O Culto à Personalidade

Todos gostam, em certo sentido, percebendo isso ou não, de reconhecer algum herói. Isso se repete não apenas com a criança, mas também com o adulto. Obviamente que o tipo de herói da criança é muito diferente quando comparado com o do adulto. O dela tem capa, máscara e poderes sobrenaturais. O dele é de carne, osso e sangue. O dela se encontra nas revistas em quadrinhos, nos desenhos animados e filmes cinematográficos. O dele é bem visível, palpável e demonstra alguma superação, conquista ou habilidade incomum entre os mortais. Sem medo de errar, podemos dizer que isso é um fenômeno sociológico. Em qualquer cultura, povo ou nação há heróis retratados, reconhecidos e admirados. Os heróis da mitologia grega, por exemplo, oferecem-nos uma indicação disso.

Todavia, no cristianismo também encontramos muitos heróis. Quem nunca ouviu falar dos heróis da fé? Em Hebreus 11 encontramos uma lista desses heróis que se tornaram exemplos para nós. Atente, porém, que heróis estão sempre surgindo, estão sempre aparecendo. Temos os famosos heróis missionários tais como Guilherme Carey, David Livingstone e Hudson Taylor. Em resumo, estamos sempre reconhecendo heróis que nos servem de referência, que de algum modo nos motivam e nos inspiram. Sinceramente não vejo problema algum termos como espelho pessoas que se destacam e apresentam algum brilho. Afinal, quem nunca ficou encantado com a história e o exemplo de um homem ou uma mulher que, demonstrou superação, coragem e uma lição de vida? Paulo mesmo chegou a fazer o seguinte convite: "Sede também meus imitadores, irmãos, e tende cuidado, segundo o exemplo que tendes em nós" (Filipenses 3:17). Todavia, tenho visto um grande problema ainda persistindo nos dias de hoje, o que expressa uma atitude doentia e perversa, isto é, o culto à personalidade.

O culto à personalidade é uma forma de propaganda para a exaltação de um dirigente, líder, autoridade ou celebridade. É efetivado através de uma estratégia de marketing que objetiva a manipulação psicológica de um grupo de pessoas ou mesmo de um povo. Estratégia essa que foi usada por Josef Stalin na antiga União Soviética, Hitler na Alemanha e Mao Tsé-Tung na China. Enquanto o herói é reconhecido por seus atos de bravura, inteligência e serviço, no culto à personalidade o ídolo é produzido com cartazes, filmes, panfletagens, fotografias, discursos e artigos sensacionalistas. O culto à personalidade tem o intuito de "vender" uma imagem. Sua ação é abusiva e exploratória. Enquanto no herói percebemos facilmente a sua humanidade, no ídolo construído pela propaganda temos uma imensa dificuldade, pois parece deus, um mito que nunca pode errar. O ídolo pode falar a maior bobagem, ser um verdadeiro corrupto e até cometer atrocidades, mas ele continua tendo a admiração do povo que está sendo seduzido pelo culto à personalidade. É triste dizer, mas isso não acontece apenas no espaço político, mas também no religioso. Portanto, a Igreja contemporânea deve ficar atenta, não permitindo ser influenciada nem enganada por esse tipo de recurso que não glorifica o nome do Senhor.

Certamente devemos reconhecer os nossos heróis, homens e mulheres que se doam, que se consagram pelo bem do próximo e que acima de tudo procuram viver e demonstrar o amor de Jesus Cristo. Mas devemos também ter cuidado para não sermos presas dos marqueteiros da fé, os que promovem um tipo de culto para benefício próprio. Jesus disse que "pelos seus frutos os conhecereis". Dentre as muitas abordagens possíveis, podemos destacar que os marqueteiros religiosos querem aparecer, mas os verdadeiros heróis do Reino compreendem que é "necessário que ele cresça", que o nosso Senhor esteja em evidência (João 3:30). Os marqueteiros vivem para si mesmos, buscando o enriquecimento, fama e poder, mas os heróis da fé vivem para o Senhor: "Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé do Filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim" (Gálatas 2:20). Os marqueteiros desejam conforto e facilidade, amam o palco e as luzes dos grandes eventos, mas os homens e mulheres de Deus que merecem o nosso respeito assumem como modelo o exemplo do Mestre: "Porque o Filho do homem também não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate de muitos" (Marcos 10:45). Os marqueteiros apontam para as suas obras e realizações, porém os heróis do evangelho apontam para Jesus: "Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim" (João 14:6).

Pr. Adriano Xavier Machado

Eufemismo Espiritual

Para atenuar uma certa verdade, situação ou circunstância, usa-se uma figura de linguagem conhecida como eufemismo. Por exemplo, em vez de dizer que uma certa pessoa morreu, diz que ela partiu ou que descansou ou que foi recebida na glória. Certamente esse recurso é muito válido para não sermos tão diretos ou ainda grosseiros, insensíveis ou impertinentes. No entanto, há um certo eufemismo que deverá ser rejeitado, isto é, quando se diz respeito aos nossos pecados. Por incrível que pareça o ser humano em geral tende a amenizar suas próprias transgressões. Parece que somente as outras pessoas cometem algo sério e gravíssimo. Quando alguns mentem, foi apenas uma mentirinha. Porém, se outros mentem são mentirosos. Assim, suavizamos os nossos erros e acentuamos os erros dos outros. Por isso vemos tantas pessoas comprando e não pagando, tomando coisas emprestadas e não devolvendo, prometendo e não cumprindo, adquirindo produtos piratas e achando que somente os políticos são corruptos, pois julgam que não fizeram ou não fazem nada de mais. Amados, pecado é pecado, é transgressão contra o Senhor Deus. Portanto, não há como sermos gentis, cavalheiros ou educados com o pecado. Não adianta querermos embrulhar o pecado com palavras suaves e agradáveis. "O que encobre as suas transgressões nunca prosperará, mas o que as confessa e deixa, alcançará misericórdia" (Provérbios 28:13). Logo o pecado tem que ser confrontado e reconhecido. O pecado tem que ser exposto e confessado. O pecado tem que ser rejeitado e abandonado. Estou sendo muito radical? Cuidado com o eufemismo espiritual! De fato não conheço algo que seja mais radical do que o cristianismo. "Porque qualquer que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á, mas, qualquer que perder a sua vida por amor de mim e do evangelho, esse a salvará" (Marcos 8:35). Por conseguinte, se você que está lendo este artigo tem o costume de achar que nunca faz nada de mais e sempre tem um modo de querer explicar os pecados cometidos com palavras suaves, tentando se justificar, deixo o desafio de clamar pela ajuda do Eterno para que o Espírito Santo venha sondar o coração e revelar tudo o que não é do Seu agrado. E ao identificar o pecado, confesse-o, deixando-o aos pés da Cruz, em nome de Jesus, amém.

Pr. Adriano Xavier Machado

Materialismo e Espiritualidade


Um jornalista perguntou a uma certa mulher o que a deixava feliz. Ela respondeu: "Comprar roupa. Comprar muita roupa e sapato". Pode parecer exagero, mas estou cada vez mais convencido de que o materialismo é de fato o deus deste século. O deus que gera disputas, cega o entendimento e acorrenta a alma de muitos. Em geral as pessoas não se contentam mais com o necessário nem se satisfazem com o essencial. Estão sempre querendo mais e mais e não conseguem apreciar a beleza e a simplicidade da vida. Tal como vítimas da areia movediça, assim muitos estão sendo engolidos pelo materialismo, pelo amor ao dinheiro e pelas riquezas deste mundo. Praticamente muitos não apreciam mais a orientação bíblica: "Tendo, porém, sustento, e com que nos cobrirmos, estejamos com isso contentes" (I Timóteo 6:8). Nada é tão ignorado nos púlpitos ultimamente quanto o ensino de Jesus: "Não andeis cuidadosos quanto à vossa vida, pelo que haveis de comer ou pelo que haveis de beber; nem quanto ao vosso corpo, pelo que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o mantimento, e o corpo mais do que o vestuário?" (Mateus 6:25). Por isso temos visto uma geração doente por enriquecimento. Uma sociedade que vende a alma pelo brilho da prata e do ouro. Igrejas que repetem sempre o mesmo discurso de prosperidade e não há espaço nem interesse para a Cruz nem para a volta de Jesus. Há pessoas tão materialistas que só falam de casa, roupa, carro, joias, perfumes e comprar e comprar e comprar. Compram e nunca ficam satisfeitas. Compram e nunca têm tempo para as coisas de Deus. Compram e não investem na vida espiritual. Obviamente não sou adepto da "teologia" da mendicância. Não há problema algum ser rico, ter um excelente salário ou uma atraente conta bancária . "O dinheiro é como o camaleão", afirmou Loren Cunningham, "assume a cor do coração de quem o possui". Mas viver uma correria desenfreada para "ter" a custa do "ser" não dá mesmo. Trabalhar para viver é uma coisa, porém viver para trabalhar é algemar a própria existência. Fazer compras é necessário, todavia fazer das compras a principal motivação psicológica é pura loucura. Deixar de atender ao chamado divino por causa do conforto ou segurança material é simplesmente tolice. Não é por menos que o jovem rico retirou-se triste diante do desafio radical de Jesus. Pois como disse Schopenhauer a "riqueza é como água salgada: quanto mais se bebe, mais sede se tem". E a Bíblia diz: "Porque o amor ao dinheiro é a raiz de toda a espécie de males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé, e se traspassaram a si mesmos com muitas dores" (I Timóteo 6:10). Veja que certas pessoas não saem dos shoppings, mas dificilmente comparecem aos cultos da igreja. Há outras que negam o dízimo, mas adoram gastar dinheiro nas lojas e comércios. Há aquelas que entendem tudo de carros, perfumes e grifes e não entendem nada de Bíblia. Penso que precisamos aprender a nos confrontar com o ensinamento de Jesus: "Nenhum servo pode servir dois senhores; porque ou há de odiar a um e amar ao outro, ou há de dedicar-se a um e desprezar o outro. Não podeis servir a Deus e às riquezas" (Lucas 16:13). Sejamos honestos: a quem estamos servindo? O que tem enchido os nossos olhos? O que ocupa os nossos pensamentos? Onde se encontra o desejo do nosso coração? "Porque, onde estiver o vosso tesouro, ali estará também o vosso coração" (Lucas 12:34). Portanto, que o Senhor seja tudo em nossas vidas. Que o Senhor seja o nosso verdadeiro tesouro.

Pr. Adriano Xavier Machado

Lembranças e Esperanças


Agora é apenas mais uma estrada. Uma estrada que nos faz reviver tempos, histórias e lembranças. Sim, ainda há o seu encanto. Podemos ouvir o canto dos pássaros e apreciar os extensos campos verdejantes. Mas praticamente todos os homens e mulheres da roça se foram. Pais e filhos agricultores se mudaram para as cidades, buscando novas oportunidades, sonhando com outras possibilidades. A sensação é estranha, diferente e até um tanto perturbadora. Quanto a mim, parece que ainda posso ver as vacas sendo ordenhadas, a terra sendo arada, os galos e galinhas ciscando o chão... hum, cheirinho de comida, de café e bolo do interior, mas tudo passou. Ficaram apenas as recordações de um tempo que se findou. As casas estão abandonadas. Portas e janelas quebradas. Não há sorrisos, cantos nem o chorinho da viola. Quando criança era ali que eu gostava de passar as minhas férias. Titia no final do dia reunia os filhos e sobrinhos e lia a Bíblia e pedia para que cantássemos um hino. Naquele tempo, naquela região e naquela casa não tinha luz elétrica. O companheiro da noite era mesmo o lampião e as sombras nas paredes da casa. E como mágica, tudo aquilo me fascinava, tudo aquilo me encantava. Contudo, não adianta mais querer buscar algo que já passou. Agora a vida é outra. Há novos desafios e perspectivas. Porém, essas coisas me fazem meditar e lembrar: tudo passa, tudo acaba, tudo tem o seu fim, mas o que faz a vontade do Senhor permanece para sempre. Aleluia, pois estou, você está, estamos todos de passagem. Este mundo não é o nosso lugar. A nossa cidade está no Céu, onde "há muitas moradas; se não fosse assim, eu vo-lo teria dito: vou preparar-vos lugar. E se eu for, e vos preparar lugar, virei outra vez, e vos levarei para mim mesmo, para que onde eu estiver estejais vós também" (João 14:2,3). A promessa de Jesus é a nossa esperança.

Pr. Adriano Xavier Machado

Aprendendo com a Família

A família é a escola da vida. É a verdadeira escola básica para a formação de um homem e de uma mulher, a despeito da idade ou condição sócio-econômica. Com ela aprendemos muitos valores essenciais para uma vida feliz, honrosa e digna. As melhores virtudes de um povo têm origem no lar. E por isso, a família é reconhecida como a célula mater da sociedade, a base de todas as coisas. O que aprendemos no lar, muito se reflete na igreja ou em qualquer outra instituição social. Vejamos o que aprendemos com a família.

1. Com a família aprendemos a virtude da comunhão. Apesar das diferenças de personalidade e temperamento entre os membros da família é possível a harmonia e paz uns com os outros. E para prevalecer essa comunhão não há necessidade de seus membros serem iguais ou terem os mesmos gostos. Basta a convivência em comum acordo em Jesus Cristo e em Seu evangelho redentor. E Deus deseja que todos aprendam essa lição, pois "se andarmos na luz, como ele na luz está, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus seu Filho nos purifica de todo pecado." (I João 1:7).

2. Com a família aprendemos o valor da paciência. Uma virtude quase em falta nos dias de hoje. Em qualquer trânsito movimentado dos centros urbanos constatamos facilmente a impaciência predominante: xinga-se por qualquer motivo, ofende-se gratuitamente e fica-se de bico por qualquer coisa. Não é algo parecido com as nossas igrejas? Por que será? Não é pelo fato da ausência de paciência? Há um provérbio chinês que diz: "Um momento de paciência pode evitar um grande desastre; um momento de impaciência pode arruinar toda uma vida"
. Então, consideremos mais o desafio da Palavra de Deus: "corroborados com toda a fortaleza, segundo o poder da sua glória, para toda a perseverança e longanimidade com gozo" (Colossenses 1:11).

3. Com a família aprendemos a importância da perseverança. Virtude esta que está muito relacionada com a paciência. No entanto, ela merece enfoque, por passar uma ideia abrangente de "determinação persistente", constância e firmeza nos objetivos. Na nossa língua portuguesa, falar de paciência, e não da perseverança, não dá o sentido completo que merece a nossa consideração. Precisamos aprender a esperar, mas não sentados, de braços cruzados ou passivamente, e sim com trabalho, dedicação, labuta e empenho. Com isso queremos dizer que, precisamos aprender a lutar para preservar o casamento e a unidade familiar. A Bíblia também destaca a graça da perseverança: "Porque necessitais de perseverança, para que, depois de haverdes feito a vontade de Deus, alcanceis a promessa" (Hebreus 10:36).

4. Com a família aprendemos o cultivo do amor. Por se multiplicar a iniquidade, o amor de muitos já está esfriando. Os abusos não acontecem apenas nas ruas, mas também nos lares. A violência não se encontra apenas nos becos das favelas, encontra-se nas próprias casas de família. O que evidencia que está faltando amor no lar. E podemos ter certeza de que a falência da família é o desmoronamento de qualquer sociedade. Portanto, a família precisa ser resgatada pelo poder do evangelho de Jesus Cristo. Pois é com ela que cada indivíduo aprende amar. Se não há amor no lar, não há amor em qualquer outro lugar. "De modo que o amor é o cumprimento da lei" (Romanos 13:10). Pois "ainda que tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda a fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse amor, nada seria. E ainda que distribuísse toda a minha fortuna para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse amor, nada disso me aproveitaria" (I Coríntios 13:2,3).

É na família que aprendemos o que a educação escolar não pode nos oferecer. É na família que nos preparamos para a vida e o convívio em sociedade. Valorizemos a família. Lutemos por ela. E como diz uma personagem de desenho animado, "família quer dizer nunca mais abandonar ou esquecer". Então, estejamos empenhados para fazê-la o melhor lugar do mundo para a glória do Senhor.

Pr. Adriano Xavier Machado

A Religião, o Estado e as Polêmicas Atuais

Religião e Estado. Cada um no seu lado e no seu canto tratando de seus próprios interesses e negócios. Assim, temos nos esforçado para tratar do tema. Então, a Religião considera os assuntos espirituais e o Estado focaliza os assuntos terrenos. Historicamente os batistas são conhecidos pela defesa da separação da Igreja do Estado. No entanto, a ênfase atual vem do outro lado. Pelo menos no contexto ocidental o Estado não quer mais a interferência da Religião. Quando se está diante de assuntos polêmicos, tais como o aborto e o homossexualismo, o discurso político é considerar tais questões sem a ótica da religiosidade, considerando o primeiro apenas como um problema de saúde pública e o segundo como uma expressão social legítima. Enquanto alguns países reconhecem uma religião oficial, o que se chama de Estado Confessional, outros são laicos, ou seja, procuram manter uma neutralidade, respeitando todos os segmentos religiosos. O Brasil, nesse quesito é um Estado laico desde o decreto Nº 119-A de 7 de janeiro 1890. Mas, apesar de sua laicidade, podemos perceber que em sua política, administração e legislação ainda há muita influência do cristianismo. Em muitos dos discursos encontramos referências bíblicas, em repartições públicas constatamos símbolos religiosos e na própria Constituição detecta-se o fermento do evangelho levedando a "massa". Veja por exemplo a questão do casamento. Por que o Brasil não reconhece a poligamia? Não será por uma influência, ainda que subjetiva e indireta da fé cristã?

Num dia desses um programa jornalístico esteve apresentando uma matéria sobre o Butão, uma nação que tem o budismo como a religião oficial e cujo pai do atual rei é casado com quatro irmãs. Se o Butão fosse um país cristão, será que isso seria aceitável? Em Estados Confessionais tais como o Vaticano (catolicismo), Dinamarca (protestantismo) e o Reino Unido (anglicanismo) a poligamia é um ultraje. Querendo ou não, o Estado expressa muito dos conceitos religiosos de um povo e de uma cultura. Assim é no Estado de Israel com a influência judaica, no Sudão com o islamismo, nos Estados Unidos da América com o protestantismo e em qualquer outro país com sua herança religiosa. É assim e basicamente não tem como ser diferente, pois, caso contrário, o Estado seria como que um monstro, sem qualquer aproximação ou identificação com o povo. Em muitos dos antigos países socialistas e comunistas vimos um esforço do Estado para tirar Deus de toda ação política. A Albânia chegou a declarar em um artigo de sua Constituição: "O Estado não confessa nenhuma religião, apoia e realiza propaganda ateística a fim de implantar nas pessoas uma visão de mundo cientificamente materialista". Essa declaração resume bem quando um Estado deseja tirar Deus de sua trajetória. Mas, apesar de tudo a História foi testemunha do fracasso dessas ideologias políticas. O desmantelamento e a fragmentação da antiga União Soviética retratam bem isso. Portanto, quero chamar a atenção de que não adianta o Estado, ainda que seja laico, tentar negar ou extinguir muitos dos ideais religiosos de um povo. Uma coisa é elaborar algo no papel e outra é mudar a mentalidade e os costumes do povo.

Considerando mais uma vez o Butão, a política do Estado é a felicidade do povo. Por quê? Porquanto o budismo busca a felicidade do indivíduo e é a expressão máxima da religiosidade daquela nação. Logo, o Butão tem em suas ações políticas muito da religiosidade do povo e assim consegue manter a ordem interna, apesar de ser um reino sem muitos recursos tecnológicos e financeiros dos países desenvolvidos. E podemos ter certeza que, em certa medida, quer seja para mais ou para menos, é assim com todas as nações do mundo. Em qualquer país há algum vestígio da herança cultural-religiosa em sua política. Mas, para delimitarmos a matéria, imaginemos se o Estado que conhecemos no Ocidente, não tivesse recebido qualquer influência religiosa, no nosso caso específico a influência cristã. Como seria a situação da mulher nos dias de hoje? Que tipo de casamento seria aceitável em nossa cultura? Será que teríamos alguma noção de direitos humanos tal como o conhecemos hoje? Será que de fato teríamos o conceito de liberdade e fraternidade entre os povos? Qual seria a posição da criança na sociedade? Enfim, que políticas sociais conheceríamos hoje? Uma menina indiana com apenas 12 anos de idade casou com um cachorro para ser protegida de espíritos maus. Na Arábia Saudita um homem com 50 anos foi autorizado pela justiça a casar com uma menina de apenas nove anos de idade. Se não tivéssemos a nossa herança religiosa, como seria a nossa sociedade? Quais seriam os nossos costumes? Provavelmente nem existiríamos como Nação, pois não existe algum povo sem religiosidade. Os credos, os modelos e as manifestações podem ser diferentes, mas a religiosidade está presente em qualquer cultura.

Decerto, que a Religião em "nome" de Deus cometeu muitas barbáries. No entanto, as aberrações vieram muito mais por causa da prostituição da Religião com o Estado do que quando se manteve separada. Realmente o casamento ilegítimo de Religião e Estado acaba em crise, conflito e muito sangue. Todavia, sem dúvida, uma coisa é certa: assim como a Religião não pode ignorar totalmente o Estado, "dai a César o que é de César", o Estado também não pode ignorar totalmente a Religião, pelo menos em essência, princípios e fundamentos básicos. A distância é permitida apenas até certo ponto, quando a Religião não é omissa nos seus deveres políticos e legais nem o Estado fica sem qualquer moralidade ou ética que expresse os valores e conceitos religiosos de um povo. O discurso pode parecer bonito, científico ou até filosófico, mas não existe essa conversa de Estado totalmente puro, neutro ou imparcial. Um Estado não existe por si só. Um Estado não tem existência própria. O Estado existe por causa do povo, e não o contrário. Então sempre haverá alguma ideologia para regê-lo, seja ela uma expressão estrangeira ou nacional. Contudo, a melhor ideologia é aquela que considera pelo menos a historicidade da formação de um povo, tanto com os seus erros e acertos, desde que haja uma disposição humilde e dedicada em aprender e corrigir as distorções. E de acordo com a nossa história, o Brasil tem alguns princípios básicos de influência religiosa, tais como a defesa da vida e o casamento monogâmico e heterossexual. Desconsiderar esses princípios fundamentais não é somente ficar contra a Religião, mas sim contra a própria base que constitui a formação de nossa Nação. Logo, não existe um discurso tão frágil e barato quanto aquele que procura fazer retaliações de certas políticas nossas, fazendo comparações com as decisões dos países do primeiro mundo. Esse tipo de abordagem é que demonstra uma cosmovisão preconceituosa em relação as nossas origens e valores. Quem disse que temos que nos sujeitar ou imitar as mesmas decisões políticas dos países ricos? Quem disse que esses países estão sempre certos? É por falta de argumento que alguns recorrem a esse tipo de procedimento.

Talvez algum "especialista" diga que a distorção é não legalizar o aborto nem reconhecer a união homossexual. Lewis Henry Morgan acreditava que a "família é o elemento ativo; nunca permanece estacionária, mas, sim, passa de uma forma inferior a uma forma superior à medida que a sociedade evolui de um grau mais baixo para um mais alto". Contudo, o que significa essa evolução? É esse novo quadro que está querendo se configurar nos dias de hoje? Não será isso antes um retrocesso? Câncer também evolui, mas nem por isso podemos considerar um progresso para a saúde. Com o que está sendo proposto hoje para o Estado e a sociedade, na verdade não vejo nada de evolução, mas apenas a tentativa de um "salto" que procura passar por cima de todos os nossos valores históricos e culturais. Se a cultura não pode dar um salto como dizem os antropólogos, por que então o Estado deveria aceitar um pulo tão distante da nossa realidade cultural e histórica? Estamos preparados para isso? Quais as consequências dessas decisões no futuro de nosso País? Hitler em sua época parecia ter um discurso perfeito para o desenvolvimento da Alemanha. Ele ignorou todos os alicerces básicos de sua Nação em termos culturais, históricos e religiosos e deu um "salto" com toda a sua força. É, até que ele foi longe, mas não tão longe para permanecer em pé. Portanto, Brasil, vamos aprender com a História. Vamos reconhecer os nossos verdadeiros alicerces, isto é, a vida, a família e Deus. Podemos ser um Estado laico. Não precisamos ter uma religião oficial nem precisamos ver o Estado subsidiando qualquer movimento religioso. Porém, governar o País sob os princípios de um Estado ateísta e cientificamente materialista, digo isso porque no fundo quando uma ideologia procura tirar Deus de suas ações políticas esse é o caminho mais próximo, é tentar ignorar tudo aquilo que já temos e somos. Podemos até dar um grande "pulo" hoje, mas será que mais adiante conseguiremos permanecer em pé? Por fim, destaco que para um Estado ser laico, não significa ignorar todas as procedências religiosas. Por isso o Cristo Redentor ainda permanece no alto do Corcovado, a frase "DEUS SEJA LOUVADO" ainda está impressa nas cédulas de Real e o Natal continua sendo um feriado nacional. Será que precisamos de mais exemplos? Então, apenas para ilustrar, quero terminar lembrando algo bem conhecido, mas que pode nos ajudar a pensar sobre a nossa historicidade como Nação, ainda que em outro contexto. Certa vez um príncipe africano que visitou a Inglaterra, ficou impressionado com tudo o que viu. Então ele perguntou a Rainha Vitória qual era o segredo da grandeza daquela nação. Ela lhe respondeu, dando-lhe um exemplar das Escrituras Sagradas com a seguinte mensagem: “Este é o segredo da grandeza da Inglaterra!” Se alguém acha que essa história não tem nada a ver conosco, então veja o que a Bíblia diz: "Bem-aventurada é a nação cujo Deus é o SENHOR" (Salmos 33:12).


Pr. Adriano Xavier Machado

Protegendo o Lar com o Diálogo

Eu quero falar sobre o diálogo. Algo muito carente nos dias de hoje. É verdade que temos uma geração que tem aprendido muita coisa, mas, infelizmente, menos dialogar. A geração de hoje tem sido reconhecida como a geração do conhecimento. Jovens e adolescentes, homens e mulheres, pessoas de quase todas as idades sabem lidar até com certa habilidade com o celular, o computador, as máquinas fotográficas digitais, o MP3, o iPod e tantos outros recursos eletrônicos e tecnológicos, contudo, cada vez mais se distanciam das pessoas e desaprendem a lidar com o ser humano. Segundo a Wikipédia, o diálogo " é uma conversação estabelecida entre duas ou mais pessoas". Para existir diálogo, portanto, é preciso interagir com pessoas, é necessário se relacionar com gente. Mas isso está cada vez mais distante. Em muitas conversações há meras superficialidades, assuntos rotineiros sem qualquer relevância para aprofundar as relações, as amizades ou intimidades, inclusive, muitas vezes nos próprios lares. Isso significa que não basta uma família morar debaixo de um mesmo teto ou apenas ter o mesmo endereço ou ainda apenas o casal dormir na mesma cama. Uma família saudável valoriza e cultiva o diálogo. No entanto, há muitas mulheres que reclamam que seus maridos não conversam. Não conversam e depois querem cama. E há muitos homens frustrados porque não conseguem se expressar no lar, porquanto as esposas os sufocam com uma falácia descabida e desnecessária. Se há homens que não conversam, há mulheres que parecem ter engolido uma "vitrola": não param de falar, não param de reclamar. E como diz Salomão: "O gotejar contínuo em dia de grande chuva, e a mulher contenciosa, uma e outra são semelhantes" (Provérbios 27:15). Todavia, a falta de diálogo não se encontra somente no âmbito conjugal. Entre pais e filhos quase não há mais comunicação. Televisão, computador, vídeo game ou a rua com seus shoppings e comércios, estão cada vez mais afastando os filhos dos pais. Por conseguinte, quase não há mais acordo, cumplicidade, respeito nem unidade. Sem diálogo, uma família não consegue permanecer firme por muito tempo. Então, vamos proteger o nosso lar com o diálogo. Vamos falar e vamos dar tempo para ouvir. Temos que aprender a conversar de verdade, aproveitando cada momento, valorizando todas as oportunidades. A Palavra de Deus nos oferece algumas orientações que podem ser aplicadas no contexto da família: "Portanto, meus amados irmãos, todo o homem seja pronto para ouvir, tardio para falar, tardio para se irar" (Tiago 1:19). "Comunicai com os santos nas suas necessidades" (Romanos 12:13). "Por isso deixai a mentira, e falai a verdade cada um com o seu próximo; porque somos membros uns dos outros" (Efésios 4:25). "A boca do justo é fonte de vida" (Provérbios 10:11). "A resposta branda desvia o furor, mas a palavra dura suscita a ira" (Provérbios 15:1). "Ouve, filho meu, e aceita as minhas palavras, e se multiplicarão os anos da tua vida" (Provérbios 4:10).

Pr. Adriano Xavier Machado