançar a vitória em tudo o que fazemos, constataremos de que vale muito "mais ter um bom nome do que muitas riquezas; e o ser estimado é melhor do que a riqueza e o ouro". Porquanto, o verdadeiro sucesso não tem nada a ver com títulos, medalhas ou premiações, mas, com um nome que seja digno de respeito e consideração. Um nome que possa ser motivo de honra para os pais, de alegria para o cônjuge, de estima para os filhos, de lucidez para os amigos e, principalmente, de um nome que ache graça perante os ouvidos do Senhor. Saibamos acertar o caminho. O resultado será o sucesso de um nome abençoado com crédito entre os homens e aprovação nos céus.

Pr. Adriano Xavier Machado

Castelos de Areia

Quando criança gostávamos de fazer castelos de areia na praia. Por mais que houvesse esmero e cuidado, aquelas "construções" não tinham muita durabilidade. Ou eram desfeitas pelos ventos ou engolidas pelas ondas do mar. Isso nos faz lembrar a vida humana com os seus desafios, sonhos e projetos. Por mais que venhamos a construir coisas para a nossa satisfação, realização ou ainda para a nossa própria segurança, ventos e ondas da vida podem desfazer tudo num piscar de olhos. Os castelos que construímos são de areia.

Com o tempo aprendemos que o importante mesmo não é construirmos alguma coisa por nossas próprias forças ou sabedoria, mas permitirmos que Deus construa algo em nós e através de nós. Tudo o que podemos oferecer é de areia, passageiro e sem consistência. Contudo, o que vem de Deus resiste aos ventos e as ondas da vida. Toda obra divina tem durabilidade, eternidade. Por que, então, perdermos tempo com castelos de areia? Há um projeto divino seguro e que não poderá ser destruído ou desfeito por nada nem ninguém.

Certa vez Andrew Murray fez uma importante constatação: "Não pense no pouco que tem para oferecer para Deus, mas no quanto Ele lhe quer dar". Exatamente, temos muito pouco a oferecer, temos poucos recursos, mas, Deus tem muito a nos conceder. O Senhor tem maravilhas para o nosso viver. Logo, vamos de fato receber tudo o que o Senhor deseja compartilhar conosco. Vamos com ousadia abrir o coração para o Senhor, prontos para receber toda a Sua direção, verdade e luz. Deus deseja estar conosco, ajudando-nos a construir para a eternidade.

Há um texto bíblico que deveríamos lembrar sempre: "E o mundo passa, e a sua concupiscência; mas aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre" (1 João 2.17). Não há nada no mundo que possa subsistir ao tempo ou trazer satisfação em todas as estações da vida. Não há eternidade no mundo nem nas suas obras. Tudo passa. Todavia, em Deus há muito mais do que podemos sonhar ou desejar. Quem faz a vontade d'Ele permanece para sempre. É a promessa bíblica. É o que nos ensina a Palavra de Deus. A obra divina no nosso viver não é de areia.

Venham os ventos. Venham as ondas. Sabemos em quem temos crido. Sabemos que Ele nos guarda em todo o tempo. Sabemos que Ele é por nós. Por mais intensos que sejam os ventos, o que Deus faz em nós não será desfeito. Por mais fortes que sejam as ondas, ainda ficaremos firmes e constantes. "Tendo por certo isto mesmo, que aquele que em vós começou a boa obra a aperfeiçoará até ao dia de Jesus Cristo" (Filipenses 1.6). "E o Deus de toda a graça, que em Cristo Jesus vos chamou à sua eterna glória, depois de haverdes padecido um pouco, ele mesmo vos aperfeiçoará, confirmará, fortificará e fortalecerá" (1 Pedro 5.10). Amém.

Pr. Adriano Xavier Machado

Adoração, relíquias e fé

Adorar a Deus. Eis um desafio constante na vida cristã. Sabemos que a adoração não pode ser de qualquer jeito, mas em espírito e em verdade (João 4.23,24). Mas, será que de fato estamos entendendo o que isso significa? Estamos realmente vivendo em uma época de muitos erros e enganos religiosos. Assim, tal qual a mulher samaritana que não sabia o que realmente adorava, muitos nos dias de hoje estão longe da verdadeira adoração. Para muitos o Espírito Santo continua testificando: "Vós adorais o que não conheceis".

De fato, não há nada de novo debaixo do Sol (Eclesiastes 1.9). A história da humanidade é cíclica. De certa forma, tudo se repete. E uma das coisas que vem se repetindo é a adoração sem conhecimento. Não estamos discutindo a sinceridade ou mesmo o fervor religioso, mas sim a ignorância e falta de sabedoria espiritual. No Antigo Testamento, o povo de Deus já perecia por falta de conhecimento (Oséias 4.6). O texto não se refere aos povos pagãos ou idólatras, mas ao povo de Deus que se encontrava no engano.

É muito fácil olharmos para o passado e apontarmos os erros cometidos. O problema é que temos muita dificuldade de fazermos uma autoavaliação. Ficamos imaginando gerações futuras estudando sobre a nossa época e ficando escandalizadas com os muitos desvios de nossas igrejas. Muito da adoração contemporânea é semelhante à veneração de relíquias e compras de indulgências do período medieval. A adoração de muitos cristãos não é de fato voltada para Deus, mas para objetos "sagrados" que foram "ungidos" por líderes eclesiásticos que "intercedem" pelo povo. Não há uma real fé que descansa, espera e confia em Jesus.

A adoração verdadeira está na dimensão espiritual. Não tem nada a ver com o que é palpável ou pode ser visto. A bênção de Deus não pode ser obtida com recursos materiais ou mecanismos humanos. "Deus é Espírito, e é necessário que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade" (João 4.24). E só podemos alcançar essa condição através de Jesus (João 14.6). Somente pela fé em Jesus podemos chegar ao trono da graça para recebermos socorro no momento oportuno (Hebreus 4.16). Não tem nada a ver mesmo com as receitas religiosas inventadas por homens. Só Jesus Cristo cura, liberta e salva.

Quando Jesus disse que a salvação vem dos judeus (João 4.22), Ele estava querendo dizer a respeito de Si mesmo como a fonte de toda bênção espiritual. Havia um debate sobre o verdadeiro lugar de adoração. Para os samaritanos seria no Monte Gerizim e para os judeus em Jerusalém. Podemos perceber que a discussão girava em torno de questões humanas e terrenas. Não se tinha uma autêntica percepção espiritual. Mas, Jesus explicou: "Mulher, crê-me que a hora vem, em que nem neste monte nem em Jerusalém adorareis o Pai... Mas a hora vem, e agora é..." (João 4.21,23). Por que Jesus disse "agora é"? Porque Ele já tinha vindo ao mundo para realizar uma obra poderosa que derrotaria o pecado e o diabo com todas as suas perversas e tenebrosas obras.

Quando avaliamos a Igreja em todos os tempos, percebemos as mentiras e heresias, exatamente pelo fato do desprezo ou ignorância do poder da mensagem da Cruz. Quando a Igreja perde o foco de Jesus e de Sua obra redentora, perde-se também a visão e o entendimento espiritual. Para o mundo, quando a obra da Cruz não é tida como suficiente, recorre-se ao sal grosso, ao galho de arruda, à água benta etc. Para o evangélico nos dias de hoje, quando a obra da Cruz não é totalmente suficiente, recorre-se aos lenços, às fronhas ou meias "ungidas" por pastores especialmente "ungidos". A bem da verdade, por mais dolorosa que seja, o erro de um é em essência, o mesmo erro do outro. Nada deve substituir a nossa confiança e dependência de tudo o que Jesus é e fez para nos salvar.

A adoração que Deus procura não se encontra em lugar, coisas ou em objetos sagrados e "ungidos", mas, sim, no Messias ou Cristo de Deus, Jesus. Messias é a palavra hebraica que significa ungido. Cristo é a palavra grega que tem o mesmo significado. Falemos claro, não precisamos ficar comprando objetos "ungidos" por homens com as mesmas fraquezas e limitações que nós, pois já foi pago um alto preço na Cruz para que tenhamos o perfeito Ungido de Deus agindo, operando e se manifestando em nós com poder e graça por meio da fé. A graça de Jesus é suficiente. E somente n'Ele encontramos a verdadeira adoração. A adoração que o Pai procura em espírito e em verdade.

Por fim, fique destacado: não basta adorarmos com sinceridade e empenho. De outro modo, poderemos ouvir: "Vós adorais o que não conheceis". Precisamos saber a quem estamos adorando. Conhecendo o evangelho não seremos enganados. "Logo a fé é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Cristo" (Romanos 10.17). Que tenhamos uma fé alicerçada na Palavra de Cristo. Pois todo aquele "que ouve estas minhas palavras e as põe em prática, será comparado a um homem prudente, que edificou a casa sobre a rocha. E desceu a chuva, correram as torrentes, sopraram os ventos, e bateram com ímpeto contra aquela casa; contudo não caiu, porque estava fundada sobre a rocha" (Mateus 7.24,25). E pela Palavra aprendemos que a Cruz é o novo e vivo caminho. Pela Cruz alcançamos o Céu. Pela cruz obtemos todas as bênçãos de Deus. Estamos verdadeiramente crendo nisso?


Pr. Adriano Xavier Machado



Senhor, ensina-nos a orar

Jesus, um dia os Teus discípulos pediram:
Senhor, ensina-nos a orar.
Esse mesmo pedido ainda fazemos a Ti:
Senhor, ensina-nos a orar.
Não clamamos a Ti uma oração modelo.
Já a temos e ela é perfeita e suficiente.
Mas, Senhor, ensina-nos a orar.
Ensina-nos a orar em todos os momentos,
tempos e estações.
Às vezes, tudo está muito frio,
corações insensíveis e distantes de Ti.
Ensina-nos a orar quando o inverno espiritual
for intenso, cortante e mortal. 

Senhor, ensina-nos a orar. 
Às vezes, tudo está muito colorido.
Na estrada da vida há flores e perfumes.
Mas, Senhor, ensina-nos a orar.

Não queremos ficar distraídos
com o encanto da primavera.
Aqui não é o nosso lugar de descanso.
Temos muito que prosseguir.
Temos muito que caminhar.
Senhor, ensina-nos a orar. 

Às vezes, as nuvens se dissipam,
o céu fica azul e o sol começa a brilhar.
O calor vem e ficamos ardentes para Ti.
Mas, com o calor, vem, também, as chuvas,
enchentes e inundações.
Mas, queremos estar firmes na rocha.

Queremos estar alicerçados na Tua Palavra.
Senhor, ensina-nos a orar.

Na estação dos frutos,
não tenhamos nada do que nos orgulhar,
a não ser em Ti, reconhecendo a Tua graça,
o Teu poder e o Teu amor.
Sim, oh, Deus, precisamos aprender a orar.
Em qualquer lugar, situação ou circunstância.
 

Senhor, ensina-nos a orar!

Pr. Adriano Xavier Machado

O Vício da Maledicência

O vício "é um hábito repetitivo que degenera ou causa algum prejuízo ao viciado e aos que com ele convivem" (Wikipédia). Muitos são os tipos de vícios, mas, parece que nada é tão ignorado quanto o vício da maledicência, isto é, o hábito repetitivo de falar mal das pessoas. Alguns gratuita e facilmente gostam de criticar e de ver defeitos nas pessoas e no que elas fazem. São os viciados em falar mal. São homens e mulheres que necessitam de libertação. São homens e mulheres que necessitam de cura espiritual.

A maledicência em um primeiro momento pode trazer satisfação a quem dela faz uso, mas, sempre traz algum tipo de prejuízo para o espírito. A maledicência prejudica também a unidade e a comunhão do Corpo. Nenhum grupo consegue sobreviver com contínuas conversações maldosas e maliciosas. O vício da maledicência traz prejuízo tanto pessoal quanto coletivamente. Por isso o apóstolo Paulo orientava:"Mas agora, despojai-vos também de tudo: da ira, da cólera, da malícia, da maledicência, das palavras torpes da vossa boca" (Colossenses 3.8).

Alguns casos de vícios da maledicência são tão extremos que, os dependentes perdem totalmente a noção. Às vezes, dentro de um ônibus ou trem, em uma fila de banco ou até mesmo em um trabalho qualquer da igreja, começam a falar mal de tudo e de todos. É comum rapazes e moças usando drogas em calçadas ou praças, não é verdade? Eles muitas vezes nem se importam com os transeuntes. Assim, também, são os viciados na maledicência. Falam mal sem se importar com quem está perto. Falam mal perto de crianças, novos convertidos e até de não crentes. 

Sim, tem muitos crentes sem noção, falam mal de qualquer pessoa e perto de qualquer um, porque estão acorrentados pela maledicência. Ignoram a orientação bíblica: "Deixando, pois, toda a malícia, e todo o engano, e fingimentos, e invejas, e todas as murmurações" (1 Pedro 2.1). Com certeza, tais viciados também precisam ser amados. Mas, quando não aceitam ajuda e tratamento é melhor manter distância. "E rogo-vos, irmãos, que noteis os que promovem dissensões e escândalos contra a doutrina que aprendestes; desviai-vos deles" (Romanos 16.17).

É possível ser liberto do vício da maledicência. Segundo alguns estudiosos das ciências humanas, "a nossa predisposição determina a nossa percepção". Assim, tudo é maravilhoso para quem está maravilhosamente bem, tudo é horrível para quem está terrivelmente mal. Decerto, ninguém deve ser ingênuo a ponto de pensar que a vida é como Alice no País das Maravilhas, mas também ninguém deve ser tão cego a ponto de acreditar que a vida se assemelha ao Mito da Caverna de Platão, onde tudo só é escuridão. Com equilíbrio, sabedoria e graça, alcança-se o discernimento adequado. Assim, o que realmente tiver de ser dito, será dito na hora certa, com a pessoa certa e do modo certo, tudo para a honra e a glória do nome de Jesus. Todavia, nada de maledicência. Ficar falando mal dos outros não convém aos filhos de Deus.

Pr. Adriano Xavier Machado

Demonstração de Humildade e Serviço

Em uma cultura como a nossa que valoriza tanto o status social, a posição hierárquica e a capacidade em exercer poder, o que Jesus fez em João 13, ao lavar os pés dos discípulos, é muito estranho. A propósito, para os discípulos também não foi nada simples. Inclusive, Jesus teve que explicar para o apóstolo Pedro: "O que eu faço não o sabes tu agora, mas tu o saberás depois". O gesto de Jesus só pode ser mesmo absorvido e compreendido com o discernimento espiritual. Onde já se viu, o Senhor se curvar perante os servos? Como pode o Mestre lavar os pés dos discípulos? Jesus responde: "Ora, se eu, Senhor e Mestre, vos lavei os pés, vós deveis também lavar os pés uns dos outros". 

Jesus nos dá o exemplo de humildade e serviço. O problema é que muitos não querem aprender isso. Pensam que ser um bom líder é apenas estar na frente de algum projeto, em posição de comando e destaque, fazendo somente a parte mais cômoda e desejável. Não conhecem o poder e a graça de servir em todo tempo. Não sabem o que de fato é o Reino de Deus. Naquele momento os discípulos não terem entendido a iniciativa de Jesus, até se justifica, porquanto era algo novo, era algo que eles ainda não tinham visto. Mas, quanto a nós, já sabemos do exemplo de Jesus. Já conhecemos o Seu ensinamento: "Bem sabeis que pelos príncipes dos gentios são estes dominados, e que os grandes exercem autoridade sobre eles. Não será assim entre vós; mas todo aquele que quiser entre vós fazer-se grande seja vosso serviçal; e qualquer que entre vós quiser ser o primeiro, seja vosso servo"  (Mateus 20.25-27).

O que geralmente tem impedido a postura cristã correta é a busca constante de autoafirmação. Pessoas carentes, que não reconhecem o valor que têm em Cristo, que não entendem o privilégio e a glória do servir com amor, não conseguem se doar sem esperar algo em troca, quer seja atenção, elogio, reconhecimento, carinho, estima etc. É claro que tudo isso é muito sutil. As fraquezas e carências humanas sabem ficar na moita, escondidinhas, só aproveitando as brechas. O problema é que a busca de autoafirmação em uma postura que não seja verdadeiramente o servir no exemplo de Jesus, nunca trará realização, satisfação e alegria. Sempre faltará algo. Apenas fazendo algo para o semelhante no amor e simplicidade de Jesus encontraremos a verdadeira felicidade. Lavando os pés uns dos outros demonstramos o autêntico cristianismo.

O interessante é que Jesus lavou os pés dos discípulos. Ele não lavou as mãos ou a cabeça deles, mas, sim, os pés. É o serviço que ninguém quer fazer. É o serviço menos atraente. É o serviço que não traz reputação. É o serviço que crucifica o orgulho da carne. Se realmente queremos experimentar a maturidade cristã, não podemos fazer só o que gostamos e apreciamos. Temos que estar dispostos a nos humilhar. Esse é o caminho da bem-aventurança. Jesus explica: "Portanto qualquer que a si mesmo se exaltar será humilhado, e aquele que a si mesmo se humilhar será exaltado" (Lucas 14.11). O lavar os pés uns dos outros não é em vão. É o que nos conduz a uma posição de honra no Reino de Deus. Portanto, façamos o melhor uns para com os outros. Façamos o máximo para servirmos uns aos outros.

Não obstante, para lavarmos os pés uns dos outros temos que aprender a considerar os outros superiores a nós mesmos. Vamos confessar, não é o que fazemos na prática, não é verdade? No fundo todos nós valorizamos mais as nossas experiências, os nossos conhecimentos, as nossas ideias, os nossos conceitos etc. Tanto é assim que, a insubmissão a qualquer tipo de autoridade é muito frequente. As pessoas dificilmente aceitam se curvar perante o outro, dificilmente sabem ceder, dificilmente conseguem "engolir sapos". Querem sempre estar por cima, querem sempre deixar a última palavra. Mas, Jesus nos deu o exemplo para que O sigamos. Assim, temos encontrado irmãos e irmãs na fé que aprenderam de fato o evangelho. São pessoas que sabem servir ao próximo como se fosse ao próprio Senhor Jesus. Muitas delas, talvez, nunca serão reconhecidas nesta vida. No entanto, quando o Senhor Jesus voltar, serão plenamente recompensadas. Glórias a Deus eternamente.


Pr. Adriano Xavier Machado

O Amor de Deus é Incondicional

O amor de Deus é incondicional. Isso significa que "não há restrições, não está sujeito a condições, é um estado absoluto, total, pleno, ilimitado". Deus está sempre pronto para amar, pois Ele é amor  (1 João 4:16). Nada pode mudar o Seu caráter, a Sua natureza nem o Seu atributo moral. Ainda que sejamos indiferentes ou infiéis, Ele "permanece fiel; não pode negar-se a si mesmo" (2 Timóteo 2:13). Por isso, apesar de todas as injustiças, mentiras, malícias e iniquidades da humanidade, Deus continua amando o mundo inteiro (João 3:16). Se o amor de Deus fosse condicional, então o amor d'Ele jamais alcançaria o mundo pagão, idólatra e pecador. Se o amor de Deus fosse condicional, ainda prevaleceria a Lei: "vida por vida, olho por olho, dente por dente, mão por mão, pé por pé" (Deuteronômio 19:21). Mas, porque o amor de Deus é incondicional, Ele "faz que o seu sol se levante sobre maus e bons, e a chuva desça sobre justos e injustos" (Mateus 5:45). Terrível tragédia seria se o amor de Deus fosse condicional, se dependesse das atitudes, da obediência ou fidelidade do ser humano. Onde estaria a esperança? Como poderíamos ser aceitos por Ele, uma vez que "todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus" (Romanos 3:23)? Como considerou Salomão: "Na verdade que não há homem justo sobre a terra, que faça o bem, e nunca peque" (Eclesiastes 7:20). Contudo, por Seu amor puro e perfeito, Deus estabeleceu um plano para a salvação de todos. Sim, Deus nos ama porquanto deseja que O amemos e O obedeçamos em tudo. O Seu amor exige uma resposta. Alguns se voltam para Ele, com arrependimento dos seus pecados, confiando completamente na manifestação da Sua graça em Jesus. Outros, nem se importam, ignoram a obra divina da Cruz. Mas, Deus continua amando. Deus continua trabalhando com misericórdia e graça, movido sempre por Seu amor.  "As misericórdias do SENHOR são a causa de não sermos consumidos, porque as suas misericórdias não têm fim" (Lamentações 3:22). Aleluia, o amor de Deus é incondicional, nada poderá mudar isso. E é devido a esse amor que, podemos aprender a seguir o caminho do amor. "Nós o amamos a ele porque ele nos amou primeiro" (1 João 4:19). Antes de terminar, fazemos questão de lembrar de que este breve texto foi escrito com toda humildade, para que simplesmente prevaleça o gracioso ensino do evangelho de Jesus Cristo. Pois "Deus prova o seu amor para conosco, em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores" (Romanos 5:8). Amém.
Mas Deus prova o seu amor para conosco, em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores
Romanos 5:8
Mas Deus prova o seu amor para conosco, em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores
Romanos 5:8Amém.

Pr. Adriano Xavier Machado