Teologia da Prosperidade ou a Prosperidade do Evangelho?

Escrevo este artigo na graça e no amor de Jesus. Meu objetivo não é atacar igrejas ou pessoas. Mas, apenas trazer um alerta para a Igreja do Senhor, a qual é chamada para ser santa e sem mácula alguma. Assim sendo, fundamentando-me na Palavra de Deus, faço um desafio: tenhamos cuidado com a teologia da prosperidade, "porque a vida do homem não consiste na abundância das coisas que possui" (Lucas 12:15). Reconheço que este assunto tem recebido atenção de muitos articulistas, contudo, nunca é demais prestar um reforço, tendo em vista que há um forte bombardeio midiático contrário ao simples evangelho de Jesus. Certamente, Deus abençoa o Seu povo, suprindo todas as necessidades. Por isso o salmista testemunhou: "Fui moço, e agora sou velho; mas nunca vi desamparado o justo, nem a sua descendência a mendigar o pão" (Salmos 37:25). No entanto, não podemos pensar que Deus deseja satisfazer os nossos caprichos e interesses mesquinhos. Jesus morreu no Calvário para nos salvar e nos purificar de todo pecado, e, não, para aumentar a nossa conta bancária ou para nos fazer andar de Ferrari. Jesus alerta: "Pois que aproveita ao homem se ganhar o mundo inteiro e perder a sua vida? ou que dará o homem em troca da sua vida?" (Mateus 16:26). Na parábola do rico e Lázaro temos um exemplo perfeito. O rico ganhou o mundo, mas perdeu a alma. Lázaro perdeu os prazeres materiais, mas ganhou as delícias do Céu. O próprio Senhor Jesus nos deixou o exemplo, "que, sendo rico, por amor de vós se fez pobre, para que pela sua pobreza fôsseis enriquecidos" (II Coríntios 8:9). Enriquecidos como? Em que sentido somos ricos em Cristo? "Não escolheu Deus os que são pobres quanto ao mundo para fazê-los ricos na fé e herdeiros do reino que prometeu aos que o amam?" (Tiago 2:5). A pobreza material de Jesus como homem foi tão real que Ele confessou: "As raposas têm covis, e as aves do céu têm ninhos; mas o Filho do homem não tem onde reclinar a cabeça" (Lucas 9:58). Todavia, a riqueza espiritual de Jesus foi reconhecida pelo Pai: "Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo" (Mateus 3:17). Ele não nasceu em berço de ouro nem morou em palácios, mas o Seu exemplo moral, ético, social e espiritual é uma referência para todos os homens e mulheres de todas as épocas e culturas. Em hipótese alguma pretendo dizer que é pecado ser rico. O problema é o amor ao dinheiro, "raiz de todos os males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé, e se traspassaram a si mesmos com muitas dores" (I Timóteo 6:10). O problema é a pregação que ensina que todos precisam ser ricos no sentido material. É verdade que com a bênção de Deus, Abraão enriqueceu. Mas, é igualmente verdade que com a bênção de Deus, Moisés empobreceu. "Pela fé Moisés, sendo já homem, recusou ser chamado filho da filha de Faraó, escolhendo antes ser maltratado com o povo de Deus do que ter por algum tempo o gozo do pecado, tendo por maiores riquezas o opróbrio de Cristo do que os tesouros do Egito; porque tinha em vista a recompensa" (Hebreus 11:24-26). Portanto, Deus abençoa a cada um como Ele quer, segundo a sua vontade e graça. Logo, "tendo, porém, alimento e vestuário, estaremos com isso contentes" (I Timóteo 6:8), vivendo o evangelho da Cruz, o glorioso e poderoso evangelho de Jesus. Teologia da prosperidade? Não! Prefiro a prosperidade do evangelho entre todos os povos e nações, alcançando e transformando a vida de pecadores para a vida eterna com Deus. O evangelho que ensina que Deus "nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nas regiões celestes em Cristo" (Efésios 1:3).

Pr. Adriano Xavier Machado

Uma hipérbole que não há Graça

Uma figura de linguagem interessante é a hipérbole. Basicamente consiste no exagero de uma expressão. Acontece, por exemplo, quando uma pessoa diz, ao necessitar de alimento, que está morrendo de fome. Quando a pessoa está cansada de repetir um conselho ou uma explicação, diz que já falou a mesma coisa mil vezes. Seja qual for o caso, quando se faz uso desse recurso, o que está sendo dito não pode ser levado ao "pé da letra", ou seja, de modo literal. O uso dessa figura de linguagem é para dramatizar, e não para expor algo concreto, realista. Por isso, o seu uso requer cuidados. Em alguns contextos o seu uso é inapropriado. Imagine, por exemplo, um adolescente dizendo que está morrendo de fome em uma festa de aniversário. Talvez alguém lhe diga que vá então a um restaurante "matar" a sua fome, porque festa de aniversário não é lugar para isso. Assim é na nossa vida espiritual. Um contexto que não cabe exageros.

A vida cristã consiste de equilíbrio e harmonia. O Espírito Santo ilumina o nosso entendimento para percebermos as coisas e as circunstâncias da vida conforme elas são, sem qualquer excesso. Reconhecemos os problemas e as dificuldades do dia a dia, no entanto sabemos em quem temos crido. Sabemos que Deus nos sustenta e nos ajuda, que nos dá força e sabedoria, que ilumina e nos conduz em graça e em verdade. Já a vida sem a liderança de Cristo é quase toda ela de exageros: uma nuvem se transforma em tempestade e uma brisa em vendaval. A vida sem a mentalidade de Cristo é disforme e quixotesca, tudo parece se transformar em monstros e dragões. Sim, não negamos os desafios ou as crises que se apresentam pelo caminho, mas, sabemos que não adianta reclamar, murmurar nem o agir precipitado, pois tudo está no controle de Deus. Pela fé reconhecemos que não há problema algum que seja maior do que o Deus vivo e eterno. Logo, qualquer atitude de incredulidade ou ansiedade é uma hipérbole que não há graça. Pois "a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e os vossos sentimentos em Cristo Jesus" (Filipenses 4:7).

Pr. Adriano Xavier Machado

A Igreja, os Costumes e os Desafios Culturais

Em geral temos visto muita dificuldade dos cristãos lidarem com os elementos culturais, transformando-os muitas vezes em práticas da doutrina cristã. Decerto, percebendo ou não, toda instituição humana reproduz uma cultura. Não há como imaginarmos um grupo de pessoas sem os seus valores, hábitos, costumes e conceitos, frutos de expressões culturais. Por exemplo, por que nos assentamos em uma cadeira e não em um tapete no chão no estilo oriental? Sabemos que o quadro da última ceia de Leonardo da Vinci não representa a realidade da época de Jesus, tendo em vista que o pintor põe o Mestre assentado, juntamente com os seus discípulos, à mesa segundo o modelo ocidental. Assim, ele fez, porquanto interpretou a cena bíblica segundo as referências culturais de sua vivência e experiência. Da mesma forma como muitos de nós, no início da vida cristã, pensávamos no "fundo de uma agulha", ao qual Jesus fez referência quando falou sobre a dificuldade de algum rico entrar no reino dos céus, como sendo algum instrumento de costura. Apenas conhecendo o contexto histórico e cultural da época é que entenderemos o verdadeiro pensamento do Mestre ao fazer tal consideração. Com isso, queremos dizer que muito de nossa interpretação e visão do mundo dependem das influências culturais que recebemos. Em uma certa região da Índia os pais se reúnem para uma "cerimônia" nada comum entre os povos. De uma torre de 15 metros de altura lançam os seus bebês para serem amparados por uma rede ou cama elástica improvisada. O objetivo não é machucar as crianças. Parece que os pais acreditam que dará vida longa e saúde aos seus filhos. E o que dizer quando os chineses comem carne de cachorro? Não podemos nos esquecer que os hindus é que ficam aterrorizados conosco quando comemos carne de vaca.

Quando nos reportamos às Escrituras, percebemos que a Igreja Primitiva também teve que lidar com os aspectos culturais. Interessante que o apóstolo Paulo escrevendo uma de suas cartas, deixa uma orientação para as mulheres não cortarem o cabelo e fazerem o uso do véu no templo. Acreditamos que tais conselhos são representações dos valores da época e do contexto cultural. Por conseguinte, o que pode ser errado hoje em termos culturais, pode ser certo amanhã ou mesmo o contrário. A doutrina, isto é, a Palavra de Deus não muda, mas os elementos culturais estão sempre sofrendo modificações. O mundo de hoje não é o mesmo de ontem. Assim, como a igreja cristã contemporânea não é a mesma igreja cristã do passado. Temos o mesmo Senhor e Salvador, o mesmo evangelho da Cruz e o mesmo Espírito Santo que nos consola, mas os costumes e os valores eclesiásticos são diferentes. No passado, uma jovem foi excluída de sua igreja local, uma igreja de nossa denominação, por ter sido encontrada pedalando uma bicicleta. Será que alguma igreja batista teria coragem de fazer isso nos dias de hoje? Em uma antiga revista de nossa denominação foi publicado um artigo de um pastor conhecido, no entanto, hoje já na glória, criticando o cinema e dizendo que como crentes em Jesus não deveríamos frequentar tal tipo de ambiente. Será que algum pregador de nossa denominação teria coragem de dizer hoje que cinema é pecado? Bem, com os exemplos já citados, fica claro que os costumes mudam, pois a cultura muda, inclusive, os costumes e a dinâmica eclesiástica. Ou será que alguém ainda imagina que a igreja de hoje é a mesma de todos os tempos no sentido cultural?

 Obviamente que nem toda expressão cultural é legítima. Entre os esquimós era comum receber um visitante compartilhando a esposa. Reconhecemos que isso nunca será agradável a Deus em nenhuma época nem mesmo em qualquer contexto cultural, tendo em vista que o sexo é para a intimidade do casal. Mas, precisamos deixar claro que, nem tudo o que é diferente significa que seja pecado. Será, por exemplo, errado um pastor usar um "laptop" no púlpito? Preferimos a Bíblia impressa. Não somos muito achegados a tanta modernidade, mas dizer que é pecado, aí já seria uma atitude um tanto legalista. Nem Jesus em suas campanhas evangelísticas ou missionárias carregava Bíblia. Ou será que carregava? A Palavra de Deus estava em Seu coração, em Sua vida e prática ministerial, não em Suas mãos ou debaixo de Seus braços. Mas, vem uma pergunta que não quer calar: como podemos nos ajustar à verdade de Cristo, considerando que algumas coisas dependem mais do momento e do contexto social e cultural? A Palavra de Deus nos oferece algumas dicas. Apresentamos aqui algumas delas sem destacar a ordem de importância. Todas são imprescindíveis:

1. É motivo de louvor? A Bíblia diz que "antes seja o vosso propósito não pôr tropeço ou escândalo ao irmão" (Romanos 14:13).  Somos livres em Jesus, mas "vede que essa liberdade não seja de alguma maneira escândalo para os fracos" (I Coríntios 8:9). Logo, "Portai-vos de modo que não deis escândalo nem aos judeus, nem aos gregos, nem à igreja de Deus" (I Coríntios 10:32).

2. Glorifica o nome do Senhor? "Portanto, quer comais quer bebais, ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para glória de Deus" (I Coríntios 10:31). "E tudo quanto fizerdes, fazei-o de todo o coração, como ao Senhor, e não aos homens" (Colossenses 3:23).

3. Traz algum acréscimo para o Reino? "Porque Deus não é Deus de confusão, senão de paz, como em todas as igrejas dos santos" (I Coríntios 14:33). "E, se um reino se dividir contra si mesmo, tal reino não pode subsistir" (Marcos 3:24).

4. Revela o amor de Cristo? "O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não trata com leviandade, não se ensoberbece. Não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal; Não folga com a injustiça, mas folga com a verdade; Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O amor nunca falha" (I Coríntios 13:4-8).

5. Valoriza o templo do Espírito? "Ou não sabeis que o vosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós, proveniente de Deus, e que não sois de vós mesmos?" (I Coríntios 6:19).

6. Promove Edificação? "Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convêm; todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas edificam" (I Coríntios 10:23).

7. Fortalece a comunhão? "Sujeitando-vos uns aos outros no temor de Deus" (Efésios 5:21). "Não sejamos cobiçosos de vanglórias, irritando-nos uns aos outros, invejando-nos uns aos outros" (Gálatas 5:26). "Amai-vos cordialmente uns aos outros com amor fraternal, preferindo-vos em honra uns aos outros" (Romanos 12:10).

8. É justo? "E o efeito da justiça será paz, e a operação da justiça, repouso e segurança para sempre" (Isaías 32:17).

9. Está em harmonia com os ensinos das Escrituras? "Toda a Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar, para redarguir, para corrigir, para instruir em justiça" (II Timóteo 3:16). "A lei do SENHOR é perfeita, e refrigera a alma; o testemunho do SENHOR é fiel, e dá sabedoria aos símplices" (Salmos 19:7).

10. Favorece a grande comissão? "Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; Ensinando-os a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos. Amém." (Mateus 28:19,20).


Esperamos com este artigo ter contribuído para o fortalecimento do Reino. E se porventura estiver persistindo ainda alguma dúvida diante de qualquer circunstância social ou cultural, lembremo-nos de que "aquele que tem dúvidas" deve evitar o que for, pois "tudo o que não é de fé é pecado" (Romanos 14:23).

Pr. Adriano Xavier Machado

O Culto à Personalidade

Todos gostam, em certo sentido, percebendo isso ou não, de reconhecer algum herói. Isso se repete não apenas com a criança, mas também com o adulto. Obviamente que o tipo de herói da criança é muito diferente quando comparado com o do adulto. O dela tem capa, máscara e poderes sobrenaturais. O dele é de carne, osso e sangue. O dela se encontra nas revistas em quadrinhos, nos desenhos animados e filmes cinematográficos. O dele é bem visível, palpável e demonstra alguma superação, conquista ou habilidade incomum entre os mortais. Sem medo de errar, podemos dizer que isso é um fenômeno sociológico. Em qualquer cultura, povo ou nação há heróis retratados, reconhecidos e admirados. Os heróis da mitologia grega, por exemplo, oferecem-nos uma indicação disso.

Todavia, no cristianismo também encontramos muitos heróis. Quem nunca ouviu falar dos heróis da fé? Em Hebreus 11 encontramos uma lista desses heróis que se tornaram exemplos para nós. Atente, porém, que heróis estão sempre surgindo, estão sempre aparecendo. Temos os famosos heróis missionários tais como Guilherme Carey, David Livingstone e Hudson Taylor. Em resumo, estamos sempre reconhecendo heróis que nos servem de referência, que de algum modo nos motivam e nos inspiram. Sinceramente não vejo problema algum termos como espelho pessoas que se destacam e apresentam algum brilho. Afinal, quem nunca ficou encantado com a história e o exemplo de um homem ou uma mulher que, demonstrou superação, coragem e uma lição de vida? Paulo mesmo chegou a fazer o seguinte convite: "Sede também meus imitadores, irmãos, e tende cuidado, segundo o exemplo que tendes em nós" (Filipenses 3:17). Todavia, tenho visto um grande problema ainda persistindo nos dias de hoje, o que expressa uma atitude doentia e perversa, isto é, o culto à personalidade.

O culto à personalidade é uma forma de propaganda para a exaltação de um dirigente, líder, autoridade ou celebridade. É efetivado através de uma estratégia de marketing que objetiva a manipulação psicológica de um grupo de pessoas ou mesmo de um povo. Estratégia essa que foi usada por Josef Stalin na antiga União Soviética, Hitler na Alemanha e Mao Tsé-Tung na China. Enquanto o herói é reconhecido por seus atos de bravura, inteligência e serviço, no culto à personalidade o ídolo é produzido com cartazes, filmes, panfletagens, fotografias, discursos e artigos sensacionalistas. O culto à personalidade tem o intuito de "vender" uma imagem. Sua ação é abusiva e exploratória. Enquanto no herói percebemos facilmente a sua humanidade, no ídolo construído pela propaganda temos uma imensa dificuldade, pois parece deus, um mito que nunca pode errar. O ídolo pode falar a maior bobagem, ser um verdadeiro corrupto e até cometer atrocidades, mas ele continua tendo a admiração do povo que está sendo seduzido pelo culto à personalidade. É triste dizer, mas isso não acontece apenas no espaço político, mas também no religioso. Portanto, a Igreja contemporânea deve ficar atenta, não permitindo ser influenciada nem enganada por esse tipo de recurso que não glorifica o nome do Senhor.

Certamente devemos reconhecer os nossos heróis, homens e mulheres que se doam, que se consagram pelo bem do próximo e que acima de tudo procuram viver e demonstrar o amor de Jesus Cristo. Mas devemos também ter cuidado para não sermos presas dos marqueteiros da fé, os que promovem um tipo de culto para benefício próprio. Jesus disse que "pelos seus frutos os conhecereis". Dentre as muitas abordagens possíveis, podemos destacar que os marqueteiros religiosos querem aparecer, mas os verdadeiros heróis do Reino compreendem que é "necessário que ele cresça", que o nosso Senhor esteja em evidência (João 3:30). Os marqueteiros vivem para si mesmos, buscando o enriquecimento, fama e poder, mas os heróis da fé vivem para o Senhor: "Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé do Filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim" (Gálatas 2:20). Os marqueteiros desejam conforto e facilidade, amam o palco e as luzes dos grandes eventos, mas os homens e mulheres de Deus que merecem o nosso respeito assumem como modelo o exemplo do Mestre: "Porque o Filho do homem também não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate de muitos" (Marcos 10:45). Os marqueteiros apontam para as suas obras e realizações, porém os heróis do evangelho apontam para Jesus: "Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim" (João 14:6).

Pr. Adriano Xavier Machado

Eufemismo Espiritual

Para atenuar uma certa verdade, situação ou circunstância, usa-se uma figura de linguagem conhecida como eufemismo. Por exemplo, em vez de dizer que uma certa pessoa morreu, diz que ela partiu ou que descansou ou que foi recebida na glória. Certamente esse recurso é muito válido para não sermos tão diretos ou ainda grosseiros, insensíveis ou impertinentes. No entanto, há um certo eufemismo que deverá ser rejeitado, isto é, quando se diz respeito aos nossos pecados. Por incrível que pareça o ser humano em geral tende a amenizar suas próprias transgressões. Parece que somente as outras pessoas cometem algo sério e gravíssimo. Quando alguns mentem, foi apenas uma mentirinha. Porém, se outros mentem são mentirosos. Assim, suavizamos os nossos erros e acentuamos os erros dos outros. Por isso vemos tantas pessoas comprando e não pagando, tomando coisas emprestadas e não devolvendo, prometendo e não cumprindo, adquirindo produtos piratas e achando que somente os políticos são corruptos, pois julgam que não fizeram ou não fazem nada de mais. Amados, pecado é pecado, é transgressão contra o Senhor Deus. Portanto, não há como sermos gentis, cavalheiros ou educados com o pecado. Não adianta querermos embrulhar o pecado com palavras suaves e agradáveis. "O que encobre as suas transgressões nunca prosperará, mas o que as confessa e deixa, alcançará misericórdia" (Provérbios 28:13). Logo o pecado tem que ser confrontado e reconhecido. O pecado tem que ser exposto e confessado. O pecado tem que ser rejeitado e abandonado. Estou sendo muito radical? Cuidado com o eufemismo espiritual! De fato não conheço algo que seja mais radical do que o cristianismo. "Porque qualquer que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á, mas, qualquer que perder a sua vida por amor de mim e do evangelho, esse a salvará" (Marcos 8:35). Por conseguinte, se você que está lendo este artigo tem o costume de achar que nunca faz nada de mais e sempre tem um modo de querer explicar os pecados cometidos com palavras suaves, tentando se justificar, deixo o desafio de clamar pela ajuda do Eterno para que o Espírito Santo venha sondar o coração e revelar tudo o que não é do Seu agrado. E ao identificar o pecado, confesse-o, deixando-o aos pés da Cruz, em nome de Jesus, amém.

Pr. Adriano Xavier Machado

Materialismo e Espiritualidade


Um jornalista perguntou a uma certa mulher o que a deixava feliz. Ela respondeu: "Comprar roupa. Comprar muita roupa e sapato". Pode parecer exagero, mas estou cada vez mais convencido de que o materialismo é de fato o deus deste século. O deus que gera disputas, cega o entendimento e acorrenta a alma de muitos. Em geral as pessoas não se contentam mais com o necessário nem se satisfazem com o essencial. Estão sempre querendo mais e mais e não conseguem apreciar a beleza e a simplicidade da vida. Tal como vítimas da areia movediça, assim muitos estão sendo engolidos pelo materialismo, pelo amor ao dinheiro e pelas riquezas deste mundo. Praticamente muitos não apreciam mais a orientação bíblica: "Tendo, porém, sustento, e com que nos cobrirmos, estejamos com isso contentes" (I Timóteo 6:8). Nada é tão ignorado nos púlpitos ultimamente quanto o ensino de Jesus: "Não andeis cuidadosos quanto à vossa vida, pelo que haveis de comer ou pelo que haveis de beber; nem quanto ao vosso corpo, pelo que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o mantimento, e o corpo mais do que o vestuário?" (Mateus 6:25). Por isso temos visto uma geração doente por enriquecimento. Uma sociedade que vende a alma pelo brilho da prata e do ouro. Igrejas que repetem sempre o mesmo discurso de prosperidade e não há espaço nem interesse para a Cruz nem para a volta de Jesus. Há pessoas tão materialistas que só falam de casa, roupa, carro, joias, perfumes e comprar e comprar e comprar. Compram e nunca ficam satisfeitas. Compram e nunca têm tempo para as coisas de Deus. Compram e não investem na vida espiritual. Obviamente não sou adepto da "teologia" da mendicância. Não há problema algum ser rico, ter um excelente salário ou uma atraente conta bancária . "O dinheiro é como o camaleão", afirmou Loren Cunningham, "assume a cor do coração de quem o possui". Mas viver uma correria desenfreada para "ter" a custa do "ser" não dá mesmo. Trabalhar para viver é uma coisa, porém viver para trabalhar é algemar a própria existência. Fazer compras é necessário, todavia fazer das compras a principal motivação psicológica é pura loucura. Deixar de atender ao chamado divino por causa do conforto ou segurança material é simplesmente tolice. Não é por menos que o jovem rico retirou-se triste diante do desafio radical de Jesus. Pois como disse Schopenhauer a "riqueza é como água salgada: quanto mais se bebe, mais sede se tem". E a Bíblia diz: "Porque o amor ao dinheiro é a raiz de toda a espécie de males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé, e se traspassaram a si mesmos com muitas dores" (I Timóteo 6:10). Veja que certas pessoas não saem dos shoppings, mas dificilmente comparecem aos cultos da igreja. Há outras que negam o dízimo, mas adoram gastar dinheiro nas lojas e comércios. Há aquelas que entendem tudo de carros, perfumes e grifes e não entendem nada de Bíblia. Penso que precisamos aprender a nos confrontar com o ensinamento de Jesus: "Nenhum servo pode servir dois senhores; porque ou há de odiar a um e amar ao outro, ou há de dedicar-se a um e desprezar o outro. Não podeis servir a Deus e às riquezas" (Lucas 16:13). Sejamos honestos: a quem estamos servindo? O que tem enchido os nossos olhos? O que ocupa os nossos pensamentos? Onde se encontra o desejo do nosso coração? "Porque, onde estiver o vosso tesouro, ali estará também o vosso coração" (Lucas 12:34). Portanto, que o Senhor seja tudo em nossas vidas. Que o Senhor seja o nosso verdadeiro tesouro.

Pr. Adriano Xavier Machado

Lembranças e Esperanças


Agora é apenas mais uma estrada. Uma estrada que nos faz reviver tempos, histórias e lembranças. Sim, ainda há o seu encanto. Podemos ouvir o canto dos pássaros e apreciar os extensos campos verdejantes. Mas praticamente todos os homens e mulheres da roça se foram. Pais e filhos agricultores se mudaram para as cidades, buscando novas oportunidades, sonhando com outras possibilidades. A sensação é estranha, diferente e até um tanto perturbadora. Quanto a mim, parece que ainda posso ver as vacas sendo ordenhadas, a terra sendo arada, os galos e galinhas ciscando o chão... hum, cheirinho de comida, de café e bolo do interior, mas tudo passou. Ficaram apenas as recordações de um tempo que se findou. As casas estão abandonadas. Portas e janelas quebradas. Não há sorrisos, cantos nem o chorinho da viola. Quando criança era ali que eu gostava de passar as minhas férias. Titia no final do dia reunia os filhos e sobrinhos e lia a Bíblia e pedia para que cantássemos um hino. Naquele tempo, naquela região e naquela casa não tinha luz elétrica. O companheiro da noite era mesmo o lampião e as sombras nas paredes da casa. E como mágica, tudo aquilo me fascinava, tudo aquilo me encantava. Contudo, não adianta mais querer buscar algo que já passou. Agora a vida é outra. Há novos desafios e perspectivas. Porém, essas coisas me fazem meditar e lembrar: tudo passa, tudo acaba, tudo tem o seu fim, mas o que faz a vontade do Senhor permanece para sempre. Aleluia, pois estou, você está, estamos todos de passagem. Este mundo não é o nosso lugar. A nossa cidade está no Céu, onde "há muitas moradas; se não fosse assim, eu vo-lo teria dito: vou preparar-vos lugar. E se eu for, e vos preparar lugar, virei outra vez, e vos levarei para mim mesmo, para que onde eu estiver estejais vós também" (João 14:2,3). A promessa de Jesus é a nossa esperança.

Pr. Adriano Xavier Machado